AGRONEGÓCIO
Barra Agroshow movimenta mais de R$ 32 milhões e se consolida no agronegócio baiano
Publicado em
3 de outubro de 2025por
Da Redação
A primeira edição da Barra Agroshow, realizada entre os dias 4 e 6 de setembro em Barra/BA, movimentou mais de R$ 32 milhões em negócios e recebeu 12 mil visitantes. O evento já se firma no calendário do agronegócio baiano, destacando a região do Médio São Francisco como nova fronteira agrícola do estado.
Com 84 expositores e mais de 120 marcas, a feira se consolidou como ponto de encontro para produtores, empresários, pesquisadores, estudantes e representantes de diversos elos das cadeias produtivas. A programação incluiu quase 30 palestras abordando temas variados ligados à agricultura e inovação tecnológica.
Conhecimento e inovação para produtores
Marco Caviola, presidente da Barra Agroshow e do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra, ressaltou o impacto do evento para a região:
“Recebemos grandes especialistas brasileiros, que compartilharam técnicas avançadas de produção e manejo. Esse conteúdo terá impacto direto na nossa produção e abrirá novas portas para o Médio São Francisco e toda a Bahia.”
O evento também promoveu a integração entre o comércio e a agricultura familiar, com a participação de mais de 25 produtores locais, permitindo que apresentassem seus produtos a novos mercados.
Protagonismo feminino no agronegócio
Um dos destaques da feira foi o I Encontro Mulheres do Agro, realizado no dia 5 de setembro. O evento registrou forte participação feminina, reunindo líderes do setor e agricultoras familiares, reforçando o papel das mulheres no desenvolvimento do agronegócio regional.
Ação social e contribuição à comunidade
A Barra Agroshow também teve caráter social: mais de três toneladas de alimentos foram arrecadadas na entrada do evento e destinadas a cinco instituições da cidade, incluindo a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Wanderley, o Lar dos Idosos de Barra e a Obra Social Madre Regina. Segundo Caviola, a iniciativa buscou “devolver à cidade toda a prosperidade que ela nos proporciona”.
Potencial agrícola da região
Localizada no oeste da Bahia, a região do Médio São Francisco é reconhecida pelo cultivo de frutas irrigadas e apresenta grande potencial para culturas como cacau, uva, manga, citros e pecuária. A Barra Agroshow surge como o primeiro evento voltado a negócios e tecnologia agrícola da região, consolidando sua vocação produtiva.
Realização e apoio institucional
O evento foi realizado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Barra, Marca Comunicação, Plus Eventos Agro e CS Engenharia. Contou com apoio do Grupo Lemos Passos e da Prefeitura de Barra, além de parceria da Amstel Lager e patrocínio do Governo da Bahia, por meio da Bahia Turismo, Secretaria de Turismo, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Secretaria da Agricultura.
Entre outros patrocinadores estão Senar Bahia, Sebrae, Confea, Crea-BA, Conab, Codevasf, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, IICA, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Peirot Agronegócios e Governo Federal – União e Reconstrução.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
15 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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