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Bagaço de cana-de-açúcar: 5 usos ecológicos do maior resíduo agroindustrial do país

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Na safra 2023/24, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que 95% dos resíduos produzidos na indústria canavieira serão reutilizados. O bagaço da cana, resultado do processo de moagem, é um deles.

O Brasil lidera a produção de cana do mundo e, consequentemente, também de bagaços – este é o maior resíduo da agroindústria nacional. Mas o que já foi apenas um rejeito prejudicial ao meio ambiente, hoje se transforma em energia limpa e renovável.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a biomassa dos canaviais representa 72% de toda a capacidade instalada de bioeletricidade no Brasil. É a quarta fonte mais importante na matriz elétrica brasileira, com 6,3% da capacidade instalada. E o potencial é ainda maior: se plenamente aproveitada, a biomassa de cana poderia suprir mais de 30% do consumo de energia no país.

Mas as aplicações desse bio-resíduo não param por aí. Tão versátil quanto a própria cana, graças a inovações tecnológicas o bagaço vem sendo amplamente utilizado como matéria-prima em soluções ecológicas em diversos segmentos.

Descartáveis

Como uma alternativa econômica e ambientalmente responsável ao plástico e ao isopor, algumas empresas estão desenvolvendo embalagens e outros itens descartáveis confeccionados em celulose de bagaço de cana. No Brasil, um exemplo é a Qualifest, sediada em Jundiaí (SP).

Além de uma solução sustentável, totalmente natural e de fonte renovável, esses produtos têm várias vantagens. São atóxicos, têm ótima tolerância ao calor, suportando temperaturas de até 100°C, são indicados para forno, freezer e microondas, resistentes a alimentos gordurosos, biodegradáveis e compostáveis.

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Concreto e tijolos

Na Inglaterra, o bagaço de cana-de-açúcar deu origem ao Sugarconcrete, um material inovador que pode ser utilizado na construção civil em estruturas novas ou existentes, substituindo tijolos e concreto.

Desenvolvido ao longo de dois anos, o produto é fruto de uma parceria da Universidade de East London com a fabricante de açúcar Tate & Lyle e o estúdio de design Grimshaw.

O Sugarcrete, além de ser tão resistente quanto o concreto tradicional, tem tempo de cura reduzido até quatro vezes menor, é de quatro a cinco vezes mais leve, custa muito mais barato e tem pegada de carbono de apenas 15% a 20%.

De acordo com os pesquisadores, se o Sugarcrete substituísse completamente a indústria tradicional de tijolos, geraria uma economia de 1,08 bilhão de toneladas de CO², o que corresponde a 3% da produção global de gás carbônico.

Papel branco

Dos resíduos da cana também pode ser feito papel. A tecnologia existe há algumas décadas, mas vem ganhando mais espaço. Empresas no mundo todo já utilizam esse insumo na produção de celulose, dando origem a diversos tipos de papel, inclusive o branco, como o tradicional sulfite.

No Brasil, é o caso da marca EcoQuality, da GCE Papéis, que fica em São Paulo (SP). Segundo a empresa, a produção desse tipo de papel é mais sustentável se comparado ao fabricado com eucalipto, por exemplo.

Além de reutilizar um resíduo que seria descartado, requer bem menos tempo de colheita, não ocupa áreas de plantio, usa três vezes menos matéria-prima, é biodegradável e pode ser 100% reciclado.

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Plástico

Diferentes grupos de pesquisa pelo país e no mundo estão desenvolvendo plástico a partir do bagaço de cana, com resultados promissores.

Cientistas do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), por exemplo, conseguiram produzir um plástico sustentável totalmente originário do bagaço de cana recentemente e agora estão estudando novas opções de aplicação, tudo a partir da biomassa.

A Lego, famosa marca de brinquedos de montar, já mostrou que esse tipo de material pode ser usado em grande escala. Em 2018, em parceria com a WWF, a empresa lançou uma coleção inteira de bioplástico gerado a partir da cana-de-açúcar.

Asfalto

Em substituição à fibra de celulose da madeira, o bagaço de cana pode ainda ser utilizado como aditivo estabilizante nas misturas de asfalto tipo pedra matrix (Stone Matrix Asphalt – SMA), com a função de impedir que a massa asfáltica escorra durante a mistura e aplicação.

Mais resistente, o asfalto SMA é bastante utilizado no revestimento de vias de tráfego intenso como rodovias e aeroportos.

Segundo relatório do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas, o uso do bagaço nesse composto tem diversas vantagens, como um processo de beneficiamento mais simples, diminuição dos custos do asfalto, aumento da resistência da mistura e, claro, minimização dos impactos ambientais.

Fonte: Revista Exame Online

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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