AGRONEGÓCIO
Assistido pela Emater, produtor aposta na produção de pitayas em Serranópolis
Publicado em
7 de março de 2024por
Da RedaçãoO trabalho realizado pelos técnicos da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) em todo o estado de Goiás tem transformado a vida de milhares de agricultores assistidos. É o caso do produtor Carlos Alberto Pereira de Serranópolis, que conta com assistência técnica da Agência há mais de 10 anos.
Nesta semana, nossa equipe esteve na propriedade do produtor na região sul do estado para acompanhar o plantio de pitaya, nova cultura que o Carlos decidiu apostar. Até então, a renda da sua família era garantida pelo cultivo de outras frutas, como laranja, limão, tangerina, abacaxi e melancia.
Para dar início ao cultivo da pitaya, o produtor contou mais uma vez com o auxílio técnico da Emater. Em sua propriedade, Carlos possui uma área de plantio de 12 hectares e reservou meio hectare para a nova atividade produtiva.
O pomar está sendo acompanhado pelo técnico especialista em fruticultura e coordenador da Regional Sudoeste da Emater, José Luiz, que destaca a produtividade e rentabilidade como principais vantagens. Segundo ele, atualmente, cada planta pode fornecer até 8 kg de pitaya e como Carlos está comercializando o quilo por R$ 20, cada planta gera um lucro de R$ 160, aproximadamente.
O especialista da Emater ressalta que, apesar de estar em alta, o plantio de pitaya pode ser desafio para quem investir sem assistência técnica adequada. “Por ser uma planta rústica e que só começou a ser muito cultivada recentemente, ainda não há dados que aprimorem seu cultivo em todas as regiões do país. Por isso, nosso principal objetivo é encontrar essas soluções para que cada vez mais agricultores possam aderir à novidade, que está se mostrando muito rentável.”, finaliza José Luiz.
Entre as adaptações que estão sendo testadas e observadas pela Emater na propriedade do Carlos em Serranópolis, estão a calagem, que é a adição de calcário no solo, e utilização de raízes superficiais, por conta do solo arenoso da região.
Cultivo da pitaya
Também conhecida como fruta-dragão por causa da sua aparência, a pitaya está ganhando popularidade em Goiás. O cultivo da fruta possui vantagens como a boa produtividade e o baixo custo de produção. Além disso, ela pode ser cultivada simultaneamente com outras espécies e possui um manejo fácil: basta fazer a adubação, a polinização, a irrigação e direcionar o crescimento dos galhos para se ter bons resultados. Por ser um tipo de cacto, é mais resistente à baixas umidades. Esse fator é especialmente interessante para produtores de Goiás, onde o clima costuma ser quente e seco.
Economicamente, a pitaya também se destaca. Por ser uma fruta exótica, seus preços são mais altos que outros frutos. De acordo com o especialista José Luiz, isso torna essencial o conhecimento prévio do mercado por parte do produtor, garantindo a existência de compradores na região. A fruta tem um sabor doce e saboroso e vem sendo utilizada na fabricação de vinhos, sucos, chás (com as suas folhas) e principalmente doces.
Fonte: Emater Goiás
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
22 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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