AGRONEGÓCIO
Arroz de terras altas sob irrigação no Cerrado pode complementar abastecimento no País
Publicado em
5 de março de 2024por
Da RedaçãoLançada em 2020, a cultivar BRS A502 abriu caminho para que o arroz de terras altas pudesse ser inserido em ambientes de cultivo intensivo e integrado com outras culturas. Essa expansão do cereal permite abastecer melhor o mercado nacional, que atualmente é suprido majoritariamente pelas riziculturas da Região Sul, de onde se colhe 80% do arroz nacional. De acordo com o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO) e um dos coordenadores do programa de melhoramento de plantas de arroz da empresa, Adriano Castro (foto abaixo), a BRS A502 possui características que estão contribuindo para a sua inserção em rotação de culturas.
Castro conta que a pesquisa em melhoramento genético de arroz tem investido no sistema de cultivo em terras altas. Os resultados trouxeram perspectivas diferentes para a orizicultura no Cerrado do Brasil Central, nos últimos três anos. O cereal vem sendo incorporado a áreas de rotação de culturas irrigadas sob pivô central em propriedades localizadas em Unaí e Paracatu (MG), Cristalina, Rio Verde, Jataí, Santa Helena e Pires do Rio (GO); e no Distrito Federal (DF). Geralmente, o grão é uma alternativa à soja e ao milho durante a safra de verão e em safrinha, antecedendo as lavouras de inverno, quando, comumente, há o plantio de feijão e trigo.
Ele destaca que, via de regra, em ambientes de cultivo integrado com solos corrigidos e de alta fertilidade, o arroz fica mais propenso a acamar (tendência de a planta deitar sobre o solo por causa do peso dos grãos). Contudo, a BRS A502 possui resistência ao acamamento, desde que seja observado o manejo adequado da lavoura, o que propicia sua introdução em áreas irrigadas sob pivô central. “Essa é uma característica fundamental para a obtenção de um produto de boa qualidade comercial e industrial”, comenta.
O pesquisador aponta que a orizicultura sob pivô central não deve ser encarada apenas sob o aspecto da produtividade da cultura por hectare. “É notável o que o arroz de terras altas proporciona em relação à manutenção e melhoria do sistema de produção como um todo; e também o lucro por hectare de todo o sistema de uma propriedade”, avalia. Castro conta que agricultores usam a BRS A502 como uma das ferramentas para aprimorar a eficiência da produção e melhorar resultados financeiros.
Cuidado com o solo
Um dos agricultores que introduziu o cultivo do arroz de terras altas sob pivô central é o engenheiro-agrônomo e produtor rural do Grupo MeC, William Matté. Na Fazenda Taboca, em Cristalina (GO), ele já cultivou a BRS A502 dentro de um modelo de gestão do sistema produtivo. Para ele, o arroz é mais uma opção para a sucessão de cultivos, que incluem soja, milho, feijão, trigo e girassol. Matté realiza ainda rotação com mix de plantas de cobertura nas áreas de lavoura, a fim de favorecer a fertilidade do solo para as culturas agrícolas comerciais.
O produtor observa que o arroz de terras altas sob pivô central é mais uma alternativa que vem se juntar à forma de gestão da propriedade, cuja finalidade é obter lucro pela soma total das atividades produtivas desenvolvidas durante o ano e não apenas por um determinado cultivo ou safra. Para isso, ele tem a preocupação de cuidar do solo, considerando-o como base de sua produção.
“Se cuidarmos dos pilares químicos, físicos e biológicos do solo, a gente consegue ter mais rentabilidade líquida por hectare e, se me perguntarem se o sistema é viável, eu digo: com certeza! O sistema de plantas de cobertura, com sucessão de culturas, traz remuneração estável. Eu diria que não apenas por permitir produzir mais, mas também por ter estabilidade de produção e participar de tempos diferentes do mercado”, afirma Matté. Os benefícios da sucessão de culturas com a rotação entre mix de plantas de cobertura favorecem o solo, por exemplo, pela infiltração de água, ciclagem de nutrientes e diminuição da infestação de doenças.
Perspectiva para indústrias
O corretor de comercialização de grãos Garibaldi Devoti é um dos profissionais que percebe a integração do cultivo do arroz de terras altas em áreas de rotação de culturas irrigadas sob pivô central. Ele pondera alguns benefícios obtidos pela introdução da cultura nesse ambiente. “O arroz é muito importante porque deixa em torno de 100 a 120 sacos por hectare para o produtor e permite a ele fazer rotação e produzir palhada (plantio direto) para a cultura do feijão. O arroz quebra praticamente todos os ciclos de doenças de solo e, com isso, é obtida alta produtividade no feijão”, pontua Devoti.
Ele pondera que, sob a perspectiva da indústria, a BRS A502 possui atrativos porque permite a obtenção de boa qualidade de grãos. “A BRS A502 entrega para a indústria um grão de 68%, 69%, de inteiro com 74% de renda. Isso é uma coisa extraordinária. Eu acredito que, com o decorrer do tempo, e à medida que a gente consiga fazer essa oferta com mais volume, isso será muito significativo para as indústrias do Centro-Oeste, onde está localizada a maior quantidade de pivô central”, diz Devoti.
Cerrado pode complementar abastecimento nacional de arroz
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa de produção de arroz no Brasil para a safra 2023/2024 é de 10,5 milhões de toneladas. A Região Sul produz cerca de 80% do arroz brasileiro e é a única localidade autossuficiente do País, cujo excedente é comercializado para outros estados. O arroz de terras altas produzido sob pivô central é encarado como uma alternativa complementar ao abastecimento interno do Brasil, podendo atuar como regulador de preços e fornecedor de matéria-prima para indústrias locais com redução do frete. Também pode permitir a aproximação da produção e de localidades consumidoras, além de ajudar a constituir uma base de segurança alimentar à população.
Fonte: Embrapa Arroz e Feijão
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fenasul Expoleite 2026 destaca raça holandesa com programação técnica em Esteio e entrada gratuita
Published
26 minutos agoon
4 de maio de 2026By
Da Redação
A 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite, que acontecem entre os dias 13 e 17 de maio no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), terão a programação da raça holandesa como um dos principais pilares técnicos do evento. Com entrada gratuita, a feira reúne atividades voltadas à avaliação genética, produtividade e manejo na pecuária leiteira.
A Expoleite, tradicional vitrine do setor, passa a integrar a estrutura ampliada da Fenasul, reforçando seu papel dentro do calendário nacional do leite.
Concurso leiteiro abre programação da raça holandesa
As atividades da raça holandesa começam na quarta-feira (13), com a primeira ordenha do concurso leiteiro, que segue ao longo dos dias com avaliações de desempenho produtivo em diferentes horários.
Na quinta-feira (14), além da continuidade do concurso, está previsto o tradicional banho de leite, às 17h, um dos momentos simbólicos da programação. Segundo a organização, o concurso evidencia na prática os resultados obtidos nas propriedades, refletindo seleção genética, manejo e eficiência produtiva.
Julgamentos técnicos definem campeões da pista
Os julgamentos da raça holandesa têm início na sexta-feira (15), com avaliação de machos e fêmeas jovens. No sábado (16), entram em pista os animais em lactação, além dos conjuntos, com a definição das grandes campeãs.
Ainda no sábado, ocorrem a escolha da Vaca do Futuro e da Grande Campeã Suprema, além da entrega dos principais prêmios da raça. O encerramento acontece no domingo (17), com o desfile dos campeões.
As avaliações serão realizadas na pista do Gado Leiteiro. O jurado Lucas Tomasi destacou a importância da participação em um evento de alto nível técnico, especialmente no ano em que a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) celebra 90 anos.
Evento reforça integração entre genética, produção e mercado
O presidente da Gadolando, Marcos Tang, ressalta que a presença da raça holandesa na Fenasul Expoleite reforça a conexão entre avaliação técnica, produtividade e cadeia de consumo.
Para ele, o evento representa uma vitrine da evolução do setor leiteiro. “Falamos de seleção, produção de leite e eficiência. Tudo isso impacta diretamente o produto que chega ao consumidor”, afirmou.
A expectativa da organização é de uma exposição com alto nível genético, reunindo criadores do Rio Grande do Sul e de outras regiões do país, reforçando o caráter nacional da feira e sua relevância para o setor leiteiro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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