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Archer Consulting: “Fundos trocam açúcar por cacau em fuga estratégica”

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Mais uma semana de queda no mercado futuro de açúcar em NY. O contrato com vencimento maio/24, – já que o março/24 expira a semana que vem – encerrou a sexta-feira cotado a 21.79 centavos de dólar por libra-peso, uma queda acumulada de 80 pontos na semana, equivalentes a quase 18 dólares por tonelada. Os demais meses de negociação que se estendem até o vencimento outubro de 2026 recuaram em média 53 pontos, pouco menos de 12 dólares por tonelada

Apesar de um real mais fraco frente ao dólar nesta semana, isso não foi suficiente para compensar a queda de preço do açúcar em NY. Dessa forma, os valores em reais por tonelada para a média da safra 24/25 do Centro-Sul recuaram quase 70 reais por tonelada.

Sem muito alarde, a Índia está produzindo mais açúcar do que o ano passado. Os últimos números divulgados pela ISMA (Indian Sugar Mills Association), a principal associação das usinas indianas, mostram que o país produziu até o momento 3.7 milhões de toneladas de açúcar, 4% acima do mesmo período do ano passado. Vamos acompanhando de perto. Embora o mercado trabalhe com a possibilidade de o país não exportar nem importar açúcar este ano, o que aconteceria caso houvesse uma combinação de produção indiana acima do esperado e de queda no preço do mercado de energia, que poderia desacelerar a necessidade daquele país de acelerar seu programa de etanol?

Enquanto isso na Tailândia, as estimativas de produção de açúcar sofreram nova queda e agora apontam para 7.5 milhões de toneladas, praticamente reduzindo em 1/3 a produção de açúcar se comparada ao ano passado. No entanto, essa redução pode facilmente ser compensada pelo aumento de produção de açúcar no Centro-Sul. Isto é, se o mix do açúcar para a safra 24/25 – como acreditam alguns analistas – for de 51.5%, esse acréscimo de 2.5 pontos percentuais num volume de 600 milhões de toneladas de cana representam uma produção adicional de dois milhões de toneladas de açúcar.

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Os fundos especuladores liquidaram boa parte de suas posições compradas no açúcar. Segundo o COT (Commitment Of Trades), relatório dos comitentes, publicado nesta sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e opções das commodities, com base na posição da terça-feira passada, eles reduziram a posição para apenas 10,800 contratos comprados. Essa é uma má notícia. Mas, por que?

Bem, o momento atual do açúcar com tantas indefinições e pressões provenientes da percepção de uma safra de cana perto dos 600 milhões de toneladas no Centro-Sul, do mercado de energia deteriorado e do milho que pode desaguar numa produção maior de etanol de milho, o único ponto vulnerável que temos discutido seria se os fundos resolvessem construir uma posição comprada pois o fato de as usinas estarem bem fixadas (veja abaixo) não encontrariam quem lhes desse suporte.

Nossa leitura é que os fundos estão saindo do açúcar porque o mercado de cacau está com altíssima volatilidade. É uma maneira de direcionar o portfolio para onde o retorno é maior e mais rápido. Para se ter uma ideia, nesta semana o cacau pulou 19% enquanto café e açúcar perderam quase 3.5%. É razoável imaginar que esteja havendo um ajuste de portfolio que pode voltar ao que era assim que os fundos encontrarem um teto no mercado de cacau. Por enquanto, parece que esse teto está longe.

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Conforme os dados apurados até o dia 31 de janeiro de 2024, as usinas estavam fixadas em 72% do volume de exportação, um total de 18.7 milhões de toneladas de açúcar ao preço médio em 22,20 centavos de dólar por libra-peso, equivalentes a R$ 2.516 por tonelada FOB incluindo o prêmio de pol. Em 2023, esse percentual era de 64%

O volume de contratos futuros negociados em NY durante o mês de dezembro/24 excedeu 3.45 milhões. Em janeiro houve uma redução de quase 1 milhão de contratos. Apesar disso, as estratégias adotadas pelas usinas, que incluíram a aquisição de opções de venda (put) a preços inferiores aos de mercado e a venda de opções de compra (call) a preços superiores, se mostraram eficazes. A volatilidade observada em dezembro, com o mercado recuando mais de 600 pontos da máxima, transformou diversas dessas operações em hedges efetivos de venda.

Análise técnica do analista Marcelo Moreira, colaborador da Archer Consulting: após testar por três vezes o importante suporte da média-móvel dos 50 dias, o vencimento maio/24 finalmente quebrou o suporte e encerrou a semana a 21.82 centavos de dólar por libra-peso. O próximo importante suporte é 19.80 centavos de dólar por libra-peso e as resistências estão a 21.90/22.40/22.70 e 23.60 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento julho/24 encerrou “em cima” do suporte da média-móvel dos 50 dias (21.63 centavos de dólar por libra-peso), chegando a negociar na mínima da semana: 21.56. Se esse suporte for rompido poderá buscar os 19.70 centavos de dólar por libra-peso. Atenção: no curto prazo mercado continua em tendência de baixa! Então, Protejam-se!

Arnaldo Luiz Corrêa – Diretor da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de proteínas animais disparam em maio e carne de frango lidera avanço brasileiro

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As exportações brasileiras de proteínas animais seguem aquecidas em maio de 2026, reforçando o protagonismo do agronegócio nacional no comércio global de alimentos. Dados divulgados pela Secex apontam avanço consistente nos embarques de carne de frango e carne suína, com destaque para o desempenho do setor avícola, que lidera em volume e faturamento.

O cenário positivo reflete a forte demanda internacional pelas proteínas brasileiras, favorecida pela competitividade dos produtos nacionais e pela ampliação das compras em mercados estratégicos.

Carne de frango lidera exportações brasileiras de proteínas

A carne de frango manteve a liderança entre as proteínas animais exportadas pelo Brasil neste mês. Segundo os dados da Secex, os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram 238,3 mil toneladas até a segunda semana de maio.

A receita acumulada alcançou US$ 450,4 milhões no período, com média diária de US$ 45 milhões. O volume médio exportado ficou em 23,8 mil toneladas por dia útil.

Além do elevado ritmo de embarques, o setor avícola brasileiro manteve forte competitividade internacional. O preço médio da proteína exportada foi de US$ 1.889,9 por tonelada, consolidando o Brasil entre os principais fornecedores globais de carne de frango.

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O desempenho positivo ocorre em meio ao aumento da demanda internacional por proteínas de menor custo e ao fortalecimento das exportações brasileiras para mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina.

Carne suína mantém crescimento nas vendas externas

A carne suína também apresentou resultado expressivo nas exportações brasileiras ao longo da primeira metade de maio. De acordo com a Secex, os embarques de carne suína fresca, refrigerada ou congelada totalizaram 55,5 mil toneladas no período.

A receita gerada pelas vendas externas chegou a US$ 138,4 milhões, com média diária de faturamento de US$ 13,8 milhões.

O volume médio exportado ficou em 5,5 mil toneladas por dia útil, enquanto o preço médio negociado atingiu US$ 2.491,6 por tonelada.

Mesmo com volume inferior ao registrado pela carne de frango, o setor suinícola brasileiro segue sustentado pela ampliação da demanda internacional e pela consolidação da proteína nacional em importantes mercados importadores.

A valorização dos preços médios também reforça a competitividade da carne suína brasileira no mercado externo.

Exportações de pescado têm menor participação em maio

Entre os segmentos analisados pela Secex, o pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado apresentou participação mais modesta nas exportações brasileiras em maio.

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Até a segunda semana do mês, o setor embarcou 419,7 toneladas, gerando receita de US$ 2,15 milhões.

A média diária de faturamento ficou em US$ 215 mil, enquanto o volume médio exportado atingiu 42 toneladas por dia útil.

Apesar da menor representatividade em relação às carnes de aves e suína, o pescado registrou o maior valor médio por tonelada entre as proteínas analisadas. O preço médio negociado alcançou US$ 5.122,9 por tonelada exportada.

Agronegócio brasileiro mantém força no mercado global

O avanço das exportações de proteínas animais reforça a posição estratégica do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos.

O desempenho positivo de frango, carne suína e pescado em maio mostra a força do setor exportador brasileiro, que segue beneficiado pela demanda internacional aquecida, pelo câmbio favorável e pela competitividade da produção nacional.

A expectativa do mercado é de continuidade no ritmo elevado de embarques ao longo do segundo trimestre, especialmente para os segmentos de aves e suínos, que seguem ampliando presença nos principais destinos globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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