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Apreciação do Real depende de condições favoráveis; entenda os cenários

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A taxa de câmbio é um dos indicadores mais sensíveis da econômica de um país emergente. Embora fatores externos moldem a trajetória da valorização, ou desvalorização da moeda de um país, são os pilares domésticos que geralmente definem sua atratividade para o mercado. Em relatório, a Hedgepoint Global Markets analisa estes pilares, que sob o controle direto das políticas governamentais, quando bem empregados, ajudam elevar a confiança dos investidores no país.

“Diante das crescentes incertezas em relação à política monetária e questionamentos sobre o compromisso fiscal do governo, o Real brasileiro (BRL) se tornou uma das moedas mais desvalorizadas do mundo em 2024. Desde o início do ano, o BRL acumula desvalorização de aproximadamente 11,58%”, observa Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da Hedgepoint.

“No entanto, recentes sinalizações da política econômica e a expectativa de corte de juros nos EUA podem amenizar parcialmente esse cenário, desde que o país mantenha firme o compromisso de estabilizar a trajetória ascendente da dívida pública. Abordaremos em mais detalhes os fundamentos para apreciação do câmbio neste relatório”, diz.

Desequilíbrio fiscal é o principal desafio econômico para o país

“O déficit nominal do país supera 6% do PIB, patamar elevado para um país emergente e que contribui para o aumento do endividamento público. Alguns números, por exemplo, alardam a delicada situação fiscal brasileira que nos últimos doze meses acumulou um déficit de R$280,2 bilhões, equivalente a 2,53% do PIB”, pontua.

Trazer equilíbrio para as contas públicas tem sido um dos maiores desafio para o país nos últimos anos. Até aqui a estratégia do governo tem sido buscar aumento de receitas, através do aumento da carga tributária, mas tem gerado atrito com o congresso e com setores da economia.

“Para tornar o cenário ainda mais complexo, grande parte das despesas federais, como saúde, educação e emendas parlamentares, está vinculada ao crescimento da receita. Isso significa que, quando há um aumento na arrecadação, também há um aumento nos gastos”, explica.

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Apesar das reformas implementadas para aumentar a arrecadação e do bom desempenho da balança comercial no ano passado, que geraram receitas adicionais para o governo, a trajetória ascendente da dívida pública brasileira continua preocupante, alcançando 76,8% do PIB em maio de 2024.

Ambiente externo incerto também prejudicou o Real

“O primeiro semestre de 2024 foi marcado por uma deterioração do cenário externo para os países emergentes, especialmente exportadores de commodities. A persistente inflação nos EUA não permitiu o Federal Reserve (Fed) iniciar a flexibilização da política monetária, resultando em suporte para os rendimentos dos títulos americanos”, destaca o analista.

“Com o dólar fortalecido, as commodities, geralmente negociadas na moeda americana, ficam mais caras para quem possui outras moedas, o que impacta o consumo por parte delas. Contudo, esse cenário poderá começar a ser revertido nos próximos meses, à medida que dados a respeito do mercado de trabalho e da atividade econômica dos EUA mostram que a inflação está desacelerando, resultando em uma melhora nos principais índices de inflação, como o núcleo do PCE, que em 12 meses passou de 2,8% para 2,6%”, aponta.

“Com a aproximação do corte de juros nos EUA e caso o Brasil demonstre um claro compromisso com o controle das contas públicas, em especial reformas que reduzam os gastos do Estado, a maior economia da América do Sul poderá vivenciar um período de apreciação da sua moeda”, acredita.

Há espaço para apreciação do Real, mas depende do equilíbrio fiscal

Nos últimos dias, a sinalização do governo de buscar revisões em despesas obrigatórias para alcançar o cumprimento do arcabouço fiscal ajudou a aliviar a grande pressão sobre o BRL, que atingiu R$ 5,70 em 02/07.

Pensando nos cenários possíveis para o câmbio brasileiro, e considerando corte de juros nos EUA em 2024, temos alguns cenários à frente, mas os principais deles são:

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Cenário apreciativo: o novo presidente do BACEN reforça a credibilidade frente ao mercado, sinalizando que perseguirá, mesmo com juros mais restritivos, o centro da meta de inflação, enquanto o governo consegue implementar um conjunto de medidas que estabilizem o crescimento do endividamento público.

Cenário depreciativo: a política monetária brasileira se afasta do centro da meta, mesmo que dentro do intervalo de tolerância, e o governo encontra dificuldades em conseguir revisar despesas, levando em conta que parte das revisões dependerá da coordenação com o legislativo.

“No primeiro cenário, haverá espaço para o Real se apreciar, chegando em torno de USD/BRL 5,15 antes do final do ano. Por outro lado, no segundo cenário, a moeda brasileira deverá se desvalorizar para níveis similares aos que vimos nas semanas passadas, em torno de USD/BRL 5,65”, conclui.

Em resumo, elevado déficit fiscal do Brasil tem sido um dos principais problemas na economia nos últimos anos, resultado no aumento do endividamento público e incertezas sobre o cumprimento do arcabouço fiscal.

Embora a situação fiscal apresente consideráveis desafios, também abre portas para oportunidades. Ao implementar reformas que estabilizem as despesas públicas, o governo brasileiro poderá atrair mais investimentos estrangeiros, aliviando a pressão sobre o Real e impulsionando o crescimento econômico.

Não apenas questões domésticas afetaram o desempenho do BRL no primeiro semestre, mas também a piora do ambiente externo foi significativa. No entanto, nos próximos meses, caso ocorra um corte de juros nos EUA, haverá espaço para apreciação do Real.

Nossas projeções indicam que há espaço para apreciação da moeda brasileira, mas uma valorização significativa dependerá principalmente do sucesso do Estado brasileiro em alcançar o equilíbrio fiscal.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira aumenta produtividade e evita ocupação de 423 milhões de hectares, aponta estudo

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A pecuária de corte brasileira vem consolidando nas últimas décadas um avanço expressivo em produtividade, eficiência e uso racional da terra. Um levantamento da Athenagro aponta que os ganhos tecnológicos registrados entre 1990 e 2025 permitiram ao Brasil evitar, de forma teórica, a ocupação de aproximadamente 423 milhões de hectares para sustentar o atual nível de produção de carne bovina.

O estudo reforça que o crescimento da pecuária nacional ocorreu principalmente por meio do aumento da produtividade, da intensificação dos sistemas produtivos e da adoção de tecnologias no campo, e não apenas pela abertura de novas áreas de pastagem.

Segundo Maurício Palma Nogueira, o chamado “efeito poupa terra” se tornou um dos principais indicadores para avaliar a evolução da eficiência da pecuária brasileira, especialmente em um momento de maior atenção internacional sobre sustentabilidade e produção agropecuária.

Produção cresceu enquanto área de pastagem permaneceu mais estável

O levantamento da Athenagro mostra a evolução simultânea da produção de carne bovina, da área total de pastagens e da área teoricamente poupada de desmatamento graças ao aumento da produtividade pecuária ao longo das últimas décadas.

De acordo com os dados apresentados, a produção brasileira de carne bovina avançou de forma consistente desde os anos 1990, enquanto a área efetiva de pastagens seguiu uma trajetória relativamente estável.

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Na prática, isso significa que o país conseguiu produzir mais carne em uma área proporcionalmente menor, graças à adoção de genética, manejo de pastagens, suplementação nutricional, integração lavoura-pecuária e novas tecnologias aplicadas à produção animal.

O gráfico elaborado pela consultoria mostra que a área poupada cresceu continuamente ao longo da série histórica, chegando a 397 milhões de hectares em 2024 e alcançando 423 milhões de hectares em 2025.

Sem ganho de produtividade, pecuária exigiria 583 milhões de hectares

O estudo destaca que o cálculo do efeito poupa terra é feito a partir de uma comparação teórica. A análise considera qual seria a área necessária para produzir o atual volume de carne bovina caso a produtividade permanecesse no mesmo patamar observado no início dos anos 1990.

Segundo a projeção da consultoria, sem os avanços tecnológicos incorporados ao setor nas últimas décadas, a pecuária brasileira precisaria ocupar cerca de 583 milhões de hectares para atingir o mesmo nível de produção registrado atualmente.

O número evidencia o impacto da intensificação produtiva na eficiência do uso da terra e no fortalecimento da competitividade da carne bovina brasileira no mercado global.

Debate ambiental ganha força às vésperas da COP de Belém

Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém, os dados relacionados à sustentabilidade da agropecuária brasileira ganharam ainda mais relevância no debate público e internacional.

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Segundo Maurício Palma Nogueira, as informações sobre o efeito poupa terra frequentemente geram debates e questionamentos de grupos ambientalistas. Ele ressalta, no entanto, que o indicador não deve ser interpretado como uma medida direta de combate ao desmatamento.

O objetivo da análise, segundo o especialista, é demonstrar que a expansão da produção pecuária brasileira ocorreu principalmente apoiada em ganhos de eficiência produtiva e tecnológica.

Tecnologia transforma a pecuária brasileira

Nos últimos anos, a pecuária nacional acelerou investimentos em manejo intensivo, recuperação de pastagens degradadas, confinamento, integração lavoura-pecuária-floresta e melhoramento genético.

Esse movimento tem permitido aumento da produtividade por hectare, maior oferta de proteína animal e avanço da competitividade brasileira no mercado internacional, sem crescimento proporcional da área ocupada pela atividade.

O cenário reforça o papel da tecnologia como principal vetor de transformação da pecuária brasileira, em um contexto de crescente demanda mundial por alimentos e pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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