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Após casos de intoxicação, produtores de cachaça recorrem à UFLA para garantir qualidade e segurança da bebida

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Os recentes casos de intoxicação por metanol no Brasil acenderam um alerta no setor de bebidas alcoólicas e levaram produtores de cachaça a procurar a Universidade Federal de Lavras (UFLA) para testar a qualidade de seus produtos. O Centro de Referência em Análise de Qualidade de Cachaça registrou aumento expressivo na procura por testagens laboratoriais e orientações técnicas, com o objetivo de assegurar a pureza e a segurança das bebidas comercializadas.

De acordo com a coordenadora do centro, professora Maria das Graças Cardoso, mais de 400 laudos emitidos entre 2024 e 2025 mostram resultados tranquilizadores: em quase todos os casos, o metanol não foi detectado ou apareceu em níveis muito abaixo do limite máximo permitido.

“O valor mais alto encontrado foi de 1,47 mg/100 mL de álcool anidro, quando o limite é de 20 mg/100 mL. Isso indica que a cachaça artesanal produzida em Minas Gerais é segura e não apresenta histórico de contaminação”, destacou.

Como o metanol se forma e como pode ser evitado

O metanol é um subproduto natural da fermentação, formado quando bagacilhos de cana permanecem no caldo devido à filtragem inadequada. Durante a fermentação, enzimas convertem compostos presentes nesses resíduos em ácido galacturônico, que depois se transforma em metanol.

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Segundo a professora Maria das Graças, a filtragem correta do caldo — feita com peneiras específicas ou tratamentos químicos e térmicos — reduz drasticamente o risco de contaminação. Além disso, o metanol evapora antes do etanol durante a destilação e se concentra na chamada “fração cabeça”, que deve ser descartada por produtores experientes.

“Quando o corte é feito corretamente, o metanol não permanece na bebida final”, explicou a pesquisadora.

Análises laboratoriais garantem conformidade com o MAPA

A presença de metanol é um dos parâmetros obrigatórios de controle de qualidade definidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O laboratório da UFLA realiza essas análises desde o ano 2000, utilizando a técnica de Cromatografia Gasosa com Detecção por Ionização de Chamas (GC/FID) — método oficial reconhecido pelo ministério.

Produtores interessados em testar suas bebidas podem entrar em contato com o Centro de Referência da Cachaça pelos telefones

📞 (35) 99975-3727 / (35) 3829-1630 / (35) 99883-8471 ou pelo e-mail 📧 l[email protected].

Nova tecnologia oferece testes rápidos e sustentáveis

Pesquisadores da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/UFLA) estão desenvolvendo uma forma inovadora de detectar metanol em bebidas destiladas, utilizando a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR). O método, já testado em amostras de vodka e cachaça, permite identificar e quantificar o metanol de forma rápida e precisa, sem necessidade de reagentes químicos.

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O professor Paulo Ricardo Gherardi Hein, responsável pelo estudo, explica que a tecnologia é promissora por ser mais ágil, econômica e sustentável, podendo ser aplicada em fiscalizações de campo.

“Essa técnica facilita inspeções, reduz custos e ajuda a combater fraudes no setor de bebidas, fortalecendo a segurança do consumidor e a credibilidade dos produtos brasileiros”, afirmou Hein.

Equipe de pesquisa e próximos passos

O grupo da UFLA que conduz o estudo é formado pelos doutorandos Luiza Mendonça Bonfim Tavares e Thalles Loiola Dias, a técnica Vanuzia Rodrigues Fernandes Ferreira, e os docentes Thiago de Paula Protásio e Paulo Fernando Trugilho, além do professor Hein.

A equipe também realiza análises em bebidas comercializadas em Lavras e região, com o objetivo de garantir segurança ao consumidor. Interessados podem entrar em contato pelos e-mails 📧 [email protected] e [email protected].

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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