AGRONEGÓCIO

Apicultor de Itaporanga aumentou produção em mais de 200%

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Ao ouvir o modo com que Luan Brito, apicultor de Itaporanga, lidava com as colmeias, o instrutor Wilson Luiz de Souza brincou: “Você não é apicultor, é ‘ladrão de mel’”. Luan, que toca uma chácara com o irmão Eduardo, pensou: “Como assim?” Ele vem de uma família de apicultores tradicionais da região e decidiu ingressar o Programa de Apicultura do SENAR-SP para melhorar sua produção.

“Mas, no segundo dia do curso, eu já estava concordando com o instrutor”, conta o apicultor, rindo. Não é para menos, depois dos cinco meses de treinamento, sua produção aumentou mais de 200%. O Programa Apicultura é promovido pelo SENAR-SP em todo o Estado e possui seis módulos: Implantação do apiário (I), Produção de mel e aproveitamento de cera (II), produção de pólen (III), produção de geleia real e rainhas (IV), produção de própolis (V) e Gestão da propriedade (VI).

Wilson Luiz é um dos 13 instrutores disponíveis para ministrar o Programa. Ele tem 39 anos de experiência na atividade, além de ser produtor também. “Eu ensino a técnica correta aos apicultores. Por ser apicultor com experiência, consigo transmitir meus conhecimentos na teoria e na prática. O “ladrão de mel” é aquele que só vai na caixa de criação de abelhas para tirar mel”, diz Wilson, explicando o que é preciso fazer para deixar de ser “ladrão de mel”. “É só seguir o que ensinamos no curso. O pulo do gato na apicultura do Brasil é alimentar a abelha e dar espaço para ela trabalhar. Se não alimentar a abelha, ela não vai desenvolver corretamente e vai até migrar. Tem de colocar bastante melgueira para ela trabalhar”, ensina ele.

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O Programa do SENAR-SP foi realizado na própria chácara de Luan. Ele trabalha com abelhas desde pequeno e espera que o seu filho Raul, de cinco anos, siga pelo mesmo caminho. O menino observa o pai centrifugando o mel e preparando o produto para a venda.

Mesmo tendo passado toda a vida lidando com apicultura, a qual aprendeu com o seu pai e o avô, Luan explica que, ao participar do curso, descobriu que fazia 95% do manejo das colmeias de forma errada. Depois que viram sua evolução, os produtores da região querem participar do Programa também, para aprender a manejar corretamente suas colmeias.

“Os cursos do SENAR/SP são transformadores. Luan é a terceira geração de apicultores. O avô viu com desconfiança a ideia do curso, mas todos acabaram convencidos”, explica Marcelo de Azevedo, coordenador do do Sindicato Rural de Taguaí, que tem uma extensão de base em Itaporanga.

O próprio Marcelo se empolgou com a apicultura. Desde setembro passado, passou a criar abelhas também. “Se existe uma sociedade perfeita, é a colmeia”, avalia. Cada caixa pequena tem em torno de 35 mil abelhas, mas há colmeias com até 100 mil abelhas, explica ele. Enquanto uma abelha rainha vive anos, uma abelha comum vive 45 dias.

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Empenhado em prosperar na Apicultura, Luan aproveita cada curso do SENAR-SP. Começou a construir uma Casa do Mel, otimizando a área em que o produto é preparado. Para isso, fez curso de pedreiro. Cada passo para a modernização é acompanhado de um desses cursos, e no mais recente ele aprendeu a construir fossa séptica (no curso “Saneamento Básico Rural – Infraestrutura e Educação Ambiental).

Agora, Luan batalha a documentação para obter certificações para sua produção, para ter um produto mais valorizado. A ideia é que a Casa do Mel também incentive a exploração do turismo rural. “Lidar com as abelhas é até mais fácil”, afirma o produtor.

Conheça os cursos do SENAR-SP sobre apicultura

Em parceria com sindicatos rurais em todo o Estado, o SENAR-SP oferece cursos sobre apicultura. São treinamentos que vão desde a implantação do apiário até questões específicas como produção de geleia real, rainhas, pólen e cera. Confira neste link a oferta dos cursos. Para se informar sobre o tema, é só digitar “apicultura” na seção “área de atuação”.

Fonte: FAESP

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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