AGRONEGÓCIO
Apical investe R$ 100 milhões e inaugura hub de tancagem em São Paulo para ampliar logística de óleos vegetais no Brasil
Publicado em
8 de julho de 2025por
Da Redação
Apical inicia operações no Brasil com hub de tancagem em São Paulo
A Apical, uma das maiores processadoras globais de óleos vegetais, inaugurou oficialmente seu primeiro hub de tancagem no Brasil, localizado em Lençóis Paulista (SP). Com um investimento de R$ 100 milhões, a unidade amplia a capacidade logística para armazenamento de óleos como soja, girassol e canola, além de preparar o terreno para o desenvolvimento do mercado oleoquímico na região.
A empresa possui presença global e capacidade industrial para processar até 12 milhões de toneladas de óleos e derivados por ano, posicionando o novo terminal brasileiro como peça estratégica em sua expansão internacional.
Evento de inauguração e autoridades presentes
O evento ocorreu em 27 de junho na própria unidade e contou com a participação de autoridades locais e estaduais, entre elas:
- Felipe Alves, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo
- Aline Fogolin, Secretária Municipal de Desenvolvimento, representando o prefeito de Lençóis Paulista, André Sasso
- Anderson Ferreira, prefeito de Macatuba
- Carla Medola, vice-presidente da Associação Comercial de Lençóis Paulista (Acilpa)
- José Alcides Gobbo, representante da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Estrutura moderna e impacto socioeconômico
O projeto teve início em dezembro de 2024, quando a Apical anunciou sua chegada ao Brasil e iniciou as obras em Lençóis Paulista. A estrutura já está em operação, com capacidade para armazenar 25 mil toneladas de óleos vegetais.
Durante a construção, foram gerados cerca de 200 empregos, e atualmente a unidade mantém mais de 140 postos de trabalho na operação, sendo 40 diretos e mais de 100 indiretos. A iniciativa reforça o compromisso do grupo RGE — ao qual a Apical pertence, assim como a Bracell — com o desenvolvimento regional e geração de emprego.
Estratégia de expansão e posicionamento no mercado
De acordo com Tiago Nardi, diretor da Apical no Brasil, o hub representa um marco para a presença da empresa na América Latina. “Começamos no Brasil com um terminal de alta performance, preparado para apoiar o crescimento da cadeia de óleos vegetais com eficiência, segurança e sustentabilidade”, afirma. Ele ressalta ainda que o terminal em Lençóis Paulista é o primeiro do interior do país focado em óleos aquecidos, integrando um plano maior de investimentos futuros.
Localização estratégica e sinergia com o grupo RGE
A escolha por Lençóis Paulista foi motivada pela posição geográfica privilegiada, próxima a polos produtivos e grandes centros consumidores, além da presença consolidada de outras operações do grupo, como a Bracell, líder global na produção de celulose solúvel. A experiência logística da empresa na região e o compromisso com práticas sustentáveis foram decisivos para a instalação do terminal.
Apoio e reconhecimento do poder público
Para Felipe Alves, diretor de Implementação de Programas de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Estadual de Desenvolvimento de São Paulo, a inauguração reforça o potencial industrial da região. “É uma excelente notícia para o estado e para Lençóis Paulista, pois fortalece a vocação industrial local e pode atrair novos investimentos sustentáveis, servindo como âncora para outras empresas”, destaca.
Modelo aberto e foco na eficiência logística
O terminal opera sob o modelo bandeira branca, oferecendo serviços logísticos a todos os participantes do mercado, sem competição direta. Segundo Homero Sousa, diretor industrial da Apical no Brasil, a intenção é “destravar gargalos” do setor e entregar uma operação segura e eficiente, que agregue valor a toda a cadeia produtiva.
“Nossa proposta é ser uma alternativa de qualidade, alinhada às necessidades do setor, para impulsionar o desenvolvimento da indústria de óleos vegetais no país”, completa.
Com uma estrutura moderna, localização estratégica e modelo de operação aberto, o novo hub de tancagem da Apical em Lençóis Paulista representa um passo importante na expansão da empresa no Brasil e na América Latina. O investimento reforça a infraestrutura logística para óleos vegetais, gera empregos e contribui para o crescimento sustentável do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
Published
31 minutos agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
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