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Apical investe R$ 100 milhões e inaugura hub de tancagem em São Paulo para ampliar logística de óleos vegetais no Brasil

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Apical inicia operações no Brasil com hub de tancagem em São Paulo

A Apical, uma das maiores processadoras globais de óleos vegetais, inaugurou oficialmente seu primeiro hub de tancagem no Brasil, localizado em Lençóis Paulista (SP). Com um investimento de R$ 100 milhões, a unidade amplia a capacidade logística para armazenamento de óleos como soja, girassol e canola, além de preparar o terreno para o desenvolvimento do mercado oleoquímico na região.

A empresa possui presença global e capacidade industrial para processar até 12 milhões de toneladas de óleos e derivados por ano, posicionando o novo terminal brasileiro como peça estratégica em sua expansão internacional.

Evento de inauguração e autoridades presentes

O evento ocorreu em 27 de junho na própria unidade e contou com a participação de autoridades locais e estaduais, entre elas:

  • Felipe Alves, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo
  • Aline Fogolin, Secretária Municipal de Desenvolvimento, representando o prefeito de Lençóis Paulista, André Sasso
  • Anderson Ferreira, prefeito de Macatuba
  • Carla Medola, vice-presidente da Associação Comercial de Lençóis Paulista (Acilpa)
  • José Alcides Gobbo, representante da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Estrutura moderna e impacto socioeconômico

O projeto teve início em dezembro de 2024, quando a Apical anunciou sua chegada ao Brasil e iniciou as obras em Lençóis Paulista. A estrutura já está em operação, com capacidade para armazenar 25 mil toneladas de óleos vegetais.

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Durante a construção, foram gerados cerca de 200 empregos, e atualmente a unidade mantém mais de 140 postos de trabalho na operação, sendo 40 diretos e mais de 100 indiretos. A iniciativa reforça o compromisso do grupo RGE — ao qual a Apical pertence, assim como a Bracell — com o desenvolvimento regional e geração de emprego.

Estratégia de expansão e posicionamento no mercado

De acordo com Tiago Nardi, diretor da Apical no Brasil, o hub representa um marco para a presença da empresa na América Latina. “Começamos no Brasil com um terminal de alta performance, preparado para apoiar o crescimento da cadeia de óleos vegetais com eficiência, segurança e sustentabilidade”, afirma. Ele ressalta ainda que o terminal em Lençóis Paulista é o primeiro do interior do país focado em óleos aquecidos, integrando um plano maior de investimentos futuros.

Localização estratégica e sinergia com o grupo RGE

A escolha por Lençóis Paulista foi motivada pela posição geográfica privilegiada, próxima a polos produtivos e grandes centros consumidores, além da presença consolidada de outras operações do grupo, como a Bracell, líder global na produção de celulose solúvel. A experiência logística da empresa na região e o compromisso com práticas sustentáveis foram decisivos para a instalação do terminal.

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Apoio e reconhecimento do poder público

Para Felipe Alves, diretor de Implementação de Programas de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Estadual de Desenvolvimento de São Paulo, a inauguração reforça o potencial industrial da região. “É uma excelente notícia para o estado e para Lençóis Paulista, pois fortalece a vocação industrial local e pode atrair novos investimentos sustentáveis, servindo como âncora para outras empresas”, destaca.

Modelo aberto e foco na eficiência logística

O terminal opera sob o modelo bandeira branca, oferecendo serviços logísticos a todos os participantes do mercado, sem competição direta. Segundo Homero Sousa, diretor industrial da Apical no Brasil, a intenção é “destravar gargalos” do setor e entregar uma operação segura e eficiente, que agregue valor a toda a cadeia produtiva.

“Nossa proposta é ser uma alternativa de qualidade, alinhada às necessidades do setor, para impulsionar o desenvolvimento da indústria de óleos vegetais no país”, completa.

Com uma estrutura moderna, localização estratégica e modelo de operação aberto, o novo hub de tancagem da Apical em Lençóis Paulista representa um passo importante na expansão da empresa no Brasil e na América Latina. O investimento reforça a infraestrutura logística para óleos vegetais, gera empregos e contribui para o crescimento sustentável do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista

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A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.

Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.

Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais

O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.

Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.

Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado

O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.

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Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.

Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.

Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.

Risco de base pode comprometer confiança do produtor

Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.

Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.

Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.

Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil

Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

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O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.

Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.

Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados

Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.

O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.

Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto

Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.

No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.

A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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