AGRONEGÓCIO
ANPII Bio Oferece Curso Online sobre Fixação Biológica de Nitrogênio para Agricultura Sustentável
Publicado em
5 de dezembro de 2024por
Da Redação
Em resposta à crescente demanda por práticas agrícolas sustentáveis, a ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos) disponibiliza gratuitamente, e de forma online, um curso sobre Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Lançado em 2020, o curso já foi assistido por mais de 4.500 alunos e tem como objetivo disseminar técnicas que possibilitam às plantas capturar o nitrogênio atmosférico, convertendo-o em uma forma utilizável e reduzindo a dependência de fertilizantes químicos.
A FBN é uma prática essencial que aumenta a produtividade das lavouras, ao mesmo tempo em que contribui para a sustentabilidade do solo e para a redução das emissões de gases de efeito estufa. “É fundamental combinar sustentabilidade com rentabilidade. A ANPII Bio atua para garantir um mercado com produtos de qualidade, promovendo o conhecimento técnico-científico para que os insumos biológicos sejam utilizados corretamente no campo”, afirma Solon Cordeiro de Araújo, Conselheiro Fundador da ANPII Bio.
O curso abrange diversos aspectos da FBN, desde a introdução ao papel do nitrogênio no solo até o processo de fixação nas leguminosas, e o uso de inoculantes. Módulos específicos exploram inovações como a coinoculação com Azospirillum, que tem mostrado resultados positivos na soja e outras gramíneas. “Estamos observando novas tendências para aumentar a eficiência da FBN, como o uso de cepas mais eficazes e consórcios com outros microrganismos benéficos. A soja, por exemplo, tem mostrado altos níveis de produtividade por meio dessa técnica”, explica Araújo.
Além de promover o uso correto dos inoculantes, o curso oferece uma base sólida para os agricultores aprenderem como armazená-los adequadamente, garantindo melhores resultados. “O curso é uma excelente oportunidade para os agricultores entenderem como a correta aplicação dos inoculantes pode melhorar os resultados no campo”, afirma Araújo.
A versão atualizada do curso, lançada em 2023, já foi acessada por mais de 600 alunos e inclui dados atualizados de pesquisas, além de uma reorganização do conteúdo para melhor compreensão dos participantes. As aulas, que estão disponíveis em formato de vídeo, também contam com materiais em PDF, proporcionando uma experiência de aprendizado mais dinâmica. A ANPII Bio direciona a qualificação principalmente para estudantes de agronomia, biologia e cursos técnicos voltados para o agronegócio, mas o conteúdo é acessível a agricultores e consultores de todas as regiões do Brasil, além de estudantes do Paraguai.
Carlos Alcides Villalba Algarin, mestrando em Solos e Nutrição de Plantas na USP-ESALQ, compartilha sua experiência com o curso: “O curso é bem estruturado e fornece um conteúdo claro e relevante. Aprendi sobre o papel dos microrganismos na agricultura e como eles são essenciais para aumentar a produtividade e reduzir o uso de adubos químicos. Estou ansioso para aplicar essas técnicas nas minhas lavouras”.
Com a crescente demanda por bioinsumos, a ANPII Bio se compromete a expandir sua oferta de cursos para abordar outros temas relevantes no setor, ajudando a impulsionar uma agricultura mais eficiente e sustentável. “Esperamos ver uma adoção maior dessas tecnologias nos próximos anos e continuaremos a oferecer cursos atualizados que reflitam as inovações do setor”, conclui Solon Cordeiro de Araújo.
Para mais informações e inscrições, acesse o site oficial da ANPII Bio: www.anpii.org.br
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
Published
4 minutos agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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