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Angus e Abrapa apresentam índices de crescimento no mercado nacional e internacional

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A Carne Angus Certificada e a produção de algodão no Brasil tiveram seus casos de sucesso apresentados nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, no segundo dia de painéis durante a 34ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão (RS). A produtora rural e gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Ana Doralina Menezes, e o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Márcio Portocarrero, falaram sobre o crescimento desses produtos no mercado nacional e internacional e os processos desenvolvidos ao longo de décadas. O mediador do painel foi o jornalista e editor do Conexão Rural, Alex Soares.

Sinônimo de qualidade no mercado nacional e internacional, a carne Angus certificada está ocupando uma fatia maior dentro do setor. Criado em 2003, o Programa Carne Angus Certificada tem como objetivo oportunizar experiência única para os consumidores. Segundo Ana Menezes, “o mercado da carne premium está muito ligado à experiência”. E esta diferenciação pela qualidade acontece devido ao rigor na busca de um produto de excelência. “Nosso processo de análise inclui a genética Angus, mais animais jovens e que tenham bom grau de acabamento. Além disso, é preciso que tenham o mínimo de 50% de sangue Angus”, afirmou.

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E todo este cuidado se reflete em números que mostram um aumento importante neste segmento da carne premium. Em 20 anos, foram mais de 5,5 milhões de animais abatidos dentro do Programa, mais de 300 milhões de quilos de carne produzida e, atualmente, no Brasil, são 27 mil produtores, 25 parceiros, 49 unidades e 11 estados. Neste período foram exportados mais de 7,8 milhões de quilos para 35 países. E houve um aumento relevante no aproveitamento da carne nos últimos 7 anos. “Em 2016 saíam da indústria 51 quilos para cada animal certificado. Já em 2023 foram 83 quilos. Isso representa um aumento de 32 quilos por animal. É um ganho considerável”, revelou Ana Menezes. A carne Angus certificada ainda possui três selos: varejo (explica o produto ao consumidor), sustentabilidade (fazendas auditadas) e Angus gold (alto marmoreio).

Em relação ao algodão, Márcio Portocarrero ressaltou que o seu cultivo ocupa, “apenas, 0,2% do território nacional e que 99,7¨% da demanda é da indústria brasileira”. O Brasil é o 7º maior consumidor mundial, sendo que a Abrapa produz 99% do algodão no mercado nacional e é responsável por 100% da exportação. A Associação iniciou sua produção, em larga escala, em 1999 e, desde então, houve uma redução nas áreas de cultivo e um aumento na produção. “Em 1976 até 1985, o cultivo ocupava uma área de 4 milhões de hectares e produzia cerca de 500 mil toneladas. Atualmente, ocupa uma área de 1,8 milhões de hectares e produz 3,3 milhões de toneladas”, comemorou Portocarrero.

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O diretor executivo da Abrapa falou da importância da qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. “São pilares essenciais. A nossa grande bandeira é a sustentabilidade social, ambiental e econômica, além da rastreabilidade, que permite ao comprador ter acesso à origem do algodão como, por exemplo, saber qual a fazenda, o produtor, o laboratório, enfim, é uma necessidade para que ele tenha certeza da qualidade do nosso produto”, enfatizou. Ele ainda lembrou que “a produção de algodão é, com exceção do varejo, a segunda maior cadeia geradora de empregos no Brasil, que vai da lavoura até a indústria”.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz)

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo afasta risco de falta de fertilizantes, mas custo ainda preocupa produtor

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O Brasil deve iniciar a safra 2026/27 sem risco imediato de desabastecimento de fertilizantes, apesar da queda prevista nas importações e das tensões que afetam o comércio internacional. A oferta deverá ser sustentada pelos estoques formados ao longo do ano, pela diversificação dos fornecedores e por um acordo que prevê até 3,8 milhões de toneladas de fosfatados procedentes do Marrocos.

A avaliação foi apresentada pelo governo nesta terça-feira (22.09), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte. A garantia de disponibilidade reduz o temor de interrupção do plantio, mas não resolve o principal problema enfrentado pelo agricultor: os preços elevados dos adubos e a piora da relação de troca com a produção.

A importação brasileira deve ficar entre 40 milhões e 41 milhões de toneladas em 2026, redução de aproximadamente 10% a 12% diante das 45,5 milhões de toneladas registradas no ano passado. Até setembro, cerca de 27 milhões de toneladas haviam entrado no País.

A retração ocorre mesmo com a previsão de crescimento da área cultivada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o plantio de grãos alcance 85,3 milhões de hectares na safra 2026/27, aumento de 2,2% sobre o ciclo anterior.

A combinação entre área maior e importação menor indica que os produtores deverão utilizar os fertilizantes de forma mais seletiva, recorrer a estoques adquiridos antecipadamente e evitar aplicações acima das necessidades identificadas nas lavouras. Também existe o risco de redução da adubação em propriedades com menor capacidade financeira.

O Brasil ainda importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa o produtor exposto a conflitos internacionais, sanções comerciais, oscilações cambiais, elevação dos fretes e problemas logísticos nos principais países fornecedores.

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Nos sete primeiros meses de 2026, as importações recuaram 7,4% em volume, para 22,4 milhões de toneladas. Mesmo com a redução da quantidade, os gastos aumentaram 7,3%, resultado da valorização dos produtos no mercado internacional. Em junho, o preço médio dos fertilizantes importados estava 26% acima do registrado um ano antes.

Rússia e China continuaram como os maiores fornecedores, mas reduziram os embarques ao Brasil. Canadá, Marrocos e Turcomenistão ampliaram as vendas e ajudaram a compensar parte da diminuição registrada em outras origens.

O acordo com Marrocos é considerado uma das principais medidas para reforçar a oferta. O memorando estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a compradores brasileiros durante 2026 e 2027.

Esse volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas de fosfatados calculado pelo governo para a nova safra. A efetivação dos embarques, entretanto, dependerá de preços, prazos e demais condições negociadas entre a empresa marroquina e os importadores brasileiros.

O entendimento amplia a segurança de fornecimento, mas não representa garantia de fertilizante barato. Se os preços internacionais, o transporte e os custos financeiros permanecerem elevados, o adubo continuará pressionando as margens das lavouras mesmo com produto disponível nos portos.

A produção nacional de nitrogenados também deverá crescer, mas seus efeitos serão graduais. Três unidades foram reativadas, enquanto a conclusão da fábrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, está prevista para 2029.

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A unidade terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia. Sozinha, poderá reduzir em aproximadamente 12% as importações brasileiras de ureia. Somada às demais fábricas, a produção nacional poderá atender perto de 35% do consumo do produto.

A retomada industrial representa um avanço, mas não altera a elevada dependência externa no curto prazo. Durante a safra que está começando, o abastecimento continuará condicionado principalmente às importações e à capacidade de desembarque e distribuição dos produtos.

Para o produtor, a melhor resposta aos preços elevados não é realizar um corte uniforme da adubação. A redução sem critérios pode limitar a produtividade e provocar perdas superiores à economia obtida na compra dos insumos.

Análises de solo, correção da fertilidade, aplicação em taxa variável e aproveitamento dos nutrientes já disponíveis permitem direcionar o investimento para as áreas com maior possibilidade de retorno. Parcelamento, posicionamento correto dos fertilizantes e uso de fontes orgânicas ou biológicas, quando tecnicamente recomendadas, também podem aumentar a eficiência.

A oferta para a safra 2026/27 está mais protegida do que se temia no início do ano. O desafio, porém, apenas mudou de lugar: o risco de faltar produto diminuiu, mas o custo para colocar o fertilizante na lavoura continuará exigindo planejamento, negociação antecipada e rigor na aplicação.

Fonte: Pensar Agro

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