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Análise de Mercado: Frango segue com preços firmes, impulsionados por exportações e controle de produção

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A Consultoria Agro do Itaú BBA, por meio do seu relatório Agro Mensal, trouxe uma análise abrangente sobre o desempenho da avicultura, destacando as perspectivas favoráveis para o setor de carne de frango. De acordo com a publicação, os preços firmes da carne de frango, a constante renovação de recordes nas exportações e o controle no ritmo de produção mantiveram as margens favoráveis no setor, apesar dos aumentos nos custos de ração.

Preços de frango e custos de produção

Em março, o preço da carne de frango inteiro abatido se manteve estável, com o valor médio de R$ 8,40 por kg, refletindo uma alta de 15% em comparação com o mês de março de 2024. Na primeira quinzena de abril, esse preço subiu ainda mais, atingindo próximos de R$ 9,00 por kg. Apesar do aumento nos custos de produção, as margens de lucro continuaram relativamente favoráveis, com o spread da venda da ave no mercado interno situado em cerca de 40%, superior à média histórica de 35%.

O desempenho das proteínas animais

O cenário das proteínas animais em geral continuou com preços elevados no primeiro trimestre de 2025. As três principais carnes – bovina, suína e frango – apresentaram pequenos aumentos nas produções e novos recordes de exportação, mesmo diante do aumento nos custos com ração. A relação de preços entre as carnes também se manteve favorável, especialmente na comparação com a carne de frango e o dianteiro bovino. No entanto, em abril, houve uma leve deterioração dessa relação quando comparado com a meia carcaça suína.

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Exportações de carne de frango

As exportações de carne de frango in natura alcançaram 409 mil toneladas em março, representando um aumento de 2,9% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a março de 2025, a alta foi de 3,3%, superando o recorde de exportações do ano anterior. O preço médio da carne de frango exportada também subiu, chegando a USD 1.889 por tonelada, um aumento de 0,8% em relação a fevereiro de 2025 e 9% superior ao valor registrado em março de 2024.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras, destaca-se o aumento das vendas para o México (152%), que ocupa a sétima posição entre os maiores compradores externos de carne de frango, além de Filipinas (22%) e Coreia do Sul (17%). Esse crescimento compensou as quedas nas exportações para os Emirados Árabes Unidos (-10%) e China (-22%).

Perspectivas e desafios para o setor

O cenário da avicultura segue otimista, impulsionado pela forte demanda externa e pelo controle adequado da produção, alinhado à demanda. A segunda quinzena de abril e o mês de maio serão decisivos para o desempenho da safrinha de milho, com as previsões de chuvas nas regiões produtoras indicando um bom volume de produção. Isso deve evitar maiores elevações nos preços do cereal e limitar o impacto no custo da ração, que provavelmente não sofrerá grandes aumentos no curto prazo.

O papel do México nas exportações brasileiras

O México, segundo maior importador mundial de carne de frango, tem se consolidado como um destino chave para a carne brasileira. Com um histórico de laços comerciais com os Estados Unidos, o México importou cerca de 900 mil toneladas de carne de frango dos EUA e 200 mil toneladas do Brasil em 2024. Caso o preço do produto americano suba, o Brasil tem a oportunidade de capturar parte dessa demanda.

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Além disso, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revisou suas estimativas de oferta e demanda global para 2025, prevendo um aumento de 80 mil toneladas na importação de carne de frango do México, que passará a 1,070 milhão de toneladas. Em contrapartida, a previsão de importação para a China foi reduzida em 65 mil toneladas, refletindo uma queda de 10% em relação a 2024.

Produção de carne de frango

Dentre os principais produtores de carne de frango, o único país com revisão para baixo na estimativa de produção foi os EUA. Contudo, a produção americana ainda deverá crescer 1,6% sobre 2024, somando 21,7 milhões de toneladas. No Brasil, a estimativa de produção é de 15,25 milhões de toneladas, com um crescimento de 1,7% sobre o ano anterior.

O relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA aponta que o setor de avicultura deve continuar com boas perspectivas, respaldado pela alta demanda internacional, especialmente com os bons números de exportações e o controle ajustado na produção doméstica.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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