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Alta do petróleo e tensões geopolíticas podem limitar exportações de milho do Brasil em 2026

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As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm provocado alta nos preços do petróleo, elevando os custos logísticos no Brasil. Esse cenário pode limitar o ritmo das exportações brasileiras de milho em 2026, segundo análise do Rabobank.

Alta do diesel encarece frete e reduz competitividade das exportações

O aumento das cotações do petróleo tem impacto direto sobre o preço do diesel, principal componente do transporte rodoviário no Brasil. Com isso, os custos de frete interno aumentam, afetando a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

Além disso, as longas distâncias entre as regiões produtoras e os portos elevam ainda mais os custos logísticos, o que pode reduzir o volume exportado ao longo do próximo ano.

Diante desse cenário, o Rabobank projeta que os embarques brasileiros de milho devem alcançar 41 milhões de toneladas em 2026.

Possível queda nas compras do Irã preocupa exportadores

O relatório destaca que, em 2025, o Irã foi responsável por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho.

Caso o conflito geopolítico se prolongue até o segundo semestre, uma eventual redução nas compras iranianas pode impactar diretamente a demanda externa. Nesse caso, exportadores brasileiros deverão buscar novos mercados para compensar possíveis perdas.

Mercado interno ganha força com avanço do etanol de milho

Com o encarecimento do transporte, o mercado doméstico tende a se tornar relativamente mais competitivo em relação às exportações, por ser menos sensível aos custos logísticos.

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Nesse contexto, o consumo de milho para produção de etanol deve atingir um novo recorde, com estimativa de 27 milhões de toneladas — volume 4 milhões superior ao registrado na safra 2024/25.

Custos logísticos podem pressionar preços ao produtor

Apesar de o período atual não ser o mais relevante para exportações em termos sazonais, o aumento dos custos de transporte pode impactar diretamente os preços pagos ao produtor.

Tradings e cooperativas tendem a repassar parte desses custos, reduzindo o valor ofertado pelo milho no mercado interno.

Preços do milho sobem em março impulsionados por fatores globais

O Rabobank também destacou o comportamento dos preços do milho em março, que registraram alta de 4% em relação a fevereiro.

Esse movimento foi impulsionado por três fatores principais:

  • Incertezas climáticas sobre a safrinha no Brasil
  • Redução prevista da área de milho nos Estados Unidos para a safra 2026/27
  • Expectativa de maior demanda doméstica, impulsionada pela expansão das usinas de etanol de milho
Produção brasileira deve recuar na safra 2025/26

Para a temporada 2025/26, a projeção é de produção nacional de 137 milhões de toneladas, sendo:

  • 27 milhões de toneladas de milho de verão
  • 110 milhões de toneladas de milho safrinha
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O volume total representa queda de cerca de 5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

Produtividade menor pode impactar oferta de milho

Mesmo com a expectativa de leve aumento da área plantada, a produtividade deve recuar, após os resultados elevados registrados na última safra.

A tendência de queda é mais evidente nas principais regiões produtoras de milho safrinha, o que pode limitar a oferta ao longo da temporada.

Fatores-chave devem definir preços nos próximos meses

Segundo o Rabobank, a formação de preços do milho dependerá de uma série de variáveis ao longo dos próximos meses, com destaque para:

Evolução da safrinha no Brasil

Decisão dos produtores dos Estados Unidos sobre área plantada

Comportamento dos custos logísticos, tanto no mercado interno quanto no transporte marítimo

Cenário exige atenção do produtor e do mercado

O conjunto de fatores — que inclui tensões geopolíticas, custos elevados e incertezas produtivas — indica um ambiente desafiador para o milho brasileiro em 2026.

A dinâmica entre oferta, demanda e logística será determinante para o desempenho das exportações e para a formação dos preços ao longo da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Uso de antibióticos para ganho de peso é proibido na produção animal

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na produção animal, em medida que já está em vigor e altera práticas consolidadas nas cadeias de aves, suínos e bovinos. A decisão veta a importação, fabricação, comercialização e uso desses aditivos quando destinados ao ganho de desempenho produtivo, além de determinar o cancelamento dos registros dos produtos enquadrados nessa categoria.

Na prática, substâncias tradicionalmente utilizadas para acelerar o ganho de peso deixam de ser permitidas com essa finalidade. Entre os compostos atingidos estão a virginiamicina, a bacitracina (e suas variações) e a avoparcina, com destaque para a primeira, amplamente adotada em sistemas intensivos. A norma, no entanto, mantém a possibilidade de fabricação exclusiva para exportação, desde que haja autorização prévia do Mapa.

A mudança segue recomendações de organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde, que há anos orientam a restrição do uso de antimicrobianos na produção animal quando não houver finalidade terapêutica. O objetivo é conter o avanço da resistência antimicrobiana — fenômeno em que bactérias se tornam resistentes a antibióticos, reduzindo a eficácia de tratamentos tanto na medicina veterinária quanto na humana.

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Para o setor produtivo, a medida impõe uma transição operacional. O Mapa estabeleceu prazo de 180 dias para utilização dos estoques já existentes e determinou que empresas informem volumes disponíveis em até 30 dias. Após esse período, os produtos deverão ser retirados do mercado.

Sem esses aditivos, produtores terão de recorrer a alternativas para manter desempenho zootécnico, como ajustes no manejo, nutrição mais precisa e uso de aditivos não antibióticos. No curto prazo, a mudança pode elevar custos e exigir adaptação dos sistemas produtivos. No médio prazo, a expectativa é de alinhamento a exigências sanitárias internacionais, especialmente de mercados mais rigorosos.

A restrição aproxima o Brasil de padrões já adotados em outros países e reforça a tendência global de redução do uso não terapêutico de antibióticos na produção animal, tema que ganhou relevância crescente na agenda sanitária e comercial do agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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