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Algodão reage no mercado internacional e produtores ganham fôlego após recuperação da pluma

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Os mercados agrícolas e de energia seguem atravessando um período de forte volatilidade, marcado por rápidas mudanças nas expectativas de preços, custos de produção e políticas públicas. Entre as commodities que mais oscilaram nas últimas semanas está o algodão, que saiu de um cenário de forte pressão sobre as margens para uma perspectiva considerada menos negativa pelo mercado.

Segundo análise da consultoria Veeries, até o início deste ano os preços internacionais da pluma operavam nos menores níveis dos últimos anos, enquanto os produtores brasileiros enfrentavam deterioração significativa na rentabilidade. Diante desse ambiente, a expectativa inicial apontava para redução de aproximadamente 8% na área cultivada na safra 2025/26 em comparação ao ciclo anterior.

O cenário começou a mudar após uma sequência de fatores internacionais que alteraram a dinâmica do mercado. A escalada das tensões envolvendo o Irã elevou temporariamente os preços dos fertilizantes nitrogenados, aumentando as preocupações com os custos de produção. Em seguida, a valorização do petróleo reduziu a competitividade das fibras sintéticas, especialmente o poliéster, favorecendo a demanda pela fibra natural.

Além disso, as condições climáticas desfavoráveis no Texas, principal estado produtor dos Estados Unidos, ampliaram as projeções de abandono de áreas cultivadas, trazendo suporte adicional às cotações internacionais.

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Preço da pluma sobe e melhora perspectiva para produtores

Com a combinação desses fatores, os preços da pluma reagiram de aproximadamente US$¢ 60 para perto de US$¢ 80 por libra-peso, proporcionando um alívio importante para as margens do setor produtivo.

Apesar da recuperação, a avaliação da consultoria é de que o mercado ainda está distante de um ciclo plenamente favorável para o algodão. Mesmo assim, o novo patamar de preços já reduz o risco de retração significativa da área plantada no Brasil na próxima temporada.

Outro fator acompanhado pelos produtores é o comportamento dos fertilizantes nitrogenados. Caso os preços continuem em queda até o fim do ano, o custo de implantação do algodão safrinha poderá apresentar melhora relevante.

Argentina reduz impostos agrícolas e mercado acompanha reação dos produtores

Na Argentina, o governo de Javier Milei anunciou um cronograma gradual de redução das chamadas “retenciones”, impostos aplicados sobre exportações agrícolas. A medida atende parcialmente às promessas feitas durante a campanha presidencial, embora o governo não preveja eliminar totalmente os tributos no atual mandato.

O mercado acompanha agora a reação dos produtores argentinos. A redução das alíquotas pode estimular novos investimentos no campo, mas também aumentar a retenção de soja por parte dos agricultores, que podem optar por postergar vendas na expectativa de novas reduções tributárias.

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Guerra comercial e tensões no Oriente Médio seguem pressionando mercados

No cenário internacional, os conflitos geopolíticos continuam influenciando diretamente os mercados de commodities. Na disputa comercial entre Estados Unidos e China, Pequim ainda não confirmou oficialmente os compromissos de compras agrícolas anunciados pela Casa Branca, mantendo dúvidas sobre a evolução das negociações entre as duas potências.

No Oriente Médio, o fechamento do estreito de Ormuz segue gerando preocupação entre investidores e operadores do mercado de energia. A ausência de um acordo concreto de paz mantém elevada a volatilidade nos preços do petróleo.

Biodiesel no Brasil aguarda definição sobre aumento da mistura

No Brasil, o setor de biodiesel aguarda a definição do governo federal sobre a possível elevação da mistura obrigatória do combustível fóssil de 15% para 16%.

Paralelamente, o governo oficializou a realização de testes que poderão ampliar gradualmente essa mistura para até 25% no futuro. Os custos dos estudos serão compartilhados entre as usinas do setor, enquanto o mercado acompanha os impactos potenciais sobre a demanda por soja e outras matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Açúcar: USDA reduz superávit global em 57% e cenário climático reforça expectativa de alta nos preços internacionais

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O mercado global de açúcar recebeu um importante sinal de sustentação para os preços com a divulgação do primeiro relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. Os novos números apontam uma redução expressiva do superávit mundial, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado entre oferta e demanda nos próximos meses.

Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA reduziu a projeção de superávit global da safra 2026/27 para 4,8 milhões de toneladas, volume 57% menor em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Além disso, a entidade também revisou para baixo os números da safra 2025/26, cujo excedente foi reduzido de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas.

A combinação entre menor oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras fortalece a expectativa de valorização dos contratos futuros do açúcar negociados em Nova York ao longo do segundo semestre.

USDA promove forte ajuste na oferta global

O principal destaque do relatório está na magnitude das revisões realizadas pelo USDA.

A safra 2025/26 teve seu superávit reduzido em mais de 5 milhões de toneladas, uma revisão equivalente a 46% em relação à projeção anterior. Já para a temporada 2026/27, o excedente global foi estimado em apenas 4,8 milhões de toneladas, representando uma queda adicional de 20% frente ao volume revisado da safra passada.

Somando os dois movimentos, os cortes acumulados alcançam aproximadamente 6,55 milhões de toneladas, alterando significativamente a percepção do mercado sobre a disponibilidade global de açúcar.

Na avaliação da SAFRAS & Mercado, esse ajuste representa um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais nos próximos meses.

El Niño e monções ampliam preocupação com a produção asiática

Além da redução da oferta apontada pelo USDA, o mercado acompanha com atenção a evolução das condições climáticas na Ásia.

O Departamento de Climatologia da Índia elevou sua projeção de déficit de chuvas durante a temporada de monções de 2026, passando de 8% para 10% abaixo da média histórica.

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A preocupação aumenta diante da previsão de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade, conforme projeções internacionais.

Em 2023, quando a região enfrentou um episódio de El Niño de intensidade moderada, o déficit pluviométrico na Índia ficou entre 12% e 14% abaixo da média. Caso as previsões atuais se confirmem, o impacto climático sobre a produção agrícola asiática poderá ser ainda mais severo.

Índia e Tailândia figuram entre os maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, tornando qualquer redução produtiva um fator relevante para a formação dos preços globais.

Brasil também pode enfrentar impactos na produção

Enquanto a Ásia sofre com a perspectiva de chuvas abaixo da média, o cenário brasileiro aponta para o movimento oposto.

As projeções climáticas indicam aumento significativo das precipitações sobre os canaviais do Centro-Sul do Brasil a partir de agosto, com intensificação entre setembro e outubro e possibilidade de persistência até o início de 2027.

O excesso de chuvas pode comprometer o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a eficiência operacional das usinas e encurtando o período de processamento em algumas regiões produtoras.

Segundo a análise da SAFRAS & Mercado, dezenas de unidades industriais poderão encerrar suas atividades de moagem antecipadamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

Produção mundial deve recuar em 2026/27

Os dados do USDA mostram que a produção global de açúcar deverá atingir 184,85 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 186,05 milhões registradas na temporada anterior.

A redução de 1,2 milhão de toneladas representa queda de 0,65% na comparação anual.

Os cortes de produção esperados para Brasil, União Europeia e Tailândia mais do que compensam o crescimento previsto para a Índia, contribuindo para o aperto na oferta mundial.

Além disso, o relatório aponta redução das exportações globais, principalmente por parte do Brasil, União Europeia, Marrocos e Paquistão.

Consumo mundial segue em trajetória recorde

Pelo lado da demanda, o consumo global continua avançando.

O USDA estima que o consumo mundial alcance 179,99 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente atingindo a marca histórica de 180 milhões de toneladas.

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Embora o crescimento seja modesto, o avanço da demanda ocorre em um momento de oferta mais restrita, contribuindo para sustentar os preços internacionais.

As exportações globais, por outro lado, deverão recuar de 62,64 milhões para 62,32 milhões de toneladas, reforçando o cenário de menor disponibilidade no mercado internacional.

Estoques crescem, mas não anulam tendência de alta

O único fator com potencial de limitar parcialmente a valorização do açúcar é o aumento dos estoques globais.

A relação estoque/consumo deverá avançar de 24,19% para 24,67% entre as safras 2025/26 e 2026/27.

Os estoques iniciais foram estimados em 43,52 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. Já os estoques finais devem alcançar 44,10 milhões de toneladas, avanço de 2%.

Apesar desse aumento, a SAFRAS & Mercado avalia que o crescimento dos estoques será insuficiente para neutralizar os efeitos combinados da menor oferta global, da demanda aquecida e dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

Mercado mira patamares mais altos em Nova York

Diante desse cenário, a consultoria projeta continuidade do movimento de recuperação dos preços do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York.

Os contratos futuros já demonstram fortalecimento ao longo da curva para os vencimentos do final de 2026 e início de 2027, com preços orbitando entre 16 e 17 cents por libra-peso.

A expectativa predominante é de avanço para a faixa dos 18 cents ainda neste ano, enquanto o patamar de 20 cents passa a ser considerado uma possibilidade crescente caso os riscos climáticos se confirmem e a oferta mundial continue sendo revisada para baixo.

A combinação entre menor superávit global, incertezas climáticas na Ásia e possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira coloca o mercado internacional de açúcar em uma trajetória de maior firmeza para os preços ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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