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Algodão perde força no mercado interno com pressão da Bolsa de Nova York, dólar forte e avanço da safra nos EUA

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O mercado brasileiro de algodão em pluma perdeu sustentação nos últimos dias, pressionado pela queda das cotações internacionais na Bolsa de Nova York, pela valorização do dólar frente a outras moedas e pelo avanço do plantio da safra norte-americana. O cenário mais cauteloso reduziu o ritmo das negociações no mercado interno e levou compradores a recuarem das aquisições.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços chegaram a registrar retração ao longo da semana, interrompendo o movimento de alta observado anteriormente. Ainda assim, as cotações acumulam valorização na parcial do mês.

A pressão veio principalmente do mercado externo. Na ICE Futures, os contratos futuros do algodão fecharam em baixa nesta terça-feira, refletindo a combinação de dólar fortalecido, queda do petróleo e melhora no ritmo do plantio nos Estados Unidos.

Os contratos com vencimento em julho de 2026 encerraram o pregão cotados a 82,33 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 1,37 centavo, equivalente a 1,6%. Já os papéis para dezembro de 2026 fecharam a 83,16 centavos por libra-peso, baixa de 1%.

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Outro fator que ampliou a pressão baixista foi o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo o órgão, o plantio do algodão atingiu 41% da área prevista no país até o último domingo. O índice supera os 38% registrados no mesmo período do ano passado e também fica acima da média dos últimos cinco anos, de 40%. Na semana anterior, o percentual era de 29%.

No Brasil, o comportamento dos agentes de mercado passou a refletir maior cautela diante da instabilidade externa. Parte dos compradores optou por aguardar definições mais claras antes de fechar novos negócios, enquanto vendedores passaram a demonstrar maior flexibilidade nas negociações.

Segundo pesquisadores do Cepea, algumas indústrias ofertaram preços menores para novas aquisições, alegando dificuldades para comercializar produtos manufaturados e repassar os custos ao consumidor final. Esse movimento contribuiu diretamente para o enfraquecimento das cotações domésticas.

Além das questões ligadas ao câmbio e à safra norte-americana, o mercado internacional segue atento às negociações envolvendo as compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos. A demanda chinesa continua sendo um dos principais fatores de sustentação para o mercado global da fibra.

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O viés negativo também ganhou força após a divulgação dos dados de exportação dos Estados Unidos, que indicaram desaceleração no ritmo das vendas externas. O cenário sugere maior dificuldade dos compradores internacionais em manter aquisições em níveis elevados, mesmo após a recente correção dos preços.

Com isso, o mercado do algodão entra em um momento de maior sensibilidade aos fundamentos globais, especialmente às movimentações cambiais, ao comportamento da demanda internacional e às condições da safra norte-americana, fatores que devem continuar direcionando os preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Café brasileiro terá que comprovar origem e rastreabilidade para manter espaço no mercado europeu

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O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar oportunidades comerciais para o café brasileiro, mas também inaugura uma nova etapa de exigências para exportadores e produtores nacionais.

Mais do que qualidade, produtividade e competitividade, o mercado europeu deve passar a exigir comprovação detalhada da origem do café, rastreabilidade completa da cadeia produtiva e evidências concretas de conformidade socioambiental.

O alerta é da especialista em ESG e vice-presidente da Sustentalli, Eliana Camejo, que aponta uma mudança estrutural na forma como compradores europeus irão avaliar fornecedores brasileiros.

ESG deixa de ser diferencial e passa a ser requisito comercial

Segundo Eliana Camejo, parte da cadeia cafeeira ainda pode estar subestimando o impacto das novas regras europeias sobre exportações agrícolas.

Na avaliação da especialista, ESG não deve mais ser tratado apenas como pauta reputacional ou ferramenta institucional. Para o setor cafeeiro, a agenda passa a representar condição estratégica para manutenção de mercados, mitigação de riscos comerciais e agregação de valor ao produto.

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A tendência é que compradores europeus exijam informações cada vez mais detalhadas sobre a produção, incluindo localização da área produtiva, regularidade ambiental, histórico de desmatamento, segregação de lotes, documentação comprobatória e governança dos dados.

Mesmo empresas já consolidadas no comércio internacional podem precisar ampliar seus sistemas de controle e monitoramento para atender ao novo padrão regulatório europeu.

EUDR aumenta exigências para café exportado à Europa

A pressão sobre a cadeia produtiva tem como base o Comissão Europeia Regulamento Europeu Antidesmatamento, conhecido como EUDR.

A legislação inclui o café entre os produtos sujeitos às novas exigências de rastreabilidade e comprovação de que não possuem relação com áreas desmatadas após o marco regulatório estabelecido pela União Europeia.

Pelas regras divulgadas pela Comissão Europeia, a aplicação ocorrerá em duas etapas:

  • 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores;
  • 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores.

Na prática, importadores europeus passarão a responder legalmente pela chamada diligência devida, exigindo de fornecedores brasileiros informações robustas sobre toda a cadeia produtiva.

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Isso deve impactar diretamente produtores rurais, cooperativas, armazéns, exportadores, transportadoras, beneficiadores e indústrias ligadas ao café.

Cadeia cafeeira precisará investir em governança e rastreabilidade

De acordo com Eliana Camejo, o diferencial competitivo do café brasileiro tende a migrar da qualidade isolada do produto para a capacidade de comprovação das práticas adotadas ao longo da cadeia.

Segundo ela, empresas que conseguirem demonstrar origem, rastreabilidade, regularidade ambiental e governança terão vantagem na manutenção de contratos e no fortalecimento da confiança junto ao mercado europeu.

Por outro lado, agentes que mantiverem estruturas frágeis de controle documental e gestão socioambiental podem enfrentar perda de valor comercial justamente em um momento de maior abertura internacional.

O cenário reforça a necessidade de modernização da cadeia cafeeira brasileira, especialmente em sistemas de monitoramento, integração de dados, compliance ambiental e transparência das operações voltadas à exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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