AGRONEGÓCIO
Agronegócio pernambucano bate recorde de exportações em 2023
Publicado em
5 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoNo ano de 2023, as exportações do agronegócio em Pernambuco apresentaram o melhor desempenho dos últimos 12 anos. Houve um crescimento de 32% em comparação com o ano de 2022 e o Estado superou US$ 640 milhões de dólares em produtos enviados para outros países.
De acordo com os dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe), os setores sucroalcooleiros e a fruticultura foram responsáveis por 92% desse montante. No total, os números mostram que o agronegócio representou 19% das exportações do Estado no ano passado.
O destaque ficou para a comercialização de açúcar, com os açúcares mascavo e refinado como protagonistas. Os destinos principais da exportação do produto são os Estados Unidos, Congo e Mauritânia. Em relação às vendas, ao comparar com o ano passado, houve uma alta de 27%. Ou seja, foram superados cerca de US$ 300 milhões de dólares.
Fruticultura irrigada
O Estado de Pernambuco é o maior exportador de frutas do Brasil. Só em 2023, cerca de US$ 294 milhões em frutas foram enviados para os países importadores. Isso significa um acréscimo de 47% em relação a 2022. A ênfase vai para as vendas de mangas e uvas produzidas no Vale do São Francisco.
O Estado abastece a Holanda e o Reino Unido – além dos EUA – por meio do Porto de Rotterdam, localizado no sul da Holanda. Todo o crescimento das exportações tem um impacto significativo no Estado.
De acordo com o economista da Faepe Marcus Melo, é preciso pensar nos dois cenários econômicos distintos que Pernambuco possui em relação às exportações: a Zona da Mata Norte e Sul e o Vale do São Francisco. Ele explica que há um viés exportador diferente em cada área.
“Nas Zonas da Mata Norte e Sul há uma forte predominância do cultivo da cana de açúcar. A plantação possui suas sazonalidades e há momentos no ano que a atividade emprega cerca de 60 mil pessoas. Além disso, a consequência também é vista no setor de serviços. A gente abre um leque de reflexos que o setor promove dentro da economia do Estado e toda essa cadeia gera emprego e renda para a região”, disse.
Por outro lado, o Sertão pernambucano é voltado para a fruticultura irrigada. Melo explica que esse tipo de produção depende das chuvas moderadas. Em 2023, o Vale do São Francisco recebeu chuvas mais previsíveis e isso possibilitou o recorde de exportações dos últimos 12 anos.
“Petrolina possui uma forte geração de emprego promovida pela produção agropecuária. A cada dez empregos, três são do agronegócio. Cerca de 17% do PIB da cidade é só do setor primário – agricultura, pecuária e extrativismo – e em termos de comparação a média nacional gira em torno de 6%”, ressalta o economista.
Impacto nos alimentos
Ele explica ainda que, assim, é possível observar a importância do setor na geração de renda da cidade. O agronegócio, reforça, também influencia o cotidiano das pessoas que vivem na capital pernambucana por meio da manutenção dos preços dos alimentos.
Segundo uma pesquisa feita pelo Dieese, Recife foi a segunda capital que apresentou o menor crescimento no valor das cestas básicas, ficando entre 4% e 5%.
“Alimentação e as contas são as despesas que as pessoas que ganham 1 ou 2 salários costumam destinar parte do dinheiro. Com o aumento do salário mínimo e a queda da cesta básica, você consegue ter um aumento do consumo”, afirmou.
Outro diferencial destacato pelo economista é a tecnologia usada pelo setor pernambucano. “A tecnologia que é utilizada na agricultura irrigada é destaque, ela é de ponta. Promove uma competitividade grande frente a outros países”, disse.
A estabilidade também foi essencial para o recorde alcançado. Pernambuco possui uma produção de açúcar e álcool estável. “Nós temos, dentro das variações pluviométricas, um nível de exportação em uma média com pouca variância entre os anos do setor sucroalcooleiro”, explica Marcus.
Nos últimos anos, houve um aumento da preocupação relacionada ao Meio Ambiente. As mudanças climáticas e os seus resultados catastróficos acenderam o alerta e incentivaram muitos setores da economia mundial a repensar suas formas de produção. No Brasil não foi diferente. O agronegócio brasileiro possui iniciativas que corroboram com a preservação ambiental.
De acordo com Marcus Melo, os produtores rurais pernambucanos respeitam e cumprem as exigências da legislação ambiental brasileira. Antes de tudo, o produtor precisa deixar 20% da sua propriedade fora do seu potencial produtivo e, caso as terras estejam próximas a córregos ou rios, o percentual é alterado.
Além disso, é necessário realizar um Cadastro Ambiental Rural (CAR) anualmente. O registro gera uma unidade de reconhecimento da sua propriedade e é por meio desse cadastro que é possível identificar se as propriedades estão respeitando as diretrizes.
Diferencial competitivo
O diferencial competitivo de Pernambuco foi um dos fatores essenciais para o crescimento das exportações. O Estado possui a melhor localização na região influenciando diretamente na logística. Outro motivo de destaque é o desenvolvimento da pesquisa e tecnologia da região de fruticultura irrigada do Sertão.
“Quando chove pouco ou quase nada, e você coloca uma fruticultura irrigada, é possível ter uma previsibilidade de produção. Esse fator também contribui para esse grau de competitividade no nosso Estado”, analisa o economista.
Ele lembra que em 2020, o Brasil enfrentou uma das maiores crises sanitárias da história do País. Por motivos de segurança, muitos setores tiveram suas atividades paralisadas a fim de preservar a saúde de milhares de pessoas.
“Houve uma dificuldade, em Pernambuco, durante a pandemia porque o cultivo da uva e da manga dependem da mão de obra humana. Alguns protocolos sanitários foram estabelecidos no setor da fruticultura, dentre eles a instalação de pontos para higienização. Contudo, apesar da crise causada pelo vírus, a agropecuária não parou e aumentou sua participação no PIB brasileiro”, conta. Segundo Melo, o agro saiu mais forte da pandemia.
Fonte: Folha de Pernambuco
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Soja oscila após forte alta em Chicago, mas clima nos EUA, demanda aquecida e dólar sustentam preços no Brasil
Published
39 minutos agoon
26 de junho de 2026By
Da Redação
A soja iniciou esta sexta-feira (26) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte dos ganhos expressivos registrados na sessão anterior. O movimento é considerado uma realização técnica de lucros por parte de fundos e investidores, após o mercado avançar quase 2% na quinta-feira (25), impulsionado por fatores climáticos nos Estados Unidos, forte demanda externa e desempenho positivo dos derivados.
Apesar da correção nos contratos futuros, o cenário permanece favorável para a oleaginosa no médio prazo. As atenções seguem voltadas para as condições climáticas no cinturão agrícola norte-americano e para os próximos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que serão divulgados na próxima semana e poderão redefinir as expectativas para a safra 2026/27.
Clima nos Estados Unidos continua sendo o principal fator de sustentação
Na quinta-feira, os contratos futuros encerraram em forte valorização. O vencimento julho fechou cotado a US$ 11,27 por bushel, com alta de 1,69%, enquanto agosto avançou 1,81%, alcançando US$ 11,37 por bushel.
O mercado reagiu às previsões de temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, elevando as preocupações sobre possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras durante uma fase considerada decisiva para a cultura.
Além do calor intenso, áreas do Meio-Oeste americano continuam apresentando condições de seca moderada, enquanto outras regiões registram excesso de umidade, mantendo o mercado atento à evolução do clima nas próximas semanas.
Exportações fortes e aproximação entre EUA e China reforçam o mercado
Outro fator importante para a valorização observada na sessão anterior foi o desempenho das exportações norte-americanas.
As vendas semanais divulgadas pelo USDA superaram as expectativas do mercado, sinalizando demanda internacional consistente pela soja dos Estados Unidos.
Também contribuiu para o avanço das cotações a retomada das conversas entre Estados Unidos e China sobre possíveis reduções tarifárias, movimento que alimenta expectativas de fortalecimento do comércio agrícola entre as duas maiores economias do mundo.
Mercado realiza lucros nesta sexta-feira
Após a expressiva valorização da quinta-feira, investidores passaram a realizar parte dos ganhos nesta sexta.
Os contratos mais negociados registravam perdas entre 7 e 8 pontos durante a manhã, com o vencimento julho sendo negociado próximo de US$ 11,20 por bushel e novembro em torno de US$ 11,49.
Os derivados também acompanharam o movimento corretivo.
O óleo de soja liderava as baixas, pressionado pela queda do petróleo, enquanto o farelo devolvia parte da valorização registrada na sessão anterior, quando havia sido impulsionado pelas preocupações envolvendo possíveis paralisações no setor industrial da Argentina.
Mercado aguarda relatórios decisivos do USDA
Além do comportamento climático, os investidores começam a concentrar suas atenções nos importantes levantamentos que serão divulgados pelo USDA na próxima terça-feira (30).
O mercado aguarda os novos dados sobre a área efetivamente plantada da safra norte-americana 2026/27, além dos estoques trimestrais de grãos existentes em 1º de junho.
Os números poderão provocar elevada volatilidade nas bolsas internacionais, dependendo da confirmação ou não das expectativas atuais de oferta.
Brasil mantém preços firmes com apoio do dólar e dos prêmios
Mesmo com a realização de lucros em Chicago, o mercado físico brasileiro continua apresentando sustentação.
A valorização do dólar frente ao real aumenta a competitividade das exportações brasileiras e reduz parte do impacto negativo provocado pela queda dos contratos internacionais.
Os prêmios de exportação seguem fortalecidos, acima dos 100 pontos em diversos embarques, oferecendo suporte adicional aos preços nos portos e nas principais regiões produtoras.
Na quinta-feira, o Porto de Rio Grande registrou soja cotada a R$ 134 por saca, enquanto Paranaguá também alcançou R$ 134, refletindo um mercado de exportação bastante aquecido.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul permaneceu em R$ 132 por saca, enquanto no Mato Grosso do Sul diversas praças registraram novas altas, com destaque para Sidrolândia.
No Mato Grosso, o preço médio semanal atingiu R$ 106,73 por saca, o maior valor nominal registrado em 2026.
Comercialização segue limitada por gargalos logísticos
Apesar da melhora nos preços, a comercialização permanece relativamente lenta em várias regiões produtoras.
Produtores continuam cautelosos diante dos elevados custos de frete, limitações de armazenagem e do elevado nível de endividamento rural.
Os custos logísticos seguem pressionando a rentabilidade, especialmente em estados do Centro-Oeste, onde o transporte até os portos continua onerando significativamente as operações de venda.
Perspectiva
O mercado da soja permanece sustentado por fundamentos positivos, especialmente diante das incertezas climáticas nos Estados Unidos, da demanda internacional consistente e da expectativa pelos próximos relatórios do USDA.
Embora movimentos de realização de lucros sejam naturais após fortes altas, analistas avaliam que a volatilidade deve permanecer elevada nos próximos dias. No Brasil, a combinação entre dólar valorizado, prêmios firmes e bom ritmo das exportações tende a continuar oferecendo suporte às cotações, enquanto produtores acompanham atentamente o cenário internacional para definir novas oportunidades de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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