AGRONEGÓCIO
Agronegócio impulsiona crescimento, mas falta de agroindústrias limita desenvolvimento de pequenas cidades, aponta pesquisa
Publicado em
11 de junho de 2026por
Da Redação
Apesar de concentrarem grande parte da população rural e desempenharem papel estratégico na produção agropecuária brasileira, milhares de pequenas cidades ainda enfrentam dificuldades para transformar a riqueza gerada no campo em desenvolvimento econômico local. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) revela que a falta de agroindústrias e de planejamento urbano alinhado às vocações econômicas regionais limita a geração de empregos, renda e qualidade de vida nesses municípios.
O estudo, conduzido pela urbanista Carlla Brito Furlan Pourre durante seu doutorado em Arquitetura e Urbanismo, propõe um novo modelo de planejamento urbano voltado especificamente para cidades de pequeno porte. A pesquisa destaca que, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 70% possuem menos de 20 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas ainda não contam com instrumentos de desenvolvimento adequados às suas características econômicas e sociais.
Pesquisa mapeia potencial do agronegócio no Oeste da Bahia
Para validar o modelo, a pesquisadora escolheu como estudo de caso o município de Baianópolis, localizado no oeste da Bahia, uma das áreas mais dinâmicas do agronegócio nacional e integrante da região do Matopiba, importante fronteira agrícola formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O levantamento econômico realizado no município revelou uma situação comum em diversas regiões produtoras do país. Embora Baianópolis possua ampla produção de soja e milho, apenas cerca de 20% da cadeia produtiva dessas culturas está estruturada localmente. A ausência de agroindústrias de processamento e de serviços especializados reduz a capacidade do município de capturar valor agregado da produção agrícola.
Como consequência, grande parte da riqueza gerada no campo deixa a cidade, limitando a criação de empregos qualificados, reduzindo a arrecadação local e estimulando a migração da população para centros urbanos maiores.
Implantação de agroindústria pode gerar retorno 2,4 vezes superior ao investimento
A pesquisa simulou a instalação de uma unidade esmagadora de soja no município, com investimento estimado em R$ 20 milhões.
Os resultados apontaram um impacto econômico total de aproximadamente R$ 48 milhões, equivalente a um retorno de 2,4 vezes o valor inicialmente investido. Além disso, o empreendimento teria potencial para gerar cerca de 285 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de movimentar aproximadamente R$ 8 milhões por ano em renda local.
Segundo o estudo, a implantação da agroindústria elevaria o nível de integração da cadeia produtiva da soja e do milho de 20% para 41%, ampliando significativamente a circulação de capital, serviços e oportunidades dentro do próprio município.
Planejamento urbano deve acompanhar o crescimento do agronegócio
De acordo com Carlla Pourre, o desenvolvimento de pequenas cidades precisa deixar de ser pensado exclusivamente sob a ótica do desenho urbano e passar a considerar a dinâmica econômica regional.
A proposta apresentada na tese prevê a integração entre infraestrutura, serviços públicos, investimentos privados e políticas de desenvolvimento voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Nesse modelo, o planejamento urbano passa a atuar como instrumento de geração de valor econômico, estimulando novos negócios, fortalecendo atividades estratégicas e criando condições para que a renda permaneça circulando dentro do município.
Modelo atual não atende à realidade das pequenas cidades
A pesquisadora destaca que os instrumentos urbanísticos atualmente disponíveis foram concebidos para grandes centros urbanos e, muitas vezes, apresentam baixa efetividade em municípios de pequeno porte.
Ferramentas como Operações Urbanas Consorciadas e Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), amplamente utilizadas em grandes cidades, tendem a ter pouca atratividade em localidades onde o mercado imobiliário possui menor dinamismo e menor capacidade de retorno financeiro.
Além disso, segundo o estudo, muitas decisões de investimento urbano são tomadas sem um diagnóstico aprofundado das vocações econômicas locais, reduzindo o potencial de geração de resultados duradouros para a população.
Integração entre campo e indústria pode elevar qualidade de vida no interior
A pesquisa conclui que municípios inseridos em regiões agrícolas de destaque podem alcançar avanços significativos em indicadores sociais e econômicos quando conseguem desenvolver atividades industriais e de serviços associadas ao agronegócio.
Ao agregar valor à produção local, as cidades ampliam a geração de empregos, fortalecem o comércio, aumentam a arrecadação e criam melhores condições para investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Segundo a autora, o modelo pode servir como referência para centenas de municípios brasileiros que buscam atrair investimentos, reduzir desigualdades e construir estratégias mais sustentáveis de crescimento econômico.
A principal conclusão do estudo é que o desenvolvimento das pequenas cidades passa pela integração entre produção agropecuária, industrialização e planejamento urbano. Quando a indústria acompanha o avanço do agronegócio, cresce também a capacidade dos municípios de reter riqueza, criar oportunidades e melhorar a qualidade de vida da população.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Senado aprova projeto de renegociação de dívidas rurais e amplia apoio financeiro aos produtores
Published
4 minutos agoon
11 de junho de 2026By
Da Redação
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que estabelece medidas para a renegociação das dívidas dos produtores rurais em todo o Brasil. A proposta, considerada estratégica para o agronegócio, cria instrumentos de apoio financeiro para agricultores e pecuaristas afetados pela combinação de juros elevados, queda das commodities, oscilações cambiais e adversidades climáticas.
O texto recebeu aval do Plenário após intensas negociações entre parlamentares e representantes do governo federal. Apesar das discussões com o Ministério da Fazenda, não houve consenso sobre a matéria. Agora, o projeto retorna à Câmara dos Deputados para nova análise.
Setor agropecuário enfrenta cenário de pressão financeira
Durante a votação, lideranças da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram que o agronegócio atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Entre os fatores apontados estão a redução dos preços internacionais das commodities agrícolas, o aumento do custo do crédito rural, a valorização do real frente ao dólar em relação ao período de plantio e os impactos climáticos registrados em diversas regiões produtoras.
Segundo parlamentares da bancada ruralista, a medida é necessária para evitar um agravamento da inadimplência no campo e garantir condições para que os produtores mantenham a capacidade de investimento e produção nas próximas safras.
Nova linha de crédito terá recursos de fundos constitucionais e do Fundo Social
Entre os principais pontos do projeto está a criação de uma linha especial de financiamento destinada à renegociação de débitos rurais. Os recursos poderão ser provenientes do Fundo Social e dos fundos constitucionais de financiamento, especialmente para atender produtores das regiões Norte e Nordeste.
O texto aprovado prevê que a utilização desses recursos seja autorizativa, sem estabelecer um limite financeiro específico para sua aplicação.
Condições favorecem recuperação financeira dos produtores
As regras definidas para a nova linha especial de crédito oferecem condições diferenciadas para os beneficiários:
- Taxas de juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor;
- Limite de financiamento de até R$ 10 milhões por produtor rural;
- Limite de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações;
- Prazo de pagamento de até 10 anos;
- Carência de três anos para início da amortização;
- Possibilidade de extensão do prazo total para até 15 anos em situações específicas.
A expectativa dos defensores da proposta é que as condições oferecidas permitam a reorganização financeira de milhares de produtores que enfrentam dificuldades para honrar compromissos junto às instituições financeiras.
Relatório amplia alcance da medida até 2026
O texto final incorporou alterações que ampliam o alcance da renegociação. Entre elas está a inclusão de operações de crédito rural que tenham sido renegociadas ou prorrogadas até 30 de abril de 2026, desde que estivessem adimplentes no momento da contratação.
A mudança busca contemplar um número maior de produtores que tiveram suas operações afetadas por fatores externos ao longo dos últimos ciclos agrícolas.
Educação e saúde ficam preservadas
Uma das preocupações levantadas durante as negociações envolvia o possível impacto da utilização dos recursos do Fundo Social sobre áreas prioritárias do orçamento público.
Para evitar esse efeito, o relatório reforçou dispositivos que garantem a preservação dos recursos destinados à educação e à saúde, mantendo a destinação constitucional dessas áreas.
Agronegócio reforça importância econômica da medida
Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que a renegociação das dívidas rurais representa um investimento na sustentabilidade econômica do setor agropecuário brasileiro.
O agronegócio segue como um dos principais motores da economia nacional, respondendo por parcela significativa das exportações, da geração de empregos e da formação do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo representantes da FPA, a recuperação financeira dos produtores é considerada essencial para assegurar a continuidade da produção, a oferta de alimentos e a competitividade do Brasil nos mercados internacionais.
Com a aprovação no Senado, o setor agora acompanha a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, onde a expectativa é de que a matéria avance rapidamente diante da urgência apontada pelas lideranças do agro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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