AGRONEGÓCIO
Agronegócio brasileiro mostra resiliência e pode alcançar nova safra recorde mesmo com crédito restrito
Publicado em
16 de março de 2026por
Da Redação
Agronegócio brasileiro segue forte mesmo com cenário financeiro desafiador
O agronegócio brasileiro continua demonstrando capacidade de adaptação e resiliência mesmo diante de um ambiente econômico marcado por crédito mais restrito e juros elevados.
De acordo com o quinto levantamento da Safra de Grãos 2025/2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional deve atingir 353,37 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 0,40% em relação ao ciclo anterior.
Esse desempenho reforça a força do setor e a habilidade do produtor rural em enfrentar desafios econômicos, mantendo o ritmo de expansão da produção agrícola no país.
Investimentos em tecnologia e gestão sustentam a produtividade
Mesmo com o aumento do custo do crédito, agricultores brasileiros continuam investindo em tecnologia, planejamento e estratégias mais eficientes de compra.
Essas iniciativas têm sido fundamentais para garantir ganhos de produtividade, otimização de custos e maior competitividade no mercado agrícola. A adoção de ferramentas digitais e de modelos mais modernos de gestão tem ajudado produtores a tomar decisões mais estratégicas para suas lavouras.
Plataformas digitais ampliam acesso a benefícios e melhores condições
Nesse cenário, empresas do setor têm desempenhado papel relevante ao oferecer soluções que facilitam o acesso a condições comerciais mais vantajosas.
Um exemplo é a Orbia, considerada a maior plataforma digital do agronegócio na América Latina. A empresa surgiu inicialmente como um programa de fidelidade e evoluiu para um ecossistema que reúne soluções para toda a cadeia agrícola.
Por meio da plataforma, produtores podem cotar, comprar e pagar por insumos de forma online, além de acumular pontos e acessar benefícios exclusivos.
Campanha “Firme Forte” busca apoiar planejamento do produtor
Dentro dessa estratégia de apoio ao produtor rural, a Orbia lançou mais uma edição da campanha “Firme Forte”, uma das principais iniciativas da empresa no primeiro trimestre do ano.
A ação ocorre entre 9 e 29 de março e reúne diversas condições especiais voltadas ao planejamento das próximas safras.
Segundo Ivan Moreno, CEO da Orbia, a proposta da campanha vai além de ofertas comerciais.
“Mais do que ofertas, a campanha carrega um simbolismo que conversa diretamente com o campo. Firmeza e força para decidir melhor, gerir com precisão, superar desafios e alcançar resultados impressionantes, do jeito que só o agro faz”, afirma.
Descontos, pontos extras e condições especiais para insumos
Durante o período da campanha, os produtores poderão aproveitar uma série de benefícios, entre eles:
- Até 84% de desconto no resgate de produtos e serviços utilizando pontos do programa de fidelidade
- Acúmulo extra de pontos com parceiros, incluindo pontos em dobro com a Yara
- Até cinco vezes mais pontos com a Decolar
- Cupons de desconto e frete grátis
- Condições especiais para compra de insumos agrícolas
Planejamento antecipado ajuda a reduzir custos no campo
Entre os principais atrativos da campanha está a possibilidade de adquirir sementes, fertilizantes e defensivos com condições mais favoráveis, permitindo que o produtor se antecipe no planejamento da próxima safra.
Essa estratégia pode contribuir diretamente para a gestão de custos, especialmente em um momento de maior pressão financeira sobre o setor.
Produtor segue protagonista do crescimento do agro
Mesmo diante de desafios como juros elevados e crédito mais caro, o produtor rural brasileiro segue demonstrando capacidade de adaptação e protagonismo no desenvolvimento do setor.
Para Moreno, iniciativas que ampliam o acesso a benefícios e soluções digitais ajudam a fortalecer o campo.
“Diante de desafios como o crédito mais caro e juros elevados, o campo brasileiro reforça sua capacidade de adaptação. Com o apoio de soluções digitais e iniciativas que ampliam o acesso a benefícios e melhores condições comerciais, o produtor segue como protagonista de um setor que continua a impulsionar a economia nacional e a bater recordes, safra após safra”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
23 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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