AGRONEGÓCIO
Agronegócio brasileiro mira 2025 com foco em segurança jurídica, crédito e sustentabilidade
Publicado em
27 de novembro de 2025por
Da Redação
Setor se prepara para um novo ciclo de ajustes
O agronegócio brasileiro encerra 2024 com uma agenda densa de debates e desafios que devem nortear as decisões do setor em 2025. Pressões regulatórias, novas exigências ambientais e mudanças nas estruturas de financiamento colocam o agro diante de uma fase de reorganização estratégica.
De acordo com o advogado Adriano de Almeida, especialista em direito agrário e sócio do escritório Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o momento é de reestruturação.
“O agronegócio cresceu rapidamente nos últimos anos, mas agora precisa alinhar produtividade, segurança jurídica e sustentabilidade. Essa combinação será essencial para garantir competitividade global”, afirma.
Regularização fundiária: da burocracia à estratégia
A regularização fundiária permanece entre os maiores gargalos do agronegócio, sobretudo diante das exigências internacionais de rastreabilidade e conformidade socioambiental.
“Sem documentação adequada, o produtor fica limitado para acessar crédito, certificações e mercados externos. A regularização deixou de ser uma mera formalidade e se tornou uma questão de sobrevivência comercial”, destaca Almeida.
Parcerias e contratos rurais exigem profissionalização
Com o avanço das parcerias e arrendamentos rurais, as relações contratuais no campo se tornaram mais complexas. Segundo Almeida, muitos conflitos surgem de contratos mal elaborados ou genéricos.
“Ainda há contratos improvisados, sem cláusulas sobre benfeitorias, prazos, reajustes ou responsabilidades. Essa falta de precisão jurídica inibe investimentos e gera disputas que poderiam ser evitadas com instrumentos mais técnicos e alinhados à realidade do campo”, explica.
Sustentabilidade e Código Florestal ganham centralidade
A responsabilidade ambiental passou a ocupar papel central nas operações do agro. A aplicação mais rigorosa do Código Florestal e a pressão por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) colocam a regularidade ambiental como um diferencial competitivo.
“O produtor não pode mais tratar a conformidade ambiental como algo secundário. Os mercados internacionais estão cada vez mais restritivos com quem não comprova sustentabilidade. A agenda ambiental virou exigência mercantil”, pontua o advogado.
Reorganização do crédito rural e novas fontes de financiamento
A revisão do modelo de crédito rural é outro ponto crucial para 2025. O setor deve assistir a uma reconfiguração nas formas de financiamento, com maior presença de investidores privados e novos instrumentos de garantias.
De acordo com Bruno Medeiros Durão, especialista em direito financeiro e presidente do escritório Durão & Almeida, o ambiente jurídico será determinante para a entrada de capital.
“O fluxo de investimentos depende da credibilidade e da segurança jurídica das operações. Fortalecer garantias, transparência e governança cria um ecossistema saudável e atrativo para investidores nacionais e estrangeiros”, ressalta.
Governança de dados e digitalização do campo
O avanço da digitalização do agronegócio, impulsionado por maquinários inteligentes, satélites e softwares de monitoramento, tem ampliado a produtividade, mas também traz novos desafios jurídicos.
“Os dados agrícolas se tornaram um insumo estratégico. Precisamos definir claramente as responsabilidades e os direitos sobre essas informações, evitando disputas entre produtores, empresas e plataformas tecnológicas”, alerta Almeida.
Perspectiva otimista com base técnica e segurança jurídica
Apesar das incertezas, o cenário é visto com otimismo pelos especialistas. Para Adriano de Almeida, o agronegócio brasileiro possui uma base técnica sólida e grande capacidade de inovação.
“O que o setor precisa agora é de um ambiente jurídico previsível, que permita ao produtor crescer com segurança e sustentabilidade”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
8 horas agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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