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Agrishow: FPA Itinerante discute estratégias para fortalecer o setor agropecuário

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) Itinerante realizou sua segunda parada nesta segunda-feira (29), durante a 29ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), a maior feira de tecnologia agrícola do Brasil. Com uma expectativa de movimentar cerca de R$ 13,2 bilhões, o evento reuniu produtores rurais e lideranças do setor para discutir estratégias para o fortalecimento do agronegócio.

O encontro foi organizado em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). A FPA Itinerante reuniu parlamentares e várias autoridades estaduais e municipais para abordar temas importantes, como a crise no agronegócio, o Seguro Rural e o Plano Safra.

O presidente da FPA, Pedro Lupion (PP-PR), esteve presente, juntamente com outras figuras proeminentes do setor, como o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Guilherme Piai, e o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira.

Um dos tópicos principais foi a falta de recursos para o seguro rural e as dificuldades de financiamento do Plano Safra. O debate também abordou a necessidade de melhorar o diálogo entre os poderes Legislativo e Executivo para impulsionar o setor agropecuário. Lupion destacou a importância da representação efetiva dos produtores rurais e a necessidade de combater problemas como as invasões de terra. Ele anunciou avanços legislativos para enfrentar esse problema, como a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de um projeto para impedir que invasores ocupem cargos públicos ou participem de programas sociais do governo.

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No que diz respeito ao Plano Safra, Lupion enfatizou a necessidade de suporte adequado para superar desafios como a queda nos preços das commodities e o alto custo de produção. Ele afirmou que, para a Safra 2023/2024, lutaram por R$ 20 bilhões, mas o governo liberou apenas R$ 13,5 bilhões. Além disso, ele enfatizou a importância do seguro rural, apontando que o Mato Grosso, um dos maiores produtores agrícolas do país, nunca havia contratado seguro e agora está buscando fazê-lo devido às dificuldades enfrentadas.

Arnaldo Jardim defendeu linhas de crédito claras para o Plano Safra e reforçou a importância do setor agro para a economia brasileira. Ele destacou a necessidade de apoiar o seguro rural e garantir recursos suficientes para o Plano Safra. Jardim também ressaltou que o orçamento atual de R$ 1 bilhão para o seguro rural é insuficiente para atender às demandas do setor, que precisaria de pelo menos R$ 2,3 bilhões para cobrir a área plantada no Brasil.

O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, afirmou que é uma honra receber a FPA Itinerante para debater questões tão importantes para o agronegócio. O prefeito Duarte Nogueira destacou o papel do agronegócio na economia nacional e enfatizou a importância da sociedade civil no processo de interação com o setor público.

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Jorge Seif, senador pelo PL-SC, destacou a importância da presença dos parlamentares que defendem o agronegócio brasileiro e o papel da FPA na discussão do Marco Temporal e de outras questões relacionadas ao direito de propriedade. Já o deputado Evair de Melo (PP-ES) ressaltou o compromisso da FPA em atuar na Câmara Federal para ouvir e representar os interesses dos produtores rurais e demais envolvidos no setor agropecuário.

Por fim, o senador Irajá Abreu (PSD-TO) ressaltou a importância da Agrishow como uma feira internacional de tecnologia agrícola e uma referência para o setor em todo o mundo. Ele destacou que o evento é um ambiente de negócios consolidado, onde os grandes players do mercado se reúnem para discutir as últimas inovações e tendências do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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