AGRONEGÓCIO
Adaptabilidade e eficiência na produção são pilares da suinocultura moderna brasileira
Publicado em
20 de novembro de 2023por
Da RedaçãoEste foi um dos catalisadores do progresso genético dos suínos observados aqui no Brasil, aonde a busca constante por fêmeas mais prolíferas, com uma melhor conversão e menor porcentagem de gordura na carcaça veio acompanhado de algumas características indesejadas. No passado, vivenciamos um problema relacionado com a presença do gene do Halotano nos plantéis, que resultava na morte súbita quando estes eram estressados, além de afetar a qualidade da carne.
Isto forçou a indústria e os produtores a removerem indivíduos carreadores, para a eliminação desta variação alelica na população. No entanto, esta era uma característica fácil de ser trabalhada, pois era controlada por somente um gene (Monogênica). Atualmente, estamos vivenciando um aumento nos números de descartes involuntários nos animais associados, principalmente a problemas locomotores, prolapsos uterinos e falhas reprodutivas. Todas estas características de ação poligênica com diferentes níveis de herdabilidades, principalmente moduladas pelo efeito ambiental e da genética dos animais e suas interações.
A grande pressão de seleção imposta na produção dos animais para elevados GPDs (Ganho de Peso Diário) fez com que a estrutura óssea dos mesmos não acompanhasse o seu desenvolvimento muscular, resultando em problemas locomotores. Quando falamos em claudicação temos principalmente uma diminuição na longevidade deles, reduzindo a eficiência da produção dos rebanhos comerciais e principalmente causando um problema de bem-estar animal.
Atualmente na criação suinícola de forma intensiva, a claudicação está se tornando cada vez mais uma preocupação, pois ela é um importante fator limitante da produção, responsável por enormes perdas econômicas para a indústria em todo o mundo. Os extremos que evidenciamos na produção animal na maioria das vezes acabam não sendo o ideal.
A busca pelo maior número de suínos nascidos por leitegada vem resultando em menores pesos individuais dos animais e consequentemente uma diminuição na taxa de nascidos vivos e de leitões desmamados. Esse fato acontece em decorrência principalmente das fêmeas terem um número limitado de tetas, o que consequentemente força os produtores a realizar o Cross-fostering ou utilizar protocolos de indução à lactação em fêmeas vazias.
Outro ponto muito importante a ser mencionado é que o mundo vem vivenciando esta alteração dos conceitos na criação de suínos, onde que as definições de raças puras acabaram sendo substituídas por linhagens. Estas podem ser oriundas de diversos cruzamentos para a maximização da genética individual dos animais, principalmente para a obtenção de melhores índices relacionados com a heterose individual, que está diretamente correlacionada com o vigor híbrido.
Todavia o melhoramento genético nas granjas núcleos continuam sendo realizado em grade parte nas raças puras, no entanto, a avaliação dos animais acontece com os indivíduos cruzados. Aliado a isto, as condições ambientais (manejo, instalações, clima e nutrição) em que eles são criados aqui no Brasil, acabam sendo diferentes das que os seus genitores foram criados, tendo em vista que grande parte do material genético de suínos existente aqui é importado.
Desta forma, os animais acabam não conseguindo expressar todo o seu potencial genético, sem falar na elevada taxa de mortalidade dos reprodutores importados, que podem superar 16%. Diante deste cenário, a busca por exemplares mais equilibrados acaba sendo uma alternativa para a implementação da produção suinícola brasileira. Além disso, aqueles já adaptados ao nosso clima, manejo e instalações, acabam conquistando uma grande vantagem, vindo ao encontro da maximização da utilização dos animais, principalmente pelos elevados custos atuais relacionados com a reposição das fêmeas.
Neste modelo, o produtor adquire as matrizes comerciais equilibradas (boas mães), adaptadas ao nosso sistema de criação, para serem cruzadas com reprodutores de elevados EBVs (Estimated Breeding Value), também conhecido por Valor Genético. A Afrodite é uma matriz da TopGen, que está sendo selecionada aqui no Brasil há mais de 30 anos para características de linha fêmea, sem prejudicar as qualidades de carcaça e de saúde animal incluindo baixos índices de prolapsos.
O seu nome já diz tudo, a linhagem das fêmeas Afrodite é conhecida por ser excelente mãe, além disso, são mais rústicas e isso confere a elas um aparelho locomotor bastante robusto. Esse conjunto contribui para sua maior longevidade e um aparelho mamário uniforme com no mínimo oito pares de tetas viáveis, sem falar na sua docilidade que facilita o seu manejo diário.
Professor do curso Medicina Veterinária e do Programa de Pós-Graduação em BioExperimentação, da Escola de Ciências Agrárias Inovação e Negócios, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS.
Fonte: Ruralpress
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançam US$ 5,8 bilhões e mantêm estado entre líderes nacionais
Published
4 horas agoon
2 de junho de 2026By
Da Redação
As exportações do agronegócio de Minas Gerais somaram US$ 5,8 bilhões entre janeiro e abril de 2026, consolidando o estado entre os três maiores exportadores do setor no Brasil. No período, foram embarcadas 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários para mais de 160 países.
Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação ao mesmo período de 2025, Minas Gerais respondeu por 10,6% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo posição de destaque no comércio exterior nacional.
Segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a redução está concentrada em segmentos específicos de grande representatividade, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, enquanto diversas outras cadeias produtivas apresentaram crescimento.
Diversificação fortalece desempenho do agro mineiro
De acordo com a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado evidencia o avanço da diversificação das exportações do estado.
Segmentos como carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas registraram desempenho positivo, contribuindo para ampliar a presença de Minas Gerais em diferentes mercados internacionais.
O estado também mantém liderança em importantes cadeias exportadoras. No primeiro quadrimestre, Minas respondeu por:
- 71% das exportações brasileiras de café;
- 30,5% dos produtos apícolas;
- 20,4% dos lácteos;
- 12,8% das rações para animais;
- 11,9% dos produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.
Ao todo, mais de 500 produtos diferentes foram comercializados no mercado internacional durante o período.
Café continua liderando exportações
O café permaneceu como principal produto da pauta exportadora mineira, gerando receita de US$ 3,2 bilhões.
Foram embarcadas aproximadamente 7,4 milhões de sacas ao exterior, porém o segmento registrou retração de 17,5% em valor e de 26% em volume na comparação com o primeiro quadrimestre do ano anterior.
Mesmo com a queda, o produto continua sendo o principal responsável pelo desempenho do agronegócio estadual e pela forte presença mineira no comércio internacional.
Complexo soja mantém segunda posição
O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, ocupou a segunda colocação entre os produtos mais exportados pelo estado.
As vendas externas totalizaram US$ 1,14 bilhão, com embarques de 2,71 milhões de toneladas.
Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 2,8% na receita e de 8,9% no volume exportado.
Carnes lideram crescimento entre os principais setores
O grande destaque positivo do quadrimestre foi o segmento de carnes bovina, suína e de frango.
As exportações do setor alcançaram US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, representando crescimento de 8,2% em valor e de 0,7% em volume.
A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo avanço da receita, reforçando a importância do segmento na pauta exportadora mineira.
Complexo sucroalcooleiro registra retração
As exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 268,7 milhões entre janeiro e abril.
O resultado representa queda de 22,9% na receita e recuo de 2,7% no volume embarcado em comparação ao mesmo período do ano passado.
A redução do valor médio da tonelada exportada foi um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho negativo do setor.
União Europeia permanece principal destino
A União Europeia consolidou-se como o principal mercado para os produtos do agronegócio mineiro.
O bloco econômico importou US$ 1,7 bilhão em produtos do estado no primeiro quadrimestre, equivalente a 29,6% de toda a pauta exportadora do agro mineiro.
Na comparação anual, houve queda moderada de 2,9% no valor e de 2,5% no volume embarcado.
O café continua dominando as vendas para o mercado europeu, representando 94,4% do valor exportado ao bloco.
Por outro lado, alguns segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais registraram crescimento de 42,8% na receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram, indicando oportunidades de diversificação e agregação de valor.
Mercosul amplia volume importado
Os países do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — adquiriram US$ 82 milhões em produtos do agronegócio mineiro no período.
Embora a receita tenha recuado 2,1%, o volume exportado cresceu 10,1%, refletindo ajustes nos preços médios dos produtos comercializados.
A Argentina respondeu por 63,2% das compras do bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Diferentemente da União Europeia, a pauta exportadora para o Mercosul apresenta maior diversidade. O café representa 38,3% das vendas, seguido por cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, tubérculos, produtos florestais e alimentos processados.
Essa característica amplia as oportunidades para a indústria agroalimentar mineira, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como bebidas, chocolates, lácteos e cafés especiais.
Perspectiva
Mesmo diante da retração observada no primeiro quadrimestre, Minas Gerais mantém posição estratégica no comércio exterior do agronegócio brasileiro. A força do café, o avanço das exportações de carnes e a crescente diversificação da pauta exportadora reforçam a competitividade do estado e ampliam as oportunidades de crescimento em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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