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Açúcar: Mesmo com exportações indianas e clima no Brasil, mercado não se altera

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Já no Brasil o açúcar foi impactado pela seca, afetando a qualidade da cana e as expectativas do mix de açúcar. O ritmo acelerado da safra permitiu um forte ritmo de exportação, atingindo 3,9 Mt em agosto, proporcionando conforto de curto prazo ao mercado.

Os preços do açúcar bruto estão lutando para romper a resistência de 20 c/lb, precisando de notícias altistas mais substanciais para dar um passo definitivo para cima. Segundo Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da Hedgepoint Global Markets, “na semana passada, a fraqueza no setor de energia e as preocupações macroeconômicas mais amplas ofuscaram alguns dos sinais de alta que surgiram”.

A analista acrescenta ainda que, “embora os preços tenham registrado um aumento modesto após a correção do dólar na sexta-feira (06), desencadeada por dados de emprego dos EUA de agosto mais fracos do que o esperado e uma estabilização nas expectativas de cortes nas taxas de juros, outras notícias, como a proibição da exportação de açúcar da Índia, não tiveram o impacto no mercado que alguns anteciparam, inclusive com o açúcar fechando a semana em baixa”.

“Como o segundo maior produtor de açúcar do mundo, atrás apenas da região Centro-Sul do Brasil, a Índia reacendeu uma das questões centrais do mercado: o país exportará açúcar? O governo indicou sua intenção de proibir as exportações, priorizando o objetivo de atingir uma meta de mistura de 20% de etanol até 2025/26”, diz.

No entanto, o consenso do mercado sugere que os fluxos comerciais globais devem precisar da participação da Índia, especialmente depois que a produção do Brasil foi afetada pela seca recente.

“A falta de uma decisão final deixa espaço para o mercado, e para nós, permanecermos cautelosamente otimistas com relação às possíveis exportações indianas, o que suavizar parte do aperto de disponibilidade durante a entressafra brasileira”, observa.

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Para a Índia exportar, os preços precisariam ultrapassar a marca de 20c/lb. Dado os preços domésticos atuais e o déficit esperado para o fluxo comercial internacional, as usinas indianas podem exigir um prêmio, elevando a paridade de exportação acima de 21c/lb.

“Se o mercado estiver disposto a pagar, o governo não se sentiria pressionado a permitir as exportações? É possível que sim, especialmente se a produção exceder a média das estimativas. Podemos nos surpreender com a disponibilidade Indiana novamente, semelhante à da última temporada, quando muitos previram uma safra abaixo de 30 Mt devido à pior monção de agosto em um século, mas a produção chegou a 32 Mt depois de levar em conta o desvio de etanol. Essa incerteza pode ser a razão pela qual os preços do açúcar não reagiram às notícias de sexta-feira (06)”, considera.

“Uma palavra de cautela, entretanto: se alguma permissão para exportação for concedida, ela provavelmente virá depois que a nova temporada começar e ganhar impulso”, indica.

Quando os estoques forem reabastecidos e o governo reconhecer uma oferta maior do que a esperada inicialmente, este poderá mudar de opinião. De fato, a Índia já alocou 8,6kt de açúcar para exportação para os EUA sob o esquema de Tariff Rate Quota para o ano fiscal de 2025. Embora seja uma quantidade pequena, a decisão é digna de nota. Enquanto isso, as monções têm sido ótimas e demoram a se retirar, o que é positivo para o desenvolvimento da cana.

“Enquanto aguardamos novos desenvolvimentos e confirmações, o principal fator de alta continua sendo o clima brasileiro, que está provando ser um fator significativo. Apesar da recuperação do Hemisfério Norte, a região Centro-Sul do Brasil teve um desempenho inferior devido à seca, que afetou a qualidade da cana mais do que o previsto, reduzindo as expectativas do mix açúcar”, pondera.

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Os desafios na produção de açúcar e a disponibilidade reduzida de matéria-prima provavelmente estenderão o período de entressafra, aumentando a pressão de alta sobre o contrato de março. No entanto, no curto prazo, o ritmo acelerado da temporada permitiu que o país mantivesse um nível extraordinário de exportações, com os dados da SECEX indicando um novo recorde de 3,9 Mt em agosto. Esse nível de oferta acrescenta conforto de curto prazo ao mercado, permitindo que seus participantes permaneçam calmos e atentos aos desenvolvimentos da Índia e outros países.

“Com relação ao vencimento de outubro, suas posições em aberto diminuem, seguindo a sazonalidade normal. Podemos esperar algum movimento nos spreads ao longo da semana, com o início das rolagens oficiais dos fundos”, conclui.

Em resumo, os preços do açúcar bruto estão lutando para romper o nível de 20c/lb, precisando de notícias mais significativas de alta para um movimento decisivo, já que a fraqueza da semana passada no setor de energia e uma aposta do mercado por um corte de juros menor (25 pbs) do que inicialmente projetado, pode estar ofuscando desenvolvimentos altistas.

Embora os preços tenham registrado um aumento modesto devido a uma correção no dólar norte-americano, a possível proibição de exportação da Índia não teve o impacto esperado, com o contrato de açúcar perdendo seus ganhos e fechando abaixo de 19c/lb. O mercado parece cético, enquanto o Brasil está inundando o mercado com açúcar com sua safra em ritmo acelerado, permitindo que os traders se sentem e esperem.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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