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Açúcar: entenda as condições que podem trazer tendência de baixa para o prêmio do branco

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Tópicos delicados, como a possibilidade de a Índia voltar a participar dos fluxos comerciais como exportadora, podem ser influenciados por condições climáticas favoráveis e decisões governamentais.

É provável que a Tailândia aumente a sua produção de açúcar com o La Niña ameno, e o México e a América Central também podem se beneficiar do clima favorável. A dinâmica do mercado europeu, incluindo o crescimento da área e o aumento da disponibilidade de açúcar ucraniano, pode contribuir para a oferta global de açúcar.

A possível mudança para um fluxo comercial mais confortável de açúcar branco no Hemisfério Norte pode levar a uma correção mais intensa sobre os preços do açúcar de qualidade superior em comparação com o bruto.

A hEDGEpoint Global Markets analisa, em relatório atualizado, que, embora uma atenção significativa tenha sido dedicada aos problemas enfrentados pelo desenvolvimento da safra 24/25 do Centro-Sul do Brasil e às reduções de sua previsão, houve relativamente pouca discussão sobre as perspectivas do Hemisfério Norte. Isso pode ser atribuído ao momento recheado de incertezas: ainda é prematuro fixar números.

“No entanto, acreditamos que nunca é cedo demais para começar a discutir os riscos potenciais e as possíveis alterações nos preços. Alguns tópicos podem ser um pouco mais sensíveis do que outros, como a possibilidade de a Índia voltar a participar dos fluxos comerciais como exportadora. Com o clima agindo a favor da região, essa questão ainda precisaria ser decidida pelo governo. Entretanto, um clima positivo pode induzir a uma maior participação de outros países da região, como a Tailândia”, comenta Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint.

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“Como discutimos em relatórios anteriores, não ficaríamos surpresos se, com um La Niña mais ameno, a Tailândia se aproximasse da produção de 10 Mt de açúcar em 24/25, como fez nas duas últimas safras de La Niña, 21/22 e 22/23. Mas lembre-se de que o país não seria o único com maior disponibilidade”, pondera.

De acordo com a analista, “o México e os países da América Central também podem colher os frutos dessas perspectivas favoráveis. Por exemplo, a safra 21/22 viu a formação antecipada do evento climático durante o desenvolvimento da cana, produzindo excelentes resultados para a Guatemala e o México, bem como para outros participantes das Américas do Norte e Central”.

Com as previsões climáticas atuais e o surgimento do La Niña um pouco mais tarde na temporada, as evidências apontam para um ano de recuperação, indicando maior disponibilidade regional em 24/25.

Além disso, a dinâmica do mercado europeu contribui para essa tendência. Não só se prevê que a Europa terá um crescimento de área entre 2 e 3%, mas a maior disponibilidade de açúcar ucraniano também pode aumentar o envolvimento da região nos fluxos comerciais globais.

“Em especial, após a remoção das tarifas sobre o açúcar ucraniano pela Comissão Europeia, as importações aumentaram para mais de 400kt em 22/23 e devem subir ainda mais para 650kt em 23/24, reduzindo os preços internos do açúcar na UE. Esse desenvolvimento provocou protestos em toda a Europa, principalmente na França e na Polônia, por parte de produtores preocupados”, destaca.

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No entanto, a UE estendeu seu acordo temporário de livre comércio com a Ucrânia até junho de 2025, com alguns limites. Com o influxo potencialmente maior de importações de açúcar e correções de preços domésticos, a região poderá aumentar sua contribuição para o fornecimento global de açúcar.

Considerando todos esses fatores e reconhecendo que os países do Hemisfério Norte negociam predominantemente com açúcar branco, podemos estar transitando para um fluxo comercial de açúcar branco mais confortável.

“Consequentemente, pode haver uma correção mais acentuada nos preços do açúcar de qualidade superior em comparação com o bruto, que ainda deve encontrar suporte na disponibilidade reduzida do Brasil. Assim, considerando o cenário descrito, o prêmio do branco caminha para momento mais baixista”, conclui.

Ainda é prematuro fazer uma afirmação decisiva, mas, pressupondo um clima bastante estável com um La Niña suave, é possível discutir uma tendência de baixa para o prêmio branco. Enquanto o principal produtor de açúcar bruto enfrenta uma safra um pouco menor, o Hemisfério Norte pode estar entrando em um ano de recuperação. Como este último contribui principalmente com açúcar de maior qualidade para os fluxos comerciais, o prêmio do açúcar branco sobre o bruto pode entrar em um momento de baixa.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Governo de Santa Catarina lança projeto de R$ 10,1 milhões para ampliar uso de sementes certificadas de arroz

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O Governo de Santa Catarina lançou nesta quinta-feira (14) o Projeto Sementes Certificadas de Arroz, uma nova ação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do arroz irrigado no estado. A iniciativa foi apresentada durante o Seminário Sul Catarinense de Arroz Irrigado, realizado em Turvo, e integra o Programa Terra Boa, coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape).

A proposta busca ampliar o uso de sementes certificadas nas lavouras catarinenses, elevando os índices de produtividade, qualidade e sustentabilidade da produção de arroz. O projeto também pretende reduzir os riscos associados ao uso de sementes irregulares, conhecidas como “piratas”, que ainda são utilizadas por parte dos produtores.

Aprovado pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural (Cederural), o programa prevê investimento de R$ 10,1 milhões para a safra 2026/2027. O apoio financeiro contempla a aquisição de até 77 mil sacas de sementes certificadas, com limite de até 40 sacas de 50 quilos por produtor e subsídio máximo de R$ 4,8 mil por beneficiário.

A expectativa do governo estadual é beneficiar mais de 2 mil agricultores familiares e produtores rurais em diferentes regiões produtoras de arroz de Santa Catarina.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, a iniciativa reforça o compromisso do governo com o fortalecimento do setor orizícola catarinense.

“O Projeto Sementes Certificadas de Arroz amplia o apoio ao produtor rural, incentivando o uso de sementes de qualidade para garantir mais segurança, produtividade e competitividade no campo. Trata-se de uma cadeia estratégica para Santa Catarina, especialmente pela forte presença da agricultura familiar”, destacou o secretário.

Projeto prioriza qualidade, rastreabilidade e segurança na produção

As sementes contempladas pelo programa deverão ser de variedades desenvolvidas pela Epagri e produzidas por associados da Associação Catarinense de Produtores de Sementes de Arroz Irrigado (Acapsa). Além disso, os materiais precisarão possuir registro regular junto à Cidasc e ao Ministério da Agricultura, assegurando rastreabilidade, qualidade genética e segurança ao produtor rural.

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A operacionalização do projeto ficará sob responsabilidade da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), por meio de acordo de cooperação com a Sape. A iniciativa também conta com parceria da Epagri, Acapsa, cooperativas e casas agropecuárias credenciadas.

Santa Catarina registra safra recorde de arroz

Santa Catarina consolidou sua posição entre os principais polos produtores de arroz do Brasil após alcançar produção recorde de 1,3 milhão de toneladas na safra 2024/2025. O cultivo ocupou área de aproximadamente 145 mil hectares, colocando o estado como o segundo maior produtor nacional do grão.

A orizicultura possui forte peso econômico no agronegócio catarinense, movimentando mais de R$ 2,3 bilhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).

Outro destaque do setor é a predominância da agricultura familiar. Dos 5.916 estabelecimentos produtores de arroz existentes no estado, cerca de 82% pertencem a agricultores familiares, reforçando a importância social da atividade para geração de renda e manutenção das economias regionais.

Uso de sementes “piratas” preocupa setor produtivo

Apesar dos bons resultados produtivos, o setor enfrenta desafios relacionados à elevação dos custos de produção. Entre as preocupações está o avanço do uso de sementes não certificadas, prática adotada por alguns produtores na tentativa de reduzir despesas.

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De acordo com informações da Epagri, sementes irregulares apresentam menor qualidade, reduzem o potencial produtivo das lavouras e aumentam significativamente os riscos de contaminação por arroz vermelho, considerada uma das principais plantas daninhas da cultura.

O diretor de Cooperativismo e Desenvolvimento Rural da Sape, Léo Kroth, alerta que o uso desse tipo de material também pode gerar problemas jurídicos e financeiros aos produtores.

“Além dos prejuízos produtivos, sementes sem certificação podem comprometer o acesso a seguros agrícolas e gerar insegurança em casos de perdas nas lavouras”, enfatizou Kroth.

Com a nova política de incentivo, o governo catarinense aposta no fortalecimento da cadeia produtiva do arroz irrigado, buscando elevar a competitividade do setor e garantir maior sustentabilidade econômica aos produtores rurais do estado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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