AGRONEGÓCIO

Acre supera metas de exportação, amplia vendas para 26 países e registra PIB per capita recorde

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O Acre vive um dos melhores momentos de sua economia. O estado superou as metas estabelecidas para as exportações na Agenda Acre 10 Anos (2023-2032), ampliou sua presença no mercado internacional e alcançou o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita de sua história. Os resultados reforçam o fortalecimento da produção agropecuária, dos setores extrativistas e das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), as exportações acreanas somaram US$ 98,9 milhões, valor superior em mais de US$ 28 milhões à meta prevista para o período. Paralelamente, o PIB per capita estadual atingiu R$ 31,7 mil, superando em mais de 70% o objetivo estabelecido pela Agenda Acre 10 Anos.

Exportações do Acre mantêm ritmo de crescimento

Os números mais recentes do Boletim do Comércio Exterior do Acre, referentes a maio de 2026, mostram que o estado exportou produtos para 26 países, demonstrando o avanço da inserção internacional da economia acreana.

A Turquia liderou as compras dos produtos do estado no mês, com importações de soja que totalizaram US$ 3,40 milhões, respondendo por 25,2% das exportações do período.

No acumulado do ano, a soja permanece como o principal produto exportado pelo Acre, com receitas de US$ 15,86 milhões, equivalentes a 29,3% do total embarcado. Em seguida aparecem:

  • Carne bovina: US$ 14,23 milhões;
  • Castanha: US$ 12,50 milhões.
Tecnologia impulsiona produtividade da soja

Mesmo sem expansão significativa da área cultivada, a produção de soja cresceu graças aos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores rurais.

Entre os fatores que contribuíram para esse desempenho estão:

  • investimentos em tecnologia;
  • assistência técnica;
  • correção e manejo dos solos;
  • adubação;
  • condições climáticas favoráveis.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, a eficiência do produtor acreano permitiu elevar a produção, embora o setor continue enfrentando desafios.

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Ele destaca que a queda dos preços da soja contrasta com custos elevados de produção, especialmente em relação aos insumos, combustíveis e fretes, que possuem peso ainda maior devido às limitações logísticas do estado.

PIB per capita alcança maior valor da série histórica

Outro indicador que evidencia a evolução da economia acreana é o crescimento do PIB per capita.

O índice passou de R$ 17,6 mil, em 2018, para R$ 31,7 mil em 2023, tornando-se o maior já registrado no estado.

O indicador representa a riqueza produzida por habitante e demonstra o fortalecimento da atividade econômica e da geração de renda.

Segundo a economista Joquebede Oliveira, responsável pelo levantamento da Divisão de Estatísticas e Monitoramento de Indicadores da Seplan, o resultado reflete o avanço das políticas voltadas ao desenvolvimento econômico, à diversificação produtiva e à geração de empregos.

Agenda Acre 10 Anos orienta estratégia de desenvolvimento

Os resultados fazem parte do monitoramento da Agenda Acre 10 Anos, instrumento de planejamento estadual previsto na Constituição do Acre.

O programa estabelece metas de longo prazo para orientar investimentos públicos, acompanhar indicadores estratégicos e avaliar o desempenho das políticas governamentais.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Regional da Seplan, Marky Brito, o acompanhamento contínuo permite identificar avanços, corrigir estratégias e aperfeiçoar a gestão pública com base em indicadores técnicos.

Integração internacional amplia oportunidades comerciais

Uma das principais estratégias para fortalecer o comércio exterior acreano é a ampliação da integração econômica com países vizinhos.

Segundo o secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Márcio Agiolfi, o governo estadual intensificou ações voltadas à aproximação comercial com Peru e Bolívia, além da participação em missões empresariais, rodadas de negócios e feiras internacionais.

A iniciativa busca consolidar o Acre como corredor logístico entre o Brasil e o Oceano Pacífico, ampliando o acesso das empresas locais aos mercados internacionais.

Apesar dos avanços, o secretário ressalta que ainda existem desafios relacionados à infraestrutura, redução dos custos logísticos, consolidação de rotas comerciais e ampliação da escala produtiva.

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Pesquisa agropecuária fortalece produção rural

Parte importante desse crescimento econômico está associada aos investimentos em pesquisa e inovação no setor agropecuário.

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Acre contribuíram para elevar a produtividade da pecuária por meio de tecnologias como:

  • recuperação de pastagens degradadas;
  • plantio direto de pastagens;
  • zoneamento de risco para síndrome da morte do capim-braquiarão.

Com essas tecnologias, propriedades rurais passaram a suportar até três unidades animais por hectare, alcançando produção entre 12 e 15 arrobas de carne por hectare ao ano.

Além disso, o uso de sistemas integrados com gramíneas e leguminosas já foi implantado em mais de 90 mil hectares, proporcionando benefícios estimados em R$ 170 milhões anuais aos produtores acreanos.

Biodiversidade e agro fortalecem potencial exportador

Para o gerente de Assessoria Internacional do Sebrae, Vinicius Lages, o Acre reúne condições favoráveis para ampliar investimentos em alimentos, bioinsumos e biotecnologia.

Segundo ele, empresas locais vêm demonstrando capacidade de transformar a biodiversidade amazônica em produtos com maior valor agregado para os mercados nacional e internacional.

Durante o evento “Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia”, realizado em Rio Branco, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou o desempenho histórico do estado no comércio exterior e afirmou que o Acre vive seu melhor momento em exportações.

Agronegócio lidera crescimento econômico

Mesmo diante das oscilações do comércio internacional, o Acre mantém trajetória positiva graças ao desempenho da agropecuária, do extrativismo e das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção e da inserção internacional.

O avanço das exportações, aliado aos ganhos de produtividade e ao crescimento da renda por habitante, reforça o papel estratégico do agronegócio como um dos principais motores da economia acreana e amplia as perspectivas de expansão nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões

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O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.

Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.

A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.

A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.

A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.

Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.

A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.

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Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.

A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.

Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.

A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.

O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.

A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.

O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.

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As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.

No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.

Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.

Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.

O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.

Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.

Fonte: Pensar Agro

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