AGRONEGÓCIO
ABIC exporta conhecimento com apresentação do Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial de Cafés Torrados e uso de ferramentas tecnológicas de IA na análise do café na Specialty Coffee Expo (EUA)
Publicado em
11 de abril de 2024por
Da RedaçãoA Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) irá apresentar o Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial de Cafés Torrados na Specialty Coffee Expo, em Chicago, EUA, no dia 12 de abril, às 13h. Camila Arcanjo, Mestre em Análise Sensorial e Consultora de Qualidade da ABIC, será responsável por conduzir a palestra, cujo objetivo é exportar conhecimento sobre o tema e apresentar aos participantes as diferenças entre os estilos de cafés, as principais características de qualidade do produto após a torra e as preferências e entendimentos dos consumidores de todo o Brasil, atualmente segundo maior mercado consumidor do mundo.
Ademais, a pesquisadora irá abordar o histórico do Programa de Certificação da ABIC, pioneiro e utilizado como referência em mais de 60 países, e as atualizações que a instituição promoveu ao longo dos últimos anos, alinhando demandas da indústria às tecnologias de campo e processos com foco no consumidor.
A expectativa é que os ouvintes entendam o processo de construção e organização que a ABIC empregou para o desenvolvimento do Programa de Certificação de Cafés Torrados em um dos maiores mercados consumidores do mundo, o Brasil. E, ainda, como esse processo é conduzido e como a análise sensorial contribui para o seu sucesso.
“A ABIC criou um grupo técnico para entender melhor a demanda do consumidor, com base na ciência sensorial, na neurociência e nas tendências de mercado. O grande desafio do Protocolo é torná-lo mais acessível, porque é uma ferramenta de grande utilidade que se baseia em análise sensorial para controle de qualidade. Por esse motivo, o nosso foco é o consumidor, para que a gente possa comunicar o que ele precisa saber na hora da compra, para escolher o seu café preferido dentre os vários estilos existentes”, afirma Camila Arcanjo.
Inteligência Artificial e café
Uma das grandes novidades dessa nova metodologia de avaliação de café é o uso inovador da Inteligência Artificial para definir os estilos de café. Um aplicativo com algoritmo exclusivo e inédito é utilizado pelos avaliadores no momento de análise das bebidas. As notas e intensidades dos diferentes atributos são inseridas no aplicativo e, por meio da IA, é definido o estilo da bebida.
Com isso, a metodologia deixa ainda mais objetiva e assertiva a análise do café, evitando qualquer tipo de viés que a subjetividade dos avaliadores possa trazer à classificação da bebida.
ABIC aposta na autonomia do consumidor
No que diz respeito à avaliação e classificação do café torrado, é importante ressaltar o pioneirismo da ABIC, que sempre prezou pela segurança e qualidade da bebida. Através dos estilos estabelecidos pela Associação, o consumidor pode compreender e escolher se prefere uma bebida com mais ou menos acidez, doçura e amargor, dentre outros atributos. Dessa forma, é possível promover conhecimento e garantir a autonomia dos apreciadores no momento de decisão da compra, selecionando o estilo de bebida que melhor lhe agrada.
Durante a pesquisa, realizada em quatro capitais, com provas de café às cegas, foi possível perceber que o consumidor brasileiro conhece café e sabe reconhecer qual a bebida que mais lhe agrada.
A maioria dos consumidores não gostou, por exemplo, da bebida Fora de Tipo, aquela de pior qualidade, que a ABIC não certifica por não apresentar qualidade mínima e que precisa vir com essa denominação na embalagem.
Os consumidores mostraram que apreciam tanto os cafés canéforas (conilon ou robusta), quanto os arábicas e blends. Muitos têm preferência pela bebida que apresenta amargor de equilibrado a intenso, atualmente o estilo de café mais consumido em todo o país.
O estudo que será apresentado na feira também traz recomendações de como a indústria de torrefação e moagem de café deve comunicar os estilos de café em suas embalagens, pois, durante a pesquisa, o consumidor revelou os atributos e a linguagem que mais contribui na sua decisão de compra. O aroma, por exemplo, é o atributo que mais influencia na escolha do café segundo os apreciadores da bebida no Brasil.
Specialty Coffee Expo
A Speciality Coffee Expo acontece de 12 a 14 de abril, em Chicago. Organizada pela Speciality Coffee Association (SCA), a feira dá a oportunidade de torrefadores e varejistas exporem os seus produtos, interagirem com os tomadores de decisão do setor e aperfeiçoarem as suas carreiras profissionais, participando de inúmeras palestras e oportunidades de aprendizado prático.
Os profissionais de alimentos e bebidas, bem como os entusiastas do café de todas as origens, podem ver os produtos de café mais inovadores e avançados do setor, assistir às competições e aprender como integrar cafés especiais em seus planos de negócios existentes.
CDPC: A ABIC faz parte do Conselho Deliberativo da Política do Café (Decreto Nº 10.071), do Ministério da Agricultura e Pecuária – Mapa, como representante da iniciativa privada, assim como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, Conselho Nacional do Café – CNC, Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel – ABICS e Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – Cecafé.
Fonte: Consórcio Pesquisa Café
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Bioeconomia pode gerar nova fonte de renda no agro e transformar o valor do hectare produtivo
Published
29 minutos agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
O agronegócio brasileiro construiu sua posição de destaque global apoiado em sucessivos ganhos de produtividade. Avanços em genética, mecanização, agricultura de precisão, integração de sistemas produtivos e inovação tecnológica permitiram que o Brasil se consolidasse entre os maiores produtores de alimentos, fibras e bioenergia do mundo.
No entanto, segundo análise de Giovana Araújo, sócia-líder para o setor de Agronegócio da KPMG, o setor vive uma nova fase de transformação, na qual a competitividade não será determinada apenas pela produção agrícola, mas também pela capacidade de gerar valor a partir de ativos ambientais e práticas sustentáveis.
De acordo com a especialista, a bioeconomia surge como uma importante oportunidade para agregar novas fontes de receita às propriedades rurais, ampliando o potencial econômico do território produtivo.
Margens pressionadas ampliam debate sobre novas fontes de valor
Na avaliação de Giovana Araújo, o ponto de partida dessa discussão é econômico. Em diversas regiões agrícolas do país, especialmente em importantes polos produtores de grãos, as margens operacionais têm sido pressionadas pelo aumento dos custos e pela volatilidade dos mercados.
Segundo a análise, em determinados sistemas produtivos o déficit de rentabilidade pode superar R$ 1 mil por hectare, dependendo da cultura, da região e da estrutura de custos da propriedade.
Nesse contexto, o desafio deixa de ser exclusivamente aumentar a produtividade e passa a incluir a geração de novas camadas de valor associadas ao uso sustentável dos recursos naturais.
Agricultura regenerativa ganha espaço no campo brasileiro
Um dos pilares dessa nova economia rural é a agricultura regenerativa. Conforme destaca Giovana Araújo, o conceito não está necessariamente relacionado à recuperação de áreas degradadas, mas à adoção de práticas que promovam a melhoria contínua da qualidade biológica do solo, a retenção de água, a resiliência climática e a eficiência produtiva.
Entre as práticas mais associadas a esse modelo estão:
- Plantio direto;
- Rotação de culturas;
- Uso de plantas de cobertura;
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF);
- Controle biológico de pragas.
Segundo a executiva da KPMG, essas iniciativas funcionam como uma espécie de infraestrutura biológica da propriedade, fortalecendo a estabilidade produtiva e contribuindo para ganhos de eficiência ao longo do tempo.
Pesquisa revela ampla adoção das práticas regenerativas
A análise cita levantamento realizado pela Agrosmart em parceria com CNH, ABAG e 4Lab, envolvendo produtores de 519 municípios distribuídos em 19 estados brasileiros.
Os dados demonstram que muitas práticas regenerativas já fazem parte da rotina das propriedades rurais:
- 78,9% utilizam plantio direto;
- 75,3% adotam plantas de cobertura;
- 66,4% realizam rotação de culturas;
- 59,2% utilizam controle biológico.
Apesar disso, 52,1% dos produtores afirmam não conhecer formalmente o conceito de agricultura regenerativa.
Entre os benefícios observados pelos entrevistados estão:
- Melhoria da fertilidade do solo (70,8%);
- Maior resiliência climática (58,3%);
- Redução dos custos operacionais (51,5%).
Ainda assim, o estudo mostra que 79,2% dos produtores nunca receberam incentivos financeiros vinculados à adoção dessas práticas.
Carbono pode representar nova camada de receita
Segundo Giovana Araújo, a agricultura regenerativa também cria condições para o desenvolvimento de projetos ligados ao mercado de carbono.
Ao favorecer o aumento do estoque de carbono no solo e reduzir a intensidade das emissões agrícolas, essas práticas podem gerar ativos ambientais passíveis de valorização econômica.
A especialista ressalta que o mercado ainda passa por um processo de amadurecimento, com diferenças entre metodologias, certificações e modelos de remuneração. Mesmo assim, projetos estruturados já demonstram potencial para gerar receitas complementares aos produtores rurais.
Áreas preservadas passam a ser vistas como ativos econômicos
Outro ponto destacado na análise é o potencial econômico das áreas preservadas existentes nas propriedades rurais brasileiras.
Atualmente, o Brasil possui aproximadamente 280 milhões de hectares preservados em áreas privadas, incluindo reservas legais e áreas de preservação permanente registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Para Giovana Araújo, esses territórios deixam gradualmente de ser vistos apenas como exigências regulatórias e passam a integrar uma nova categoria de ativos ambientais.
Mecanismos como pagamentos por serviços ambientais, conservação hídrica, proteção da biodiversidade e programas de integridade territorial começam a criar oportunidades para monetizar atributos ambientais que historicamente não eram remunerados.
Sustentabilidade pode reduzir custos financeiros
A análise também destaca uma dimensão financeira relevante da bioeconomia.
Propriedades que adotam práticas regenerativas, reduzem emissões e fortalecem sua governança ambiental tendem a apresentar menor percepção de risco perante investidores e instituições financeiras.
Isso pode facilitar o acesso ao crédito e contribuir para a obtenção de condições mais favoráveis de financiamento.
Em operações agrícolas de grande escala, reduções relativamente pequenas no custo do capital podem representar economias significativas por hectare ao longo do ano.
Tecnologia será fundamental para consolidar a bioeconomia
De acordo com Giovana Araújo, o principal desafio para transformar atributos ambientais em ativos econômicos está na criação de mecanismos confiáveis de mensuração e validação.
Nesse processo, tecnologias como monitoramento via satélite, inteligência artificial, rastreabilidade digital e sistemas auditáveis terão papel central na consolidação dos mercados ambientais.
A construção dessa infraestrutura será determinante para ampliar a liquidez, a transparência e a credibilidade das iniciativas ligadas à bioeconomia.
O futuro do agro vai além da produtividade
Na avaliação da sócia-líder para o setor de Agronegócio da KPMG, a principal mudança em curso no campo brasileiro é a ampliação do conceito de valor dentro das propriedades rurais.
Se nas últimas décadas a competitividade foi impulsionada principalmente pelo aumento da produtividade, o próximo ciclo deverá incorporar elementos como regeneração ambiental, conservação, captura de carbono, mitigação de riscos e geração de serviços ecossistêmicos.
Para Giovana Araújo, a bioeconomia representa uma mudança estrutural no agronegócio brasileiro, impulsionada pelas exigências dos mercados globais, pela evolução regulatória e pelo interesse crescente do capital financeiro em ativos sustentáveis.
Nesse cenário, o valor do hectare deixa de ser medido apenas pela sua capacidade produtiva e passa a incluir também sua capacidade de regenerar, preservar e gerar novas oportunidades econômicas para o produtor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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