AGRONEGÓCIO
Abertura dos JECs 2026 reúne milhares de pessoas em noite de celebração, emoção e incentivo ao esporte em Cuiabá
Publicado em
24 de maio de 2026por
Da Redação
Com clima de celebração, arquibancadas lotadas e emoção compartilhada entre atletas, familiares e professores, a abertura da 49ª edição dos Jogos Estudantis Cuiabanos (JECs) reuniu cerca de 3,5 mil pessoas no Ginásio Verdinho, em Cuiabá, na noite deste sábado. A cerimônia marcou oficialmente o início da competição estudantil e transformou o espaço em um ambiente de integração, expectativa e incentivo ao esporte entre crianças e adolescentes.
O evento contou com desfile das delegações escolares, entrada das bandeiras, execução do Hino de Cuiabá pela banda do Corpo de Bombeiros, acendimento da tocha olímpica e apresentações culturais que envolveram o público. As meninas do Centro de Treinamento de Ginástica Artística (CTGA) também arrancaram aplausos com uma apresentação marcada por técnica e sincronia. Outro momento bastante celebrado da noite foi a apresentação do grupo de Siriri São Gonçalo Beira Rio, que encerrou a solenidade levando atletas, pais e autoridades ao centro da quadra em um clima de dança, integração e confraternização.
A cerimônia também prestou homenagem ao ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, reconhecido como um dos maiores nomes da história do esporte brasileiro. Durante o tributo, o cerimonial destacou a trajetória do atleta e sua contribuição para o esporte mundial, lembrando os mais de 49 mil pontos marcados em competições oficiais e a inspiração deixada para novas gerações.
Na abertura oficial dos jogos, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, enfatizou o papel do esporte na formação pessoal dos estudantes e incentivou os jovens atletas a encararem a competição com dedicação, disciplina e espírito de superação. Em seu discurso, ele defendeu que os jogos estudantis devem contribuir para o desenvolvimento da resiliência e da responsabilidade entre os participantes.
O prefeito também anunciou que a edição de 2027, que marcará os 50 anos dos Jogos Estudantis Cuiabanos, terá premiação financeira para as escolas mais bem colocadas, como forma de estimular o desempenho esportivo e fortalecer a competição entre as instituições de ensino. “O JECs deste ano é uma preparação para a histórica edição de 50 anos, em 2027, quando teremos premiação de R$ 50 mil para a escola campeã, R$ 25 mil para a vice e R$ 10 mil para o terceiro lugar”, anunciou Brunini.
Já o secretário municipal de Esporte e Lazer, Jefferson Neves, destacou o crescimento do evento ao longo dos últimos anos e celebrou o aumento no número de participantes. “Fico muito feliz com a grandeza que os Jogos Estudantis Cuiabanos alcançaram. Quando assumimos a gestão, a edição anterior tinha pouco mais de 1.200 atletas e hoje celebramos a marca de 2.600 competidores. Isso representa oportunidades e transformação através do esporte”, afirmou.
Jefferson Neves também agradeceu o envolvimento de treinadores, escolas, servidores da Secretaria de Esporte e da Federação de Esporte Escolar, além de ressaltar que a gestão municipal pretende ampliar ainda mais o alcance da competição nos próximos anos.
O secretário adjunto de Esporte e Lazer, Pablo Queiroz, atribuiu o recorde de inscrições à simplificação do processo de cadastramento e à ampliação das escolinhas esportivas descentralizadas em diferentes regiões da capital. Segundo ele, o principal objetivo é aproximar os jovens da prática esportiva e promover experiências positivas dentro e fora das quadras.
Entre os estudantes, a abertura foi marcada por ansiedade, entusiasmo e sonhos de conquista. O judoca João Lucas Mateus de Oliveira, de 11 anos, único representante de sua escola na modalidade, afirmou que encara os jogos como o início de sua trajetória esportiva. Já o atleta Kaique Fernandes Alves, da Escola Dom Pedro II, destacou que o objetivo da equipe é “dar o máximo” em busca do título.
No vôlei, o estudante Nilson Mateus definiu a participação como uma experiência transformadora. “O esporte melhora a mente e o bem-estar dos jovens”, afirmou. A karateca Sophia Santos da Silva também demonstrou confiança e disse estar focada em alcançar o pódio na competição.
A emoção também tomou conta das famílias presentes no Ginásio Verdinho. Pais acompanharam de perto o desfile das delegações, registraram fotos com os filhos e celebraram o ambiente de integração proporcionado pelos jogos. Para Paula Freitas, mãe de um dos atletas do basquete, o esporte exerce papel fundamental no desenvolvimento dos adolescentes. “Além da saúde, o esporte ajuda na formação como pessoa, melhora a ansiedade e mantém os jovens longe de caminhos errados”, afirmou.
Professores e dirigentes escolares também destacaram o papel dos JECs como incentivo à prática esportiva e à inclusão dos estudantes. Para muitas equipes, a edição deste ano representa não apenas a busca por medalhas, mas também a oportunidade de fortalecer o espírito coletivo, ampliar experiências e incentivar hábitos saudáveis entre os jovens.
A 49ª edição dos Jogos Estudantis Cuiabanos segue agora com as disputas nas modalidades esportivas previstas pela organização a partir da próxima terça-feira (26).
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
14 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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