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Abelhas: boas professoras, boas alunas

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Um estudo publicado na revista Nature (bit.ly/3VxHDFU) demonstrou que as abelhas dispõem de um nível de sofisticação cognitiva excepcional. Os autores, liderados pela profa. Alice Bridge, da Queen Mary University (Londres) observaram que as abelhas aprendem tarefas complexas, compostas por várias etapas sucessivas, através da interação social, mesmo que não consigam decifrá-las sozinhas.

Isto desafia a crença de longa data de que tal aprendizagem social avançada é exclusiva dos humanos, e até sugere a presença de elementos-chave da cultura e de domínio de informações de forma cumulativa, pelas abelhas.

Para realizar o experimento, a equipe de pesquisa projetou uma caixa contendo um quebra-cabeça, composto de duas etapas subsequentes. Para solucionar o desafio, é necessário que as abelhas executem duas ações distintas, em sequência, para acessar uma recompensa (um composto adocicado). No início, para facilitar o aprendizado, as abelhas receberam uma recompensa intermediária, quando cumpriam a primeira etapa. Ela foi retirada quando as abelhas aprenderam a abrir a caixa inteira, de maneira que a recompensa somente era recebida depois de cumprida a missão. Essas abelhas, treinadas pela equipe, se tornaram “professoras”.

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Essa etapa já revelou fatos muito interessantes sobre o aprendizado das abelhas. Mas o melhor ainda estava por vir.

Abelhas alunas

Se as abelhas começavam do zero, sem conhecimento anterior, as tentativas resultavam infrutíferas. Mas, quando as abelhas observavam uma colega “professora”, já treinada na solução do quebra-cabeça, aprenderam toda a sequência com muita rapidez, e só receberam uma recompensa no final, ou seja, não houve necessidade de recompensa intermediária. Excelentes alunas!

O estudo demonstra que as abelhas possuem um nível de aprendizagem social que parecia exclusivo dos humanos e alguns poucos animais superiores. Eles podem partilhar e adquirir comportamentos que estão além das suas capacidades cognitivas individuais.

Além da aprendizagem individual, esta pesquisa abre possibilidades interessantes para a compreensão do surgimento da cultura cumulativa no reino animal. Estamos falando do acúmulo gradual de conhecimentos e habilidades ao longo de gerações, permitindo o desenvolvimento de comportamentos cada vez mais complexos. A capacidade das abelhas de aprender uma tarefa tão complexa a partir de um demonstrador sugere um caminho potencial para a transmissão cultural e a inovação, para além das suas capacidades de aprendizagem individuais.

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Isso levanta a fascinante possibilidade de que muitas das realizações mais notáveis dos insetos sociais, como as arquiteturas de nidificação de abelhas e vespas ou os hábitos de formigas que cultivam pulgões e fungos, podem ter se espalhado inicialmente pela imitação de indivíduos inovadores, inteligentes, antes de finalmente se tornarem parte dos repertórios de comportamento específicos da espécie.

Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, membro do Conselho Científico Agro Sustentável, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e do Conselho Científico da A.B.E.L.H.A.

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

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A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

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Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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