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Abelhas agricultoras

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A oportunidade para você participar está aqui: incentivar os colégios de ensino fundamental, em todo o Brasil, a utilizar, em suas atividades, a cartilha “Abelhas agricultoras”, como forma de educação ambiental dos seus alunos. Como participar? Comunicando-se com a escola de seus filhos, netos, sobrinhos. Ou, então, com a secretaria de educação de seu município.

A cartilha foi elaborada por quatro estudantes da Universidade Federal do Paraná. Ela é parte do projeto “Serviços Ecossistêmicos para uma Agricultura Resiliente e Sustentável”, desenvolvido na região de produção agrícola da Bacia do Rio Miringuava, em São José dos Pinhais-PR. Mas pode ser utilizada em qualquer localidade do Brasil, porque seus conceitos e ensinamentos são universais. Seu objetivo é apoiar o ensino de Ecologia nas salas de aula, mas é útil para qualquer pessoa, de qualquer idade, interessada em saber mais sobre as ajudantes da produção de alimentos.

A cartilha pode ser obtida e impressa em bit.ly/40N5lif ou direto em https://polinizacaosustentavel.files.wordpress.com/2023/11/bonet-et-al-2023-abelhas-agriculturas.pdf.

Conteúdo

A cartilha foi elaborada em linguagem adequada, simples, direta e didática. Divide-se em quatro capítulos, com subcapítulos específicos. Eles são compostos de uma introdução, onde são apresentados os conceitos básicos. A próxima seção é denominada “Para treinar”. Seu objetivo é promover uma reflexão sobre os conceitos apresentados. Com um formato lúdico e atrativo, esse exercício permite consolidar o aprendizado, motivando o estudante a incorporar em seus valores o conhecimento adquirido sobre as relações do ambiente com o nosso dia-a-dia.

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O primeiro capítulo é “Biologia Floral e Reprodutiva”. Ele explana a importância das plantas para a sociedade. Explica em pormenores a reprodução vegetal, um ciclo que envolve flores, sementes e frutos, os quais são utilizados como alimentos. É nesse contexto que é apresentado ao leitor o serviço ecossistêmico de polinização e a importância dos polinizadores. Interações ecológicas é o segundo capítulo, que aborda as redes de interações, a ecologia das paisagens.

A utilidade das abelhas

Agricultura e Polinização é um dos capítulos, onde é apresentada a relação entre polinização, produção agrícola e qualidade dos alimentos. O último capítulo é denominado “Explorando o mundo da polinização”. É um capítulo diferente, na realidade seu objetivo é elencar as fontes consultadas pelos autores, para a elaboração da cartilha. Porém, ele faz parte do conjunto de atividades, pois possibilita ao leitor continuar as leituras, aprofundar e consolidar o aprendizado fora do ambiente escolar, em seu lar ou com seus amigos, de maneira a formar sua própria opinião, indo além do texto contido na cartilha. Todos os textos referenciados neste capítulo contêm um hiperlink, que permite que o leitor os acesse por um único clique.

Ao final, os autores incluíram um gabarito das atividades, para facilitar as correções e comentários adicionais.

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Por um futuro melhor

Essa cartilha possui incontestável mérito do ponto de vista de educação ambiental e do entendimento das relações umbilicais entre agricultura e ambiente.

Por esse motivo, engenheiros agrônomos de todo o Brasil, de forma individual ou por meio de suas instituições, estão se empenhando para que a cartilha seja incorporada às atividades de educação ambiental. Utilizando a polinização e os polinizadores como tema de estudo, vislumbramos que uma vez motivados, os estudantes podem se interessar por entender a importância dos serviços ecossistêmicos. Não apenas para a produção agrícola, mas para o conjunto de atividades humanas, que tornam possível a vida no planeta Terra como a conhecemos.

Mas esta é uma bandeira que vai além dos profissionais de Agronomia. Conclamamos cada cidadão brasileiro a participar dessa campanha. Incentivar os colégios de ensino fundamental a utilizar a cartilha “Abelhas agricultoras” para suas atividades pedagógicas, contribuirá para oferecer uma oportunidade única para que as gerações futuras entendam a importância dos serviços ecossistêmicos, e do meio ambiente saudável, para o bem-estar da Humanidade.

Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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