AGRONEGÓCIO
A soja em nosso dia-a-dia
Publicado em
29 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoA versatilidade da composição química da soja permite uma grande variedade de usos. Seu perfil de aminoácidos é ideal para a formulação de rações, enquanto seu óleo tem uma gama surpreendente de aplicações.
Nas últimas duas décadas, a soja tornou-se uma alternativa atraente para substituir matérias-primas derivadas do petróleo, em uma ampla gama de produtos. Borrachas, fibras, plásticos, revestimentos, solventes, lubrificantes, adesivos e milhares de produtos de consumo utilizam a soja como ingrediente. E a demanda vai aumentar muito, com o avanço da Química Verde, que busca sucedâneos do petróleo para fornecer matéria prima às indústrias químicas.
Insumo industrial
A preferência crescente dos consumidores por matérias-primas renováveis e sustentáveis é um ponto favorável à soja. Nos últimos anos, a soja tem se mostrado mais barata que os insumos petroquímicos. Conduzida em sistemas de produção sustentáveis, a soja apresenta emissões de gases de efeito estufa (GEE) inferiores ao petróleo, permitindo às empresas atingir mais facilmente suas metas de sustentabilidade. O fato de fixar seu próprio nitrogênio da atmosfera, eliminando o uso de fertilizantes nitrogenados – cujo processo é altamente emissor de GEE – é um dos pontos positivos. Estudos demonstram a possibilidade de expandir a produção de soja, para atender usos não alimentares em bases sustentáveis, especialmente pelo incremento da produtividade (cesbrasil.org).
A soja é transformada em insumos industriais utilizando processos como epoxidação, alcoólise, transesterificação, acidulação, esterificação direta, metátese, isomerização, modificação de monômeros e polimerização. Por meio deles podem ser obtidos ao menos seis insumos industriais básicos: a) triglicerídeos; b) ésteres de ácidos graxos; c) epóxidos de óleo de soja (ESBO); d) epóxidos de ésteres de ácidos graxos (SEM); e) glicerina; f) aminoácidos.
Os ácidos graxos do óleo de soja podem ser derivados em novas estruturas para fazer muitos tipos de revestimentos, incluindo resinas, látex modificado, diluentes reativos, aditivos funcionais, diácidos, dióis e dispersões de poliuretano.
Química verde
Inovações tecnológicas facilitam o ingresso da soja no mercado de química verde. A soja com alto teor de ácido oleico resulta em óleo que permanece estável em altas temperaturas, fator essencial para combustíveis e lubrificantes automotivos.
Os resultados desses esforços podem ser vistos em uma explosão de novas e inovadoras aplicações de soja. Quatro categorias principais dominam o mercado de usos não alimentícios hoje — revestimentos, adesivos, tintas e fibras. São inúmeros os produtos já disponíveis no mercado, que usam soja como insumo, com destaque para alguns deles, como o revestimento supressor de poeira (EPIC E) que é muito útil para revestir estradas de cascalho, reduzindo a poeira. Além de evitar que as partículas de poeira poluam o ar, estabiliza o piso das estradas de cascalho, reduzindo a necessidade de manutenção.
Os adesivos de soja reduzem a liberação de compostos orgânicos voláteis (COVs), como o formaldeído – um produto cancerígeno – e de um agente aglutinante usado no isolamento em construções. Existem inúmeros ligantes à base de soja. Um estudo da Iowa State University, financiado pela Iowa Soybean Association, resultou em asfalto à base de soja. O produto combina pavimento asfáltico 100% reciclado, misturado com um polímero derivado da soja, aumentando a durabilidade e a longevidade e reduzindo os custos de manutenção.
Por falar em rodovias, em 2021 a Goodyear passou a produzir pneus com óleo de soja. Seu objetivo declarado é eliminar a dependência de petróleo até 2040, um bom indicador para a demanda futura de soja. Usando a mesma tecnologia, os tênis de corrida Skechers são produzidos com óleo de soja.
Em outra linha, oligômeros produzidos com óleo de soja não contém bisfenol, uma substância associada a diversos problemas de saúde. A tecnologia é facilmente escalável em fábricas existentes e está pronta para comercialização. Proporciona excelente vida útil quando misturado com resinas e reticulantes de amina e é facilmente formulado com solventes e reticulantes para substratos metálicos.
Rampa de lançamento
Diversos usos não alimentares da soja estão sendo desenvolvidos. O uso da soja aumenta o bioconteúdo das formulações epóxi, substituindo solventes fósseis. Um projeto financiado pelo United Soybean Board desenvolve um produto para melhorar a resistência de epóxis ao impacto. Uma formulação de poliuretano à base de soja permite produzir vernizes e acrílicos, para acabamentos de madeira para interiores/exteriores, com resistência à umidade, chuvas e baixa emissão de COVs, a um custo mais baixo.
Um processo contínuo, já patenteado, sintetiza uma resina composta de farinha de soja, óleo de soja epoxidado e um polímero transportador e reduz os tempos de reação em lote convencionais de várias horas para alguns minutos. Um poliol de policarbonato de óleo de soja incorpora CO2 para revestimentos de poliuretano. Uma tecnologia alquídica produz revestimentos e corantes de madeira com baixas emissões de VOCs.
Existem centenas de outros exemplos de produtos não alimentares derivados de soja. Esses usos, além da ampliação das rações para o segmento de aquicultura, seguramente sustentarão e ampliarão a demanda da oleaginosa nos próximos anos. Uma oportunidade de ouro para o Brasil, se permanentemente comprovarmos ao mercado a sustentabilidade dos nossos sistemas de produção.
Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, membro do Conselho Agro Sustentável, do Comitê Estratégico Soja Brasil e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica
Fonte: CCAS
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Published
12 horas agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
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