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Temporada de entrevistas do MPMT estreia na 58ª Expoagro

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O estúdio do projeto Diálogos com a Sociedade abriu as portas na 58ª Expoagro, transformando o Parque de Exposições Senador Jonas Pinheiro, em Cuiabá, em um espaço de conversa sobre a atuação do Ministério Público de Mato Grosso. A nova temporada de entrevistas começou nesta segunda-feira (13) e segue até sexta-feira (17), sempre a partir das 18h, com transmissão ao vivo pelo SBT Cuiabá e pelo canal do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) no YouTube.No programa de estreia, a subprocuradora-geral de Justiça Administrativa e coordenadora do projeto, Januária Dorilêo, e o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, falaram sobre o “Espaço MP Por Elas – Acolhimento e autonomia para mulheres” e “A nova face da vulnerabilidade infantojuvenil”, respectivamente.Januária Dorilêo destacou que a iniciativa do Espaço MP Por Elas nasceu da percepção de que a atuação jurídica, por si só, muitas vezes não é suficiente para romper o ciclo da violência doméstica. “Muitas das situações e das lides diárias nos revelaram que um dos fatores que fazem a mulher permanecer e se expor a uma situação de risco é a falta da independência e da autonomia financeira”, afirmou.Segundo ela, o Ministério Público buscou parcerias com instituições como Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-MT) para oferecer cursos profissionalizantes rápidos voltados a mulheres em situação de vulnerabilidade social ou vítimas de violência. O objetivo é proporcionar qualificação e geração de renda em curto prazo, ampliando as possibilidades de independência financeira para que elas saiam do ciclo da violência. A coordenadora do projeto ressaltou, ainda, que a autonomia financeira é apenas uma das frentes da iniciativa. Segundo ela, o principal objetivo é promover o fortalecimento da autoestima e a recuperação emocional das participantes, muitas delas marcadas por experiências de violência psicológica. “Muitas dessas mulheres chegam às oficinas com profundas cicatrizes da violência psicológica. No Espaço MP Por Elas, elas encontram acolhimento, uma rede de apoio e percebem que não estão sozinhas, pois outras mulheres já passaram por situações semelhantes e conseguiram romper esse ciclo”, destacou.Januária Dorilêo também explicou que, o Espaço MP Por Elas funcionará no Shopping Três Américas até o dia 31 de julho, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h. E que ainda há vagas disponíveis para as oficinas, que são gratuitas. “Convidamos as mulheres a se inscreverem. São cursos em diversas áreas, como manicure, design de sobrancelhas, marketing digital e educação financeira. É uma gama de oportunidades pensadas para que elas possam conquistar, de forma rápida e efetiva, a tão sonhada autonomia financeira”, apontou. No local também segue a campanha Cabide Solidário, que arrecada roupas destinadas a mulheres vítimas de violência doméstica.A entrevistada também falou sobre as ações de acolhimento e conscientização desenvolvidas pelo MPMT na 58ª Expoagro. Entre elas, a exposição do Memorial Observatório Caliandra, composta por fotografias de vítimas de feminicídio espalhadas por todo o parque, além do atendimento da equipe da Ouvidoria das Mulheres, que ocorre até sexta-feira (17), das 17h às 19h. Por fim, a subprocuradora reforçou que a atuação do Ministério Público vai além dos processos judiciais e passa pela promoção dos direitos sociais e da igualdade de gênero. “Precisamos sair dos nossos gabinetes para buscar mais resolutividade social e reafirmar o papel constitucional do Ministério Público na promoção de políticas públicas eficazes”, disse. E convidou a população cuiabana a visitar o estande do MPMT. “Convido todas as mulheres a visitarem o espaço do Ministério Público na Expoagro. Faço também um convite especial aos homens, porque essa não é uma pauta exclusivamente feminina. Precisamos do engajamento de toda a sociedade para enfrentar a violência contra a mulher. Essa luta é de todos nós”, finalizou Januária Dorilêo. Proteção integral – Na sequência, o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado abordou os impactos da vulnerabilidade infantojuvenil e os desafios impostos pela era digital. Ele iniciou defendendo que efetivação dos direitos previstos no artigo 227 da Constituição Federal continua sendo o principal caminho para a prevenção das diversas formas de violência. “Se a proteção integral de crianças e adolescentes fosse tratada, de fato, como prioridade pela família, pela sociedade e pelo poder público, não estaríamos convivendo com números tão preocupantes, que colocam mulheres, crianças e adolescentes em situação permanente de risco”, argumentou.O procurador de Justiça alertou para os índices alarmantes registrados no estado, especialmente nos casos de feminicídio e de violência contra crianças e adolescentes. “Mato Grosso, pelo segundo ano consecutivo, é o estado que mais mata mulheres. E Sorriso apresenta o maior índice proporcional de violência contra crianças e adolescentes em nível nacional”, destacou.Outro ponto abordado durante a entrevista foi o papel das redes sociais na formação de crianças e adolescentes. Segundo o entrevistado, as redes sociais podem estimular comportamentos relacionados à busca excessiva por validação, discursos de ódio e processos de exclusão social, exigindo atenção permanente das famílias, escolas e instituições.Assim, o procurador defendeu que o acesso às plataformas deve ser acompanhado de orientação, educação e supervisão familiar. “Não existe mais a lógica de simplesmente permitir ou proibir. Tem que haver educação para o acesso, cultura para o acesso e responsabilidade para o acesso”, observou. Paulo Prado ainda consignou que o ECA Digital surge justamente para reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. E defendeu que essa discussão precisa chegar às famílias, às escolas e à sociedade, porque educar para o uso responsável das redes sociais é uma responsabilidade de todos. “As redes sociais fazem parte da vida de crianças e adolescentes, mas as plataformas precisam de regulamentação e de mecanismos mais eficazes de controle. Aos pais e responsáveis, faço um alerta: não transfiram para o ambiente digital a responsabilidade de educar”, enfatizou. Para encerrar, Paulo Prado reforçou o apelo aos pais e responsáveis para que acompanhem o universo digital dos filhos e mantenham o diálogo aberto. “Conversem com os seus filhos, mas antes procurem conhecer o que está acontecendo nas redes sociais. O diálogo precisa ser construído com conteúdo, credibilidade e confiança”, concluiu.Assista aqui à entrevista na íntegra:

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Travessia Pantaneira inicia escuta social na comunidade do Chumbo

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“A gente queria uma resposta para ontem, porque já tem seis meses que estamos nessa demanda.” A cobrança do chefe distrital Odilei Souza Ponce pela reforma da escola da comunidade marcou o primeiro dia da segunda etapa da Travessia Pantaneira, realizada nesta terça-feira (15), no Distrito de Nossa Senhora Aparecida do Chumbo, em Poconé (a 100 km de Cuiabá). Durante a escuta social promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o líder comunitário apontou como principais necessidades das 253 famílias da localidade a melhoria da educação e o acesso à água potável de qualidade.A visita integra a programação da segunda etapa da Travessia Pantaneira, iniciativa desenvolvida pelo MPMT em parceria com a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, A Casa do Centro e a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de MT e MS (Aguapan). A proposta é ouvir diretamente moradores e lideranças locais sobre os principais desafios sociais e ambientais enfrentados pelas comunidades pantaneiras, fortalecendo a atuação institucional a partir de uma escuta social ativa e qualificada.Entre os dias 15 e 18 de julho, serão realizadas audiências públicas e visitas às comunidades do Chumbo, ao Pesqueiro do Beijão e ao Porto Jofre, além de agendas técnicas e institucionais em diferentes pontos do Pantanal. No primeiro dia da travessia, os moradores do Chumbo relataram dificuldades relacionadas à educação, abastecimento de água, saneamento básico, comunicação e infraestrutura.Ao apresentar as reivindicações da comunidade, Odilei Ponce destacou a demora no início das obras de reforma da escola local. Segundo ele, a demanda já foi levada à Prefeitura de Poconé e ao Governo do Estado, mas ainda não houve uma solução efetiva. O chefe distrital também relatou a preocupação dos moradores com a qualidade da água consumida pela população e com a ausência de caixas d’água para dezenas de famílias da região.Outra demanda apresentada durante a escuta foi a falta de sinal de telefonia móvel. Moradora da comunidade, Marilene de Oliveira Campos ressaltou que a limitação compromete o acesso a serviços essenciais. “O único meio de comunicação que temos é o wi-fi, através da internet privada, para quem tem condições de pagar, e ainda assim é um sinal de péssima qualidade”, relatou.Ela explicou que, em situações de emergência, os moradores precisam recorrer a familiares na cidade para acionar serviços como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. Marilene Campos defendeu a instalação de uma torre de telefonia móvel na região, o que também beneficiaria comunidades vizinhas.A professora e integrante da Associação das Comunidades Negras Quilombolas do Chumbo, Juziane Luisa de Lima Silva, destacou a necessidade de fortalecer a educação e garantir a valorização da identidade quilombola. “Se hoje eu tenho lugar de fala, é graças à minha ancestralidade e àqueles que me antecederam. Eu nunca falo apenas por mim, mas a partir da história dos que vieram antes de nós e lutaram para que hoje tivéssemos condições melhores de vida”, afirmou.Durante sua participação, a professora defendeu que a educação seja tratada como prioridade nas políticas públicas e observou que os indicadores educacionais refletem a falta de investimentos históricos no setor. Ela também chamou atenção para a importância de preservar a identidade quilombola e ampliar o reconhecimento das especificidades dessas comunidades. A procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza reforçou que a proposta da Travessia Pantaneira é aproximar o Ministério Público da realidade vivenciada pelas comunidades tradicionais do Pantanal e dar encaminhamento efetivo às demandas apresentadas. “Nós pudemos ouvir as demandas da comunidade e as suas dificuldades. Vamos catalogar todas essas informações para, na sequência, encaminhá-las aos promotores de Justiça responsáveis, que poderão adotar as providências necessárias”, destacou.Segundo a procuradora, a escuta realizada no Chumbo evidenciou necessidades urgentes relacionadas à infraestrutura escolar, à qualidade da água e ao fortalecimento da agricultura familiar. Ela citou a importância da reforma da única escola que atende a comunidade, as preocupações envolvendo possível contaminação da água e a necessidade de ampliar o apoio às famílias que vivem da produção rural. “Também identificamos a necessidade de criar condições para que as pessoas permaneçam no campo, sem que seus filhos precisem deixar a comunidade em busca de oportunidades nas cidades”, apontou.Conforme o promotor de Justiça Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Poconé, o município ocupa uma posição estratégica por ser uma das principais portas de entrada do Pantanal mato-grossense e, por isso, concentra desafios socioambientais que exigem atenção permanente dos órgãos públicos.Ao comentar as reivindicações apresentadas durante a escuta, o promotor informou que o Ministério Público já instaurou procedimento para apurar a situação da água proveniente dos poços tubulares que abastecem a comunidade e acompanhará o andamento da reforma da unidade escolar. Segundo ele, a instituição também fiscalizará o cumprimento dos prazos anunciados pelo poder público para a execução das melhorias.“A comunidade quilombola do Chumbo terá sua identidade resguardada, assim como os direitos das crianças, adolescentes e de todos os moradores, para que possam viver com dignidade, exercer atividades como o extrativismo e a agricultura e contar com água de qualidade e melhores condições de ensino e aprendizagem”, afirmou.Presente na visita, a vice-prefeita de Poconé, Camila Silva, ressaltou a importância da aproximação institucional promovida pela Travessia Pantaneira. “Nós queremos parabenizar o Ministério Público, que através da Travessia Pantaneira está indo in loco às comunidades para ouvir as demandas e ver de que forma pode nos ajudar”, afirmou. Sobre a reforma da escola, ela explicou que o município enfrenta entraves burocráticos para a execução da obra, mas informou que já existem recursos destinados tanto à reforma da unidade atual quanto à construção de uma nova escola no distrito.Também participam da comitiva os promotores de Justiça Henrique Schneider Neto, Joelson de Campos Maciel, Liane Amelia Chaves Mansano, Adalberto Ferreira de Souza Junior e Claudio Angelo Correa Gonzaga.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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