AGRONEGÓCIO

Pecuária reage a exigências da União Europeia e cobra autonomia sobre uso de medicamentos

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O setor agropecuário brasileiro vive um momento de tensão sem precedentes com a aproximação do dia 3 de setembro, data em que entra em vigor o embargo da União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil. A crise, motivada por alegações europeias de falhas no controle do uso de antimicrobianos nos rebanhos, colocou em rota de colisão dois pesos-pesados da economia nacional: a indústria frigorífica e os produtores rurais.

Enquanto a União Europeia mantém sua posição de exigir regras mais rígidas, o Brasil se vê encurralado entre o risco de perder mercados bilionários e a soberania sobre suas próprias práticas de produção. O impasse gerou um movimento atípico nos corredores do poder: a cúpula da JBS, incluindo o empresário Joesley Batista e o CEO global Gilberto Tomazoni, buscou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pessoalmente para pressionar pela proibição imediata de um rol mais amplo de antimicrobianos no país, antes mesmo que entidades como a Abiec e a ABPA formalizassem o pedido.

A indústria argumenta que a proibição nacional é a única via para salvar as exportações. Em contrapartida, uma coalizão de peso — que reúne entidades como Acrimat, Famato, SRB, Assocon e ABCZ — defende que as exigências do bloco europeu devem ser restritas apenas aos animais destinados à exportação, por meio de um sistema de segregação, e não transformadas em uma lei geral para toda a pecuária nacional.

Soberania técnica em jogo

Uma ampla frente de entidades representativas da pecuária brasileira decidiu enfrentar a pressão pela mudança nas regras de uso de medicamentos veterinários no país. Com a data limite se aproximando, os produtores se uniram para dizer “não” à imposição de normas estrangeiras como regra geral para toda a produção nacional.

Em uma nota técnica conjunta, o setor deixou claro: o Brasil tem um sistema de controle sanitário robusto e as exigências comerciais de um mercado específico não devem ser transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira.

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Para os produtores, a solução não é mudar a lei brasileira para agradar aos europeus, mas sim criar um sistema de “segregação”. Em termos simples: quem quiser vender para a Europa que siga as regras exigidas pelo comprador, mas quem vende para outros mercados ou para o consumidor interno deve manter as práticas atuais, que garantem eficiência, saúde animal e desempenho do rebanho sem aumentar custos ou burocracia desnecessária.

“As entidades consideram inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”, diz o manifesto. Segundo os produtores, ceder a essas pressões cria um precedente perigoso, permitindo que interesses políticos ou comerciais de fora definam as leis nacionais.

Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), alerta que a submissão cega a normas externas pode ser um caminho sem volta para a competitividade do campo.

“Precisamos evitar uma ‘colonização regulatória’, onde normas criadas fora de nossa realidade técnica ditem o ritmo da nossa pecuária. O uso responsável de antimicrobianos não é apenas uma questão de sanidade, mas de eficiência produtiva e soberania científica”, afirma Rezende.

“Se banirmos tecnologias reconhecidas pelo Codex Alimentarius sem uma justificativa sanitária própria, estaremos sacrificando a nossa competitividade global no altar da burocracia externa, abrindo precedentes perigosos para que futuras exigências, de qualquer natureza, ditem as políticas nacionais”, completou.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura, tem sido alvo de críticas tanto da indústria, que exige mais rigidez, quanto dos produtores, que temem o aumento de custos e a burocratização excessiva para o mercado interno. A ideia do governo de implementar um protocolo de rastreabilidade do nascimento ao abate foi rejeitada pelos europeus, o que forçou o debate sobre a “segregação da produção” — ou seja, ter uma “linha de frente” que atenda aos critérios europeus e uma “linha doméstica” que siga os critérios brasileiros, hoje considerados um dos mais rigorosos do mundo.

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No entanto, o receio do setor produtivo é que essa concessão abra a porta para que outros países importadores imponham suas próprias agendas, engessando a pecuária nacional. Em nota conjunta, as entidades foram claras: “Consideramos inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”.

Com a data limite se aproximando, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade comercial de manter o acesso ao mercado europeu com o desejo de manter a autonomia sobre suas políticas sanitárias. O desfecho dessa disputa definirá não apenas o futuro das exportações de carne, mas o nível de influência que interesses externos terão sobre o desenho da pecuária brasileira nos próximos anos.

Quem assina a manifestação: Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat); Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato); Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul); Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron); União Nacional da Pecuária (Unapec); Sociedade Rural Brasileira (SRB); Associação Nacional dos Confinadores (Assocon); Associação dos Criadores do Pará (Acripará); Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg); Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB); Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT); Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB) e Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS).

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

CCI Aidee Pereira e João Guerreiro reúnem mais de 200 participantes em dia de integração

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, promoveu nesta sexta-feira (10) a primeira edição do Conexão de Gerações: Encontro Intergeracional do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). A ação foi realizada nos Centros de Convivência do Idoso (CCI) Aidee Pereira do Nascimento e João Guerreiro, reunindo 94 idosos e 108 crianças atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) Planalto, Doutor Fábio, Getúlio Vargas, Tijucal, Nova Esperança, Osmar Cabral e Pedra 90.

Logo nas primeiras atividades no CCI Aidee Pereira, idosos e crianças emocionaram o público ao cantar juntos a tradicional cantiga “Bolo de arroz, água de cheiro, todo tempero tem o cheiro da vovó”, resgatando memórias afetivas e valorizando a cultura popular. Ao longo do dia, os participantes também se envolveram em gincanas, jogos de mesa, atividades físicas, dança e acompanharam a apresentação do grupo Siriri Girassol. A programação incluiu ainda roda de conversa, almoço coletivo e lanche.

A participante Glaci Aramburú, de 79 anos, comemorou a iniciativa e a oportunidade de reviver brincadeiras da infância ao lado das crianças. Segundo ela, o encontro promove uma importante troca de experiências. “Estou achando maravilhoso. Essa convivência com as crianças traz muita alegria para nós, idosos. Acredito que as novas gerações precisam aprender cada vez mais sobre educação e respeito, principalmente com os idosos. Esses momentos aproximam as pessoas e fortalecem os laços entre todos nós”, destacou.

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A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, afirmou que a iniciativa foi criada para aproximar diferentes gerações e deverá se tornar uma ação permanente da pasta. Segundo ela, a programação do Conexão de Gerações foi planejada para o período das férias escolares em Cuiabá.

“Pensamos nesse projeto para trazer as crianças e os adolescentes para dentro dos Centros de Convivência dos Idosos, fortalecendo esse contato entre as gerações. É uma troca muito rica, em que os idosos compartilham suas experiências de vida e as crianças apresentam novas formas de interação. Nossa intenção é ampliar essa iniciativa e transformá-la em um programa permanente, fortalecendo cada vez mais os vínculos familiares e comunitários”, afirmou Hélida.

A gerente do CCI Aidee Pereira, Evânia Tito, ressaltou que o encontro foi planejado para proporcionar momentos de convivência, diversão e aprendizado durante o período de férias escolares. “Preparamos um dia inteiro de atividades, com gincanas, dança, jogos, atividade física, almoço, roda de conversa e muita interação. Mais do que um momento de lazer, essa é uma oportunidade para que crianças e idosos compartilhem experiências, conheçam o trabalho desenvolvido pelos CRAS e pelos Centros de Convivência e fortaleçam os laços entre as gerações”, explicou.

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Para a assistente social do CRAS Planalto, Pollyanna Gomes, a integração entre crianças e idosos fortalece o trabalho desenvolvido pela assistência social. “Essa convivência intergeracional permite que crianças e idosos resgatem brincadeiras tradicionais e construam novos vínculos. O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos trabalha justamente esse desenvolvimento social, promovendo atividades no contraturno escolar para crianças em situação de vulnerabilidade e fortalecendo a convivência familiar e comunitária”, destacou.

O próximo encontro do Conexão de Gerações será realizado no dia 17 de julho, das 8h30 às 15h, nos CCIs Padre Firmo e Maria Ignês. No Padre Firmo participarão usuários dos CRAS Dom Aquino, Pedregal, Praeiro e Araçá. Já no Maria Ignês estarão presentes crianças e adolescentes atendidos pelos CRAS Novo Colorado, CPA e Jardim União, dando continuidade à proposta de fortalecer os vínculos entre diferentes gerações por meio da convivência, da cultura e do aprendizado compartilhado.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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