AGRONEGÓCIO

A revolução do etanol de milho: o novo mapa do agronegócio brasileiro

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Mato Grosso, hoje o maior produtor de milho do país, deixou de ser apenas um exportador de grãos brutos para se tornar um polo industrial de bioenergia. Esse movimento não afeta apenas a economia estadual, mas altera a logística e a formação de preços do milho em todo o Brasil. Com uma produção que gira em torno de 50 milhões de toneladas por safra, o estado agora destina cerca de 13,5 milhões de toneladas — ou seja, mais de 25% de tudo o que é colhido — para a transformação em etanol e ração animal (DDG) dentro das próprias divisas.

Para o leitor de qualquer região do país, o dado é revelador: um quarto de toda a safra mato-grossense não precisa mais percorrer milhares de quilômetros até os portos ou estados consumidores na forma de grão. Ele é processado ali mesmo. Mato Grosso lidera hoje, com larga vantagem, o ranking nacional de produção de milho e ocupa o topo da lista na fabricação de etanol a partir do cereal. Esse cenário transforma o estado no laboratório de um modelo que o Brasil começa a exportar para outras regiões produtivas: a verticalização do campo.

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O impacto dessa estratégia é direto para o bolso do produtor. Ao criar uma demanda interna gigantesca por milho, as usinas de etanol ajudam a enxugar a oferta no mercado de exportação, o que dá suporte aos preços e reduz a dependência exclusiva da logística de fretes para o mercado externo. Além disso, o DDG (grão seco de destilaria) virou um aliado estratégico da pecuária nacional. Com o estado produzindo 3 milhões de toneladas anuais desse coproduto, o Brasil ganha uma nova fonte de proteína para ração de aves, suínos e gado, que compete em qualidade e preço com o farelo de soja.

Essa mudança de patamar do agronegócio mato-grossense é um alerta para o mercado nacional. O modelo de “milho valorizado na origem” inverte a lógica tradicional: em vez de pagar frete para exportar matéria-prima barata, o setor agora agrega valor industrial antes de despachar o produto final. Para o Brasil, o Mato Grosso prova que o caminho para o próximo ciclo de crescimento do agronegócio não está apenas no aumento da área plantada, mas na capacidade de processar o grão dentro da porteira ou em seu entorno, fortalecendo a segurança alimentar e a balança comercial do país.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito de ICMS ganha força no agronegócio como alternativa para reforçar o caixa e reduzir custos financeiros

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Em um cenário de crédito rural mais restrito e custos financeiros ainda elevados, produtores e empresas do agronegócio têm buscado novas alternativas para fortalecer o fluxo de caixa e reduzir a dependência de financiamentos bancários. Entre elas, os créditos acumulados de ICMS deixaram de ser apenas uma questão tributária e passaram a ocupar posição estratégica na gestão financeira das propriedades e agroindústrias.

Mesmo após a redução da taxa Selic para 14,50% ao ano em 2026, o custo do dinheiro continua elevado para boa parte do setor produtivo, o que tem levado empresários rurais a revisarem processos internos em busca de recursos já existentes dentro das próprias operações.

Especialistas avaliam que valores acumulados de ICMS, quando corretamente apurados e recuperados, podem representar uma importante fonte de liquidez para financiar investimentos, aquisição de insumos e reorganização financeira das empresas.

Crédito tributário passa a ser visto como ativo financeiro

De acordo com Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária para o agronegócio e CFO da Palin & Martins, o crédito acumulado de ICMS deixou de ser tratado exclusivamente como uma obrigação fiscal e passou a integrar o planejamento financeiro das empresas rurais.

Segundo ele, esses recursos representam capital próprio, sem incidência de custos financeiros, podendo reduzir a necessidade de recorrer a linhas de crédito com juros elevados.

“Muitos produtores ainda buscam financiamento externo sem perceber que possuem recursos acumulados na própria operação. Quando bem administrado, o crédito de ICMS pode fortalecer o caixa e ampliar a capacidade de investimento da empresa”, afirma.

Recuperação de créditos pode ampliar liquidez no campo

Em um setor que depende fortemente de capital de giro para custeio das lavouras, compra de fertilizantes, defensivos, sementes e demais insumos, a recuperação de créditos tributários passou a ser considerada uma ferramenta importante para melhorar a saúde financeira das empresas.

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Segundo o especialista, a utilização desses recursos pode contribuir para investimentos em tecnologia, ampliação da produção, modernização das estruturas e reorganização do fluxo financeiro, reduzindo a necessidade de contratação de crédito bancário.

No entanto, ele ressalta que muitos produtores ainda deixam de aproveitar esse potencial por desconhecimento ou pela falta de organização da documentação necessária para comprovar os créditos.

Organização fiscal é fundamental para transformar crédito em caixa

Embora o direito ao crédito esteja previsto na legislação, sua utilização depende do correto levantamento das informações fiscais e do atendimento às exigências específicas de cada estado.

De acordo com Altair Heitor, a crescente digitalização dos sistemas de fiscalização tornou ainda mais importante a qualidade das informações prestadas pelas empresas, já que os órgãos fazendários utilizam cruzamentos eletrônicos de dados para validar os pedidos de recuperação.

Nesse contexto, falhas na escrituração, inconsistências fiscais ou ausência de documentação podem impedir que créditos legítimos sejam reconhecidos e utilizados pelas empresas.

Planejamento tributário reduz dependência de financiamentos

Outro ponto destacado pelo especialista é que a gestão tributária deve fazer parte do planejamento financeiro permanente das empresas rurais, e não apenas ser acionada em momentos de dificuldade econômica.

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Segundo ele, a organização preventiva amplia a capacidade de tomada de decisão, melhora o controle financeiro e reduz a necessidade de recorrer a soluções mais onerosas em períodos de maior pressão sobre o caixa.

“A gestão tributária precisa ser encarada como parte da estratégia do negócio. Quando bem estruturado, o crédito tributário deixa de representar apenas uma questão fiscal e passa a funcionar como um instrumento de geração de liquidez e fortalecimento financeiro”, destaca.

Eficiência financeira ganha protagonismo no agronegócio

A busca por maior eficiência na gestão financeira acompanha a evolução do agronegócio brasileiro, que nas últimas décadas incorporou avanços em tecnologia, mecanização, genética e gestão da produção.

Agora, especialistas apontam que o planejamento tributário tende a ocupar espaço cada vez mais relevante dentro das estratégias empresariais do setor, contribuindo para aumentar a competitividade, preservar o capital de giro e melhorar a capacidade de investimento das propriedades rurais.

Em um ambiente marcado por custos elevados, mudanças no crédito rural e maior rigor na fiscalização tributária, a recuperação e o aproveitamento adequado dos créditos de ICMS surgem como uma alternativa para fortalecer a sustentabilidade financeira das empresas do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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