AGRONEGÓCIO

Cooperativas agrícolas ganham força no agronegócio e quase dobram participação no PIB do setor

Publicado em

As cooperativas agrícolas brasileiras consolidaram sua posição como um dos principais pilares do agronegócio nacional. Mesmo em um cenário marcado pela retração dos preços de importantes commodities, essas organizações ampliaram sua participação na economia do setor e demonstraram maior capacidade de enfrentar os ciclos de mercado.

Levantamento da L.E.K. Consulting mostra que, entre 2019 e 2024, a participação das cooperativas no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio passou de 8,1% para 15,4%, representando um crescimento de aproximadamente 90% no período. O desempenho reforça o papel estratégico do cooperativismo na produção, comercialização e industrialização agropecuária brasileira.

Cooperativas superam desaceleração do agronegócio

Segundo o estudo, o crescimento das cooperativas permaneceu acima da evolução do próprio PIB do agronegócio, mesmo diante da desaceleração observada nos últimos anos.

Após se beneficiarem do ciclo de alta das commodities agrícolas, essas organizações conseguiram manter resultados positivos durante a fase de queda dos preços, demonstrando maior resiliência financeira e capacidade de adaptação às oscilações do mercado.

Regionalmente, o Sul continua liderando em crescimento absoluto. Entretanto, Centro-Oeste e Sudeste aparecem como regiões com elevado potencial de expansão, impulsionadas pelo grande mercado consumidor e pela menor presença relativa de cooperativas.

Leia Também:  Parceria entre municípios mineiros impulsiona agroindústrias locais e leva produtos regionais para todo o país
Modelo de negócios fortalece competitividade

O levantamento destaca que a solidez financeira, a visão de longo prazo e a diversificação das fontes de receita foram determinantes para que as cooperativas ampliassem sua participação durante a recente crise enfrentada pelo setor de distribuição de insumos.

Enquanto diversas revendas sofreram forte impacto após a queda dos preços da soja e do milho, empresas do segmento passaram por processos de recuperação judicial e extrajudicial, evidenciando a maior vulnerabilidade desse modelo de negócio.

Em contrapartida, cooperativas bem estruturadas mantiveram a oferta de crédito, preservaram sua atuação comercial e continuaram investindo em seus cooperados, fortalecendo sua posição no mercado.

O estudo também ressalta que organizações integradas, com atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva, conseguem capturar margens em múltiplos segmentos, reduzindo os efeitos das oscilações dos preços agrícolas e aumentando sua competitividade.

Industrialização e biocombustíveis lideram nova fase de crescimento

A pesquisa aponta quatro grandes frentes que devem impulsionar a expansão das cooperativas agrícolas nos próximos anos.

A principal delas é a verticalização industrial, estratégia que amplia o processamento da produção agropecuária e permite agregar valor aos produtos, aumentar margens e reduzir a dependência de intermediários.

Leia Também:  Mutirão inédito de cirurgias por videolaparoscopia começa neste sábado no HMC

Outro movimento relevante é o avanço no setor de biocombustíveis, aproveitando o crescimento da demanda por energias renováveis e a disponibilidade de matéria-prima produzida pelos próprios cooperados.

Além disso, as cooperativas vêm acelerando sua expansão geográfica, especialmente para estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e regiões do Sudeste, replicando modelos de sucesso e ampliando sua escala operacional.

O estudo também identifica oportunidades em processos de fusões e aquisições (M&A), com cooperativas capitalizadas adquirindo ativos de empresas em dificuldades financeiras, buscando ganhos de eficiência e consolidação do mercado.

Cooperativismo amplia protagonismo no agronegócio brasileiro

A análise da L.E.K. Consulting indica que o cooperativismo agrícola vive um novo ciclo de fortalecimento no Brasil. Com estrutura financeira mais robusta, foco em longo prazo e capacidade de investir mesmo em períodos adversos, as cooperativas ampliam seu protagonismo na cadeia agroindustrial.

A combinação entre industrialização, diversificação de receitas, expansão territorial e aproveitamento de oportunidades estratégicas coloca o modelo cooperativista em posição privilegiada para continuar crescendo e aumentar sua relevância na geração de valor do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Recuperações judiciais no agronegócio batem recorde mesmo com safra forte e expõem impacto dos juros altos no campo

Published

on

O agronegócio brasileiro vive um cenário de contrastes em 2026. Enquanto a produção agrícola segue em níveis elevados, impulsionada por boas safras e alta produtividade, o setor enfrenta um agravamento da situação financeira de produtores e empresas. O reflexo mais evidente desse movimento é o aumento recorde dos pedidos de recuperação judicial.

Dados da Serasa Experian mostram que 1.990 recuperações judiciais foram registradas no agronegócio em 2025, maior número da série histórica iniciada em 2021. O volume representa crescimento de 56,4% em relação a 2024 e é quase quatro vezes superior ao registrado em 2023, quando foram contabilizados 534 pedidos.

Embora ainda não existam números consolidados para 2026, especialistas avaliam que os fatores que pressionam o setor permanecem presentes e não indicam uma reversão estrutural no curto prazo.

Alta produtividade não garante rentabilidade

Na avaliação de especialistas, o aumento das recuperações judiciais não está relacionado à capacidade produtiva do agronegócio, mas ao estreitamento das margens de lucro provocado pelo aumento dos custos e pela dificuldade de acesso ao crédito.

Segundo Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em recuperação empresarial, muitos produtores continuam colhendo boas safras, mas recebem menos pelas commodities enquanto enfrentam custos significativamente maiores para produzir.

O resultado é uma combinação de insumos mais caros, juros elevados e preços agrícolas mais voláteis, fatores que reduzem a rentabilidade da atividade e comprometem a capacidade de pagamento das dívidas.

Juros elevados pressionam toda a cadeia do agronegócio

Entre os principais fatores que explicam o aumento das dificuldades financeiras está o elevado custo do crédito rural.

Nos últimos anos, muitos produtores renegociaram dívidas em um ambiente financeiro que já apresentava juros elevados. Com a manutenção da política monetária restritiva e maior seletividade das instituições financeiras, o refinanciamento tornou-se ainda mais caro.

Leia Também:  Rondônia estima produção de grãos superior a quatro milhões de toneladas na safra 2023/2024

Segundo Denis Barroso, esse movimento cria um efeito cumulativo sobre o endividamento das propriedades rurais.

Além do produtor, o aperto no crédito também afeta cooperativas, tradings, revendas de insumos, transportadoras e diversas empresas ligadas ao agronegócio, reduzindo a circulação de recursos em economias fortemente dependentes da atividade agrícola.

Inadimplência cresce no meio rural

Os sinais de deterioração financeira também aparecem nos indicadores de inadimplência.

Dados da Serasa Experian apontam que 8,3% da população rural estava inadimplente no terceiro trimestre de 2025, avanço de 0,9 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O aumento reforça o ambiente de maior cautela por parte das instituições financeiras, que passaram a exigir garantias mais robustas e adotaram critérios mais rigorosos para concessão de novos financiamentos.

Crédito restrito reduz investimentos no campo

Especialistas destacam que o atual cenário modifica significativamente a dinâmica de investimento no agronegócio.

Com menos acesso ao crédito e custos financeiros elevados, produtores e empresas tendem a adiar investimentos em máquinas, tecnologia, infraestrutura e expansão da produção.

Esse comportamento gera impactos em toda a cadeia produtiva, afetando fabricantes de equipamentos agrícolas, empresas de logística, fornecedores de insumos e prestadores de serviços.

Recuperação judicial reflete cenário econômico mais amplo

Embora o agronegócio concentre atualmente um número elevado de recuperações judiciais, especialistas ressaltam que o fenômeno não é exclusivo do setor.

Empresas de diversos segmentos da economia brasileira também enfrentam dificuldades financeiras em decorrência dos juros elevados, da restrição ao crédito, das incertezas fiscais e da volatilidade econômica internacional.

Leia Também:  Oeste Catarinense se Consolida como a Segunda Maior Região Produtora de Leite do Brasil

Na avaliação de Denis Barroso, a recuperação judicial deve ser encarada como um instrumento de reorganização financeira, e não como a primeira alternativa diante das dificuldades.

Segundo ele, muitas empresas ainda podem recorrer à renegociação de dívidas, revisão operacional, reestruturação financeira e atração de novos investidores antes de ingressarem com um pedido judicial.

Planejamento financeiro ganha protagonismo

Para Benito Pedro, sócio da Avante Assessoria Empresarial e especialista em reestruturação empresarial, o momento exige uma mudança na forma como empresas e produtores administram sua estrutura de capital.

Segundo ele, o ambiente econômico atual não permite mais decisões baseadas apenas no curto prazo ou no adiamento constante de passivos financeiros.

A adoção de estratégias de renegociação com credores, revisão dos custos operacionais e fortalecimento da gestão financeira torna-se cada vez mais importante para preservar a competitividade das empresas.

Gestão de risco será decisiva nos próximos anos

O crescimento recorde das recuperações judiciais no agronegócio evidencia que os desafios do setor vão além da produção agrícola.

Mesmo mantendo elevada eficiência no campo, produtores e empresas precisam enfrentar um ambiente caracterizado por crédito mais caro, custos elevados, margens reduzidas e maior seletividade dos financiadores.

Na avaliação dos especialistas, os próximos anos exigirão disciplina financeira, planejamento estratégico e gestão ativa de riscos para garantir a sustentabilidade dos negócios rurais.

Mais do que produzir bem, o desafio do agronegócio brasileiro passa a ser transformar produtividade em rentabilidade, preservando a capacidade de investimento e a saúde financeira em um cenário econômico cada vez mais desafiador.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA