AGRONEGÓCIO
Açúcar fecha em cenário misto: realização de lucros derruba NY, Londres sobe e mercado brasileiro avança
Publicado em
3 de julho de 2026por
Da Redação
O mercado global do açúcar encerrou a quinta-feira (2) com comportamento divergente entre as principais bolsas internacionais. Enquanto os contratos do açúcar bruto negociados na ICE Futures US, em Nova York, recuaram pressionados por realização de lucros, o açúcar branco negociado em Londres apresentou leve valorização. No mercado brasileiro, o açúcar cristal voltou a subir, ao passo que o etanol hidratado registrou queda em Paulínia.
O movimento ocorreu após uma sequência de altas que levou os contratos futuros em Nova York aos maiores níveis em quase dois meses. Com o feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos nesta sexta-feira (4), investidores aproveitaram para realizar lucros antes da interrupção das negociações, provocando um ajuste técnico nas cotações.
Nova York recua após máximas recentes
Na ICE Futures US, o contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou cotado a 14,85 cents de dólar por libra-peso, queda de 0,14 centavo (-0,93%) em relação ao pregão anterior. Apesar da baixa diária, o contrato acumulou valorização de 2,34% na semana.
O vencimento março de 2027 encerrou a 15,77 cents/lbp, com recuo de 0,11 centavo (-0,69%), enquanto o contrato maio de 2027 caiu para 15,60 cents/lbp. Os demais vencimentos também fecharam em terreno negativo, refletindo um movimento de correção técnica após a forte recuperação observada nos últimos dias.
Londres registra leves ganhos
Na ICE Futures Europe, o comportamento foi oposto. Os contratos do açúcar branco encerraram o pregão com pequenas altas.
O vencimento agosto de 2026 avançou US$ 0,20, fechando a US$ 483,10 por tonelada. O contrato outubro de 2026 também subiu US$ 0,20, para US$ 475,90 por tonelada, enquanto dezembro de 2026 registrou ganho de US$ 1,50, encerrando o dia a US$ 472,90 por tonelada.
Mercado brasileiro mantém valorização do açúcar cristal
No mercado interno, o açúcar cristal branco comercializado em São Paulo voltou a apresentar valorização, conforme o Indicador CEPEA/ESALQ.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,23, alta de 1,03% em relação ao pregão anterior. Com esse desempenho, o indicador passou a acumular avanço de 1,05% no início de julho, demonstrando firmeza da demanda doméstica mesmo diante da volatilidade internacional.
Etanol recua em Paulínia
Em sentido contrário, o mercado de etanol hidratado registrou novo ajuste negativo.
Segundo o Indicador Diário Paulínia, o biocombustível foi negociado a R$ 2.347,00 por metro cúbico, queda de 0,93% no dia. Com isso, o etanol acumula recuo de 0,78% neste início de julho.
A desvalorização acompanha o enfraquecimento do petróleo no mercado internacional, fator que reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis.
Petróleo e clima seguem determinando os rumos do mercado
Na avaliação de analistas, a queda do petróleo WTI continua exercendo pressão sobre o complexo sucroenergético. Com menor atratividade para a produção de etanol, aumenta a expectativa de que uma parcela maior da cana-de-açúcar seja destinada à fabricação de açúcar, elevando a oferta global da commodity e limitando movimentos mais expressivos de alta.
Entretanto, os fundamentos do mercado permanecem construtivos. As preocupações climáticas continuam sustentando os preços internacionais, especialmente diante das incertezas sobre a evolução das monções na Índia. O déficit de chuvas mantém dúvidas sobre o potencial produtivo do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além disso, as perspectivas para a safra da Tailândia seguem sendo monitoradas pelo mercado, enquanto riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño também permanecem no radar para importantes regiões produtoras da Europa e da Ásia.
Esse conjunto de fatores impede quedas mais acentuadas nas bolsas internacionais e mantém os investidores atentos ao comportamento da oferta global nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração
Published
26 minutos agoon
3 de julho de 2026By
Da Redação
A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.
Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.
Clima reduziu oferta de cana
Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.
A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.
A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.
Estratégia operacional também reduziu o volume processado
Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.
Entre as medidas adotadas estão:
- venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
- hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
- hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.
De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.
Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade
Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.
Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:
- 53% destinado ao açúcar
- 47% destinado ao etanol
No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.
Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.
Produção de etanol de segunda geração avança
Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).
A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:
- Bonfim;
- Univalem;
- Barra.
O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.
Perspectivas para o setor sucroenergético
O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.
Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.
Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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