AGRONEGÓCIO

Cotonicultura baiana comemora 26 anos da Abapa e consolida liderança do algodão brasileiro no mercado global

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A cotonicultura da Bahia celebra um marco importante em sua história. A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) completou 26 anos de atuação, consolidando-se como uma das instituições mais relevantes do agronegócio brasileiro e peça fundamental para transformar o estado em uma das maiores potências produtoras de algodão do país.

Criada com a missão de apoiar técnica, institucional e politicamente os produtores, a entidade acompanhou e impulsionou a evolução da cultura no Oeste baiano, região que se tornou referência nacional em produtividade, tecnologia e sustentabilidade. Ao longo de mais de duas décadas, a Abapa esteve diretamente envolvida na construção de uma cadeia produtiva moderna, organizada e integrada aos principais mercados consumidores do mundo.

Conexão e sustentabilidade norteiam nova fase da entidade

Segundo a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a associação chega ao seu 26º aniversário diante de um cenário global cada vez mais desafiador, marcado por transformações geopolíticas, avanços tecnológicos e mudanças nos hábitos de consumo.

A dirigente destaca que a atual gestão adotou o conceito de “conexão” como eixo estratégico para fortalecer os elos da cadeia produtiva e ampliar o papel social da cotonicultura.

Para Alessandra, o algodão desempenha papel relevante na promoção de práticas mais sustentáveis e na construção de um modelo de produção alinhado às demandas contemporâneas por consumo consciente e responsabilidade socioambiental.

Da reconstrução da cultura ao protagonismo nacional

A trajetória da Abapa reflete a evolução da própria cotonicultura baiana. Quando a entidade foi criada, o setor ainda enfrentava desafios estruturais significativos, incluindo limitações tecnológicas, dificuldades tributárias e baixa competitividade.

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João Carlos Jacobsen Rodrigues, primeiro presidente da associação, relembra que a atividade precisou ser praticamente reconstruída na Bahia. Segundo ele, o trabalho conjunto entre produtores e instituições permitiu superar obstáculos e posicionar rapidamente o estado entre os principais polos produtores do Brasil.

O resultado desse esforço foi a consolidação da Bahia como uma das maiores produtoras nacionais de algodão, com elevados padrões de produtividade e qualidade.

Organização da cadeia abriu portas para o mercado internacional

Outro momento decisivo para o crescimento do setor ocorreu com a inserção do algodão baiano no mercado externo. A necessidade de atender padrões internacionais impulsionou melhorias em processos de classificação, rastreabilidade e qualidade da fibra.

Walter Horita, que presidiu a entidade entre 2005 e 2008, destaca que as missões internacionais, a aproximação com compradores e a troca constante de conhecimento foram fundamentais para adequar a produção às exigências globais.

Hoje, o algodão produzido na Bahia abastece mercados altamente exigentes e é reconhecido pela qualidade e confiabilidade, resultado direto da organização da cadeia produtiva e do trabalho institucional desenvolvido ao longo dos anos.

Continuidade e visão estratégica fortalecem o setor

Para Isabel da Cunha, ex-presidente da associação, um dos principais diferenciais da Abapa é a capacidade de manter uma visão de longo prazo, preservando a continuidade das ações e o compromisso com o desenvolvimento do setor.

Essa construção institucional permitiu que cada gestão contribuísse para ampliar conquistas, aperfeiçoar processos e criar soluções para os desafios enfrentados pelos produtores.

Na mesma linha, Celestino Zanella ressalta que a união dos cotonicultores tem sido determinante para o crescimento sustentável da atividade. Segundo ele, o alinhamento de objetivos entre os produtores favorece decisões estratégicas e fortalece a competitividade da cadeia.

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Infraestrutura e impacto social ampliam legado da Abapa

Nos últimos anos, a atuação da entidade passou a extrapolar os limites das propriedades rurais, alcançando projetos de infraestrutura e desenvolvimento regional.

Entre as iniciativas de maior destaque está a Patrulha Mecanizada, programa voltado para a recuperação e melhoria das estradas vicinais do Oeste baiano. O projeto evoluiu para obras de pavimentação e já contribuiu para a implantação de mais de 500 quilômetros de vias, beneficiando produtores, trabalhadores rurais e comunidades locais.

De acordo com Júlio Cézar Busato, que presidiu a associação entre 2017 e 2020, os investimentos em logística ajudaram a reduzir custos de transporte, melhorar o escoamento da produção e promover ganhos sociais para toda a região.

Associação projeta novos avanços para a cotonicultura baiana

Com uma cadeia produtiva consolidada e reconhecida internacionalmente, a Abapa entra em uma nova fase focada em inovação, eficiência, sustentabilidade e fortalecimento das conexões entre produtores, indústria, mercado e sociedade.

Para Luiz Carlos Bergamaschi, presidente nos biênios 2021/2022 e 2023/2024, a entidade continuará buscando aprimoramento constante e ampliando seu impacto positivo junto às comunidades e ao setor produtivo.

Ao completar 26 anos, a Abapa reafirma seu protagonismo no desenvolvimento da cotonicultura brasileira e sua contribuição para que a Bahia permaneça entre os principais polos mundiais de produção de algodão de alta qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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