AGRONEGÓCIO

Soja hoje: preços sobem em Chicago com apoio do petróleo, enquanto custos logísticos pressionam produtores no Brasil

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Os preços da soja operam com leve alta nesta quarta-feira (29) na Bolsa de Chicago, em um movimento de recuperação técnica após perdas recentes. O mercado segue dividido entre fatores fundamentais e geopolíticos, enquanto, no Brasil, os custos logísticos continuam pressionando a rentabilidade do produtor.

Chicago tenta recuperação com apoio do petróleo

Por volta das 7h30 (horário de Brasília), os contratos da oleaginosa registravam ganhos entre 4 e 4,75 pontos. O vencimento julho era cotado a US$ 11,93 por bushel, enquanto agosto atingia US$ 11,87.

O movimento reflete uma tentativa de recomposição de preços, sustentada por compras pontuais após recentes quedas. A ausência de novidades mais consistentes no cenário fundamental mantém os investidores cautelosos.

Ao mesmo tempo, o avanço do petróleo no mercado internacional reforça o suporte às commodities agrícolas. Os contratos do WTI e do Brent registram altas próximas de 3%, influenciando diretamente o complexo soja, especialmente o óleo, devido à ligação com o biodiesel.

Clima nos EUA e demanda global seguem no radar

Os traders continuam atentos ao desenvolvimento da safra norte-americana, com foco nas condições climáticas do Meio-Oeste dos Estados Unidos. O ritmo de plantio, ligeiramente acima do esperado, também entra na equação e contribui para limitar ganhos mais expressivos.

No campo da demanda, a China permanece como principal fator de sustentação, enquanto o mercado monitora possíveis mudanças nos fluxos globais.

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Outro ponto de atenção é a identificação de traços da tecnologia HB4 — ainda não autorizada pela União Europeia — em cargas originadas da América do Sul. O episódio gera incertezas comerciais e pode redirecionar parte da demanda, especialmente para produtos dos Estados Unidos.

Mercado fecha misto e revela volatilidade

Na sessão anterior, os contratos na Bolsa de Chicago encerraram próximos da estabilidade. O contrato de maio recuou 0,36%, para US$ 11,73 por bushel, enquanto julho caiu 0,23%. Já os vencimentos mais longos registraram leves altas.

Entre os derivados:

  • Farelo de soja teve leve baixa
  • Óleo de soja avançou mais de 1,5%, impulsionado pelo petróleo

O cenário reforça a volatilidade típica do mercado, influenciado por múltiplos fatores simultâneos.

Colheita avança no Brasil, mas custos pressionam

No Brasil, o avanço da colheita expõe desafios estruturais importantes, principalmente ligados à logística e armazenagem.

No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 68% da área, com produtividade impactada pela irregularidade climática. Problemas como escassez de combustível e déficit de armazenagem de cerca de 3,5 milhões de toneladas dificultam a estratégia de comercialização.

Em Paraná, os trabalhos já alcançam 99%, mas o alto custo do diesel — acima de R$ 6,45 por litro — e um déficit de armazenagem de 12,6 milhões de toneladas pressionam o escoamento.

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No Mato Grosso, a colheita supera 96%, com produtividade recorde. Ainda assim, o estado enfrenta um expressivo déficit de armazenagem, estimado em mais de 53 milhões de toneladas, além de fretes elevados.

Já no Mato Grosso do Sul, a colheita chega a 97,1%, com custos de transporte próximos de R$ 300 por tonelada em algumas rotas e déficit de armazenagem superior a 15 milhões de toneladas.

Mercado físico encontra sustentação pontual

Apesar das pressões, o mercado físico apresenta alguma sustentação regional. Em Santa Catarina, a produção estimada em 3,1 milhões de toneladas e a demanda da indústria ajudam a manter os preços firmes.

Nos portos, as cotações giram em torno de:

  • R$ 128,00 por saca no Rio Grande do Sul
  • R$ 127,00 em Santa Catarina
Perspectiva: equilíbrio entre suporte externo e desafios internos

O mercado da soja segue em um cenário de equilíbrio delicado. De um lado, fatores externos como petróleo, geopolítica e demanda internacional oferecem suporte aos preços. De outro, o avanço da safra, o clima nos EUA e os gargalos logísticos no Brasil limitam ganhos mais consistentes.

A tendência no curto prazo é de manutenção da volatilidade, com o mercado reagindo rapidamente a qualquer mudança no cenário global ou nos fundamentos da oferta e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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