AGRONEGÓCIO

Colheita começa com projeções de até 75 milhões de sacas

Publicado em

A colheita da safra brasileira de café 2026 começou neste mês, abrindo um ciclo cercado por estimativas divergentes e com potencial de forte impacto no mercado global. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 66,2 milhões de sacas de 60 quilos, enquanto consultorias privadas apontam para um volume próximo de 75 milhões de sacas. Entre produtores, a leitura é intermediária: uma safra maior que a passada, mas ainda aquém do recorde histórico de 2020, de 63,08 milhões de sacas.

O início dos trabalhos ocorre pelas áreas de café conilon, com colheita já em andamento em Espírito Santo, maior produtor da variedade, e em Rondônia, onde as primeiras lavouras começam a ser retiradas. No café arábica, responsável pela maior parte da produção nacional, o ritmo deve ganhar força a partir de maio, com pico entre junho e julho, especialmente em Minas Gerais, estado que responde por cerca de 45,5% da safra brasileira.

As condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram o desenvolvimento das lavouras. Em Minas Gerais, relatos de campo indicam plantas bem formadas, com boa granação e enchimento de grãos, o que tende a elevar o rendimento industrial. Em regiões como Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Vale do Jequitinhonha, produtores destacam frutos mais pesados e casca mais fina, fatores que aumentam a eficiência na formação das sacas.

Leia Também:  Cevada brasileira deve alcançar safra recorde em 2025 com avanços no manejo e controle do azevém

No Espírito Santo, a colheita do conilon ainda é inicial, com menos de 2% da área colhida de um total próximo de 270 mil hectares, mas a expectativa é de crescimento. A produção capixaba deve alcançar cerca de 14,8 milhões de sacas, avanço de 5% sobre o ciclo anterior. Em Rondônia, que concentra mais de 90% do conilon da região Norte, a colheita já atinge entre 5% e 10% da área, com previsão de 2,7 milhões de sacas, podendo superar 3 milhões em caso de clima favorável.

A qualidade da safra também aparece como ponto de atenção positiva. Produtores relatam grãos maiores e mais uniformes, o que reduz a quantidade necessária para formar uma saca de 60 quilos e melhora o rendimento final, fator relevante em um cenário de custos ainda elevados no campo.

No consumo interno, o Brasil mantém posição de destaque. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima demanda anual próxima de 21,7 milhões de sacas, consolidando o país como o segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. No comércio exterior, os embarques brasileiros superaram 44 milhões de sacas em 2025, com destaque para Alemanha e Itália.

Leia Também:  Futuros do milho flutuam entre altas e baixas no mercado internacional e interno

O desempenho da safra brasileira é determinante para o equilíbrio global. Consultorias internacionais projetam um superávit de cerca de 10 milhões de sacas na temporada 2026, impulsionado principalmente pelo aumento da produção no Brasil. Ainda assim, o resultado final dependerá do clima nas próximas semanas, sobretudo do risco de geadas em áreas de maior altitude do Sul de Minas e do Cerrado.

Com a colheita apenas começando, o mercado entra em uma fase sensível, em que produtividade, qualidade e ritmo de comercialização devem definir o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

Published

on

Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

Leia Também:  Futuros do milho flutuam entre altas e baixas no mercado internacional e interno

No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

Leia Também:  Cevada brasileira deve alcançar safra recorde em 2025 com avanços no manejo e controle do azevém

A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA