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Raça Canchim ganha certificação para produção de carne premium em rebanhos leiteiros

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A raça bovina Canchim acaba de conquistar um importante avanço para a pecuária brasileira com a criação do selo “Canchim on Dairy”, voltado à produção de carne de qualidade a partir de rebanhos leiteiros. A certificação segue o conceito Beef on Dairy e posiciona a raça como uma alternativa estratégica para aumentar a rentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos.

Certificação amplia integração entre leite e carne

O selo “Canchim on Dairy” identifica touros da raça aptos ao cruzamento com vacas leiteiras, especialmente da raça Girolando. A proposta é utilizar genética de corte em rebanhos leiteiros para gerar bezerros com maior valor comercial.

Com isso, os produtores passam a contar com uma nova fonte de renda, aproveitando animais que, em sistemas tradicionais, teriam menor valorização no mercado.

A iniciativa torna o Canchim a segunda raça no Brasil a receber esse tipo de certificação, reforçando sua relevância dentro da pecuária moderna.

Estratégia aumenta valor dos bezerros e qualidade da carne

O uso de sêmen de touros de corte em vacas leiteiras permite a produção de animais com melhor desempenho para a pecuária de corte. O resultado são bezerros mais valorizados, com maior potencial de ganho de peso e qualidade de carcaça.

Além disso, a estratégia contribui para:

  • Maior peso ao desmame e ao sobreano;
  • Melhor conformação de carcaça;
  • Produção de carne voltada ao mercado de cortes nobres.

Outro ponto relevante é o ganho em bem-estar animal, ao evitar o descarte de machos recém-nascidos, que passam a ser criados para abate com maior valor agregado.

Adaptação ao clima tropical é diferencial da raça

O Canchim se destaca por sua adaptação às condições tropicais, especialmente em regiões mais quentes do Brasil, como Centro-Oeste e Norte.

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Sua pelagem clara e rusticidade permitem melhor desempenho em ambientes desafiadores. Além disso, a genética da raça proporciona:

  • Maior rendimento de carcaça;
  • Gordura adequada;
  • Precocidade produtiva;
  • Padronização dos animais.

Bezerros cruzados com Canchim podem superar em até 15% o peso à desmama quando comparados a outras raças, como o Nelore.

Critérios técnicos garantem qualidade do selo

Para receber o selo “Canchim on Dairy”, os touros precisam atender a critérios rigorosos baseados em avaliações genéticas.

A seleção considera indicadores como:

  • Peso ao nascimento, priorizando facilidade de parto;
  • Ganho de peso do nascimento ao sobreano;
  • Conformação muscular;
  • Tamanho adequado dos animais;
  • Área de olho de lombo, relacionada à qualidade da carcaça.

Essas características são avaliadas por meio das Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), classificadas em decas — sistema que divide os animais conforme seu desempenho genético.

Certificação orienta produtores e fortalece o mercado

O selo passa a constar nos certificados de avaliação genética dos touros, funcionando como um guia para produtores de leite e centrais de inseminação.

Entre os principais benefícios da certificação estão:

  • Redução do risco de partos difíceis;
  • Valorização dos bezerros;
  • Produção de carne com maior qualidade;
  • Maior sustentabilidade do sistema produtivo.

A iniciativa também facilita a identificação de reprodutores mais adequados para cruzamentos, agregando segurança e padronização ao mercado.

Alternativa viável para pequenos e médios produtores

O uso da genética Canchim também se mostra acessível para produtores de menor escala. Uma das possibilidades é a aquisição compartilhada de touros, permitindo o uso da genética por diferentes propriedades.

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Além disso, a raça pode substituir touros zebuínos em cruzamentos com vacas leiteiras, oferecendo melhor desempenho sem perder adaptação ao clima tropical.

Outro diferencial é que tanto machos quanto fêmeas resultantes do cruzamento possuem valor comercial, ampliando as oportunidades de renda.

Iniciativa fortalece a pecuária brasileira

O desenvolvimento do selo “Canchim on Dairy” é resultado de uma parceria entre a Embrapa, a Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN), a Associação Nacional de Criadores “Herdbook Collares” (ANC) e o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).

A certificação representa um avanço tecnológico importante, ao unir pesquisa científica e aplicação prática no campo, contribuindo para a modernização da pecuária nacional.

Entenda o sistema de classificação genética (Deca)

O sistema de decas é uma ferramenta utilizada no melhoramento genético bovino para classificar os animais com base em seu desempenho.

  • Deca 1: representa os 10% melhores animais;
  • Deca 2: corresponde ao grupo seguinte, até 20%;
  • Deca 10: indica os 10% com menor desempenho.

Essa metodologia facilita a identificação rápida do potencial genético dos reprodutores, auxiliando na tomada de decisão dos produtores.

Pecuária mais eficiente e sustentável

Com a certificação, o Canchim se consolida como uma alternativa eficiente para integrar as cadeias de leite e carne, aumentar a rentabilidade do produtor e atender à crescente demanda por carne de qualidade.

A iniciativa reforça o papel da inovação genética como ferramenta essencial para o avanço da pecuária brasileira, tornando o sistema mais produtivo, sustentável e competitivo no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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