AGRONEGÓCIO
Conab abre inscrições e destina até R$ 35 milhões para compra de sementes da agricultura familiar
Publicado em
14 de abril de 2026por
Da Redação
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de até R$ 35 milhões para a aquisição de sementes e materiais propagativos da agricultura familiar em 2026. A iniciativa integra o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e tem como objetivo fortalecer a produção agrícola, promover a biodiversidade e ampliar o acesso a insumos para pequenos produtores em todo o país.
Associações e cooperativas interessadas já podem enviar seus projetos, com prazo aberto até o dia 13 de maio.
Recursos serão distribuídos em todo o país
Do total anunciado, R$ 30 milhões serão destinados a projetos da agricultura familiar em âmbito nacional. Outros R$ 5 milhões serão voltados especificamente para a formação e fortalecimento de bancos de sementes.
Os recursos serão repassados à Conab pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Programa amplia diversidade e fortalece segurança alimentar
Segundo a estatal, a iniciativa busca incentivar a produção e distribuição de sementes tradicionais, mudas e materiais propagativos, contribuindo para a preservação da biodiversidade e o fortalecimento da segurança alimentar.
Atualmente, o programa contempla mais de 55 espécies diferentes, ampliando o foco que antes era concentrado principalmente em culturas como milho e feijão.
A estratégia também visa apoiar comunidades rurais, assentamentos e povos tradicionais, garantindo acesso a insumos que favorecem a produção de alimentos.
Investimentos somam R$ 91 milhões nos últimos anos
O PAA Sementes tem registrado aumento nos investimentos recentes. Entre 2023 e 2026, os recursos destinados ao programa somam R$ 91 milhões.
A expectativa da Conab é que, somente neste ano, cerca de 3 mil agricultores familiares participem como fornecedores, beneficiando milhares de produtores em todo o Brasil.
Prazo e forma de envio dos projetos
As propostas devem ser elaboradas por meio do sistema PAANet, disponibilizado pela Conab.
Após o preenchimento, os projetos não devem ser enviados pela própria plataforma. As entidades precisam salvar os documentos e encaminhá-los por e-mail dentro do prazo de 30 dias, até 13 de maio.
Critérios exigem participação de mulheres e foco em sementes tradicionais
Para participar, os projetos devem atender a critérios específicos. Um dos principais é a exigência de participação mínima de 50% de mulheres do campo, das águas e das florestas.
As propostas devem ser voltadas exclusivamente à aquisição e doação de sementes e materiais propagativos locais, tradicionais, crioulos ou varietais. Não serão aceitas sementes híbridas ou geneticamente modificadas.
Além disso, não serão contemplados projetos voltados ao fornecimento direto de alimentos para consumo.
Limites de financiamento por projeto
Cada organização poderá acessar até R$ 1,5 milhão por ano dentro do programa. Já o limite por unidade familiar fornecedora é de R$ 15 mil.
Novas regras facilitam acesso ao programa
Uma das novidades desta edição é a flexibilização de exigências para participação das organizações.
Não será necessário que associações e cooperativas possuam Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) jurídica.
Por outro lado, os agricultores participantes individualmente continuam obrigados a apresentar CAF ou DAP. No caso de povos indígenas e comunidades tradicionais, também será aceito o Número de Identificação Social (NIS).
Critérios de seleção priorizam inclusão e sustentabilidade
Os projetos serão avaliados com base em oito critérios, que levam em conta o perfil dos participantes e as características das propostas.
Entre os principais pontos analisados estão:
- Participação de povos e comunidades tradicionais
- Inclusão de mulheres e jovens
- Presença de beneficiários de assentamentos
- Atuação em territórios de programas estratégicos
Também recebem pontuação adicional projetos que incentivem a agrobiodiversidade, como feiras e bancos comunitários de sementes, além de iniciativas com produção 100% orgânica.
Qualidade das sementes será requisito obrigatório
As sementes e materiais propagativos adquiridos deverão atender às normas técnicas vigentes.
Para garantir a qualidade, serão exigidos testes de umidade, germinação, vigor e ausência de transgenia. A entrega dos produtos estará condicionada à aprovação nos padrões estabelecidos pela Conab ou por instituições técnicas reconhecidas.
Iniciativa busca fortalecer produção e ampliar acesso a alimentos
A ação reforça a estratégia do governo de promover a produção sustentável e ampliar o acesso a alimentos por meio do apoio direto à agricultura familiar.
Ao incentivar a diversidade de culturas e fortalecer redes locais de produção, o programa contribui para o desenvolvimento rural e para a segurança alimentar em diferentes regiões do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Semi-hidroponia avança no Brasil e transforma produção agrícola em solos degradados
Published
19 minutos agoon
5 de maio de 2026By
Da Redação
Produzir no campo brasileiro tem se tornado cada vez mais desafiador diante das mudanças climáticas, da irregularidade das chuvas e da crescente degradação dos solos. Em culturas mais sensíveis, como as hortaliças, esses fatores elevam os riscos e podem comprometer totalmente a viabilidade econômica das lavouras.
Doenças de solo como murcha bacteriana, fusariose e a presença de nematoides estão entre os principais entraves à produtividade, especialmente em áreas já afetadas. Nesse cenário, soluções inovadoras têm ganhado espaço, com destaque para sistemas de cultivo sem solo, como a semi-hidroponia.
Alternativa sustentável para solos problemáticos
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que uma parcela significativa dos solos agrícolas do país apresenta algum nível de degradação, o que reforça a necessidade de tecnologias mais adaptáveis e resilientes.
A semi-hidroponia surge como uma evolução dos sistemas hidropônicos tradicionais. Nesse modelo, o solo é substituído por substratos inertes que sustentam as plantas, enquanto a nutrição ocorre por meio da fertirrigação — técnica que permite o fornecimento controlado de água e nutrientes.
Na prática, o produtor passa a ter maior controle sobre o ambiente de cultivo, reduzindo significativamente os riscos fitossanitários.
“Problemas como murcha bacteriana, fusariose e nematoides são comuns no solo e de difícil controle. Com a semi-hidroponia, é possível praticamente eliminar essas ameaças, mantendo a produtividade”, explica o especialista em agricultura Felipe Vicentini Santi.
Substratos acessíveis e eficientes
Entre as alternativas mais viáveis economicamente, destaca-se a combinação de casca de arroz carbonizada com areia lavada, geralmente na proporção 50/50.
Essa mistura oferece condições ideais para o desenvolvimento das plantas: a casca de arroz contribui para a retenção equilibrada de umidade e aeração das raízes, enquanto a areia favorece a drenagem, evitando o encharcamento — fator diretamente ligado ao surgimento de doenças.
Ganhos em produtividade e uso de recursos
Além de reduzir drasticamente problemas sanitários, o sistema semi-hidropônico apresenta outras vantagens relevantes. Entre elas, a possibilidade de cultivo contínuo ao longo do ano, inclusive em períodos de alta pluviosidade, e a eliminação da necessidade de rotação de culturas.
Outro ponto estratégico é a eficiência no uso de insumos. A fertirrigação permite economia de água e fertilizantes, reduz perdas e minimiza impactos ambientais, tornando o sistema mais sustentável no longo prazo.
Desafios ainda limitam expansão
Apesar dos benefícios, a adoção da semi-hidroponia ainda enfrenta barreiras. O investimento inicial em infraestrutura e a necessidade de conhecimento técnico para o manejo adequado da irrigação e da nutrição das plantas são os principais desafios apontados.
Em operações de maior escala, questões como custo, logística e acesso à tecnologia também podem dificultar a implementação.
Inovação como caminho para o futuro
Mesmo diante desses entraves, o avanço de sistemas como a semi-hidroponia sinaliza uma transformação importante na agricultura brasileira. Em um cenário de maior instabilidade climática e pressão por produtividade, a adoção de tecnologias que aumentem o controle e a eficiência tende a ser decisiva.
A capacidade de adaptação, aliada à inovação e ao manejo técnico, desponta como o principal diferencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade da produção agrícola no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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