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Fertilizantes: baixa integração da cadeia expõe fragilidade estrutural do Brasil

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A cadeia de fertilizantes no Brasil enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente a competitividade do setor. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio, ao analisar a recente movimentação de venda de ativos ligados à produção de fosfato no país.

Segundo ele, o cenário evidencia fragilidades na integração industrial e na organização da cadeia produtiva, fatores essenciais para a eficiência na produção de insumos agrícolas.

Produção depende de cadeia complexa e integrada

A fabricação de fertilizantes como MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico) exige uma estrutura industrial complexa. O processo envolve insumos como energia, enxofre, ácido sulfúrico, rocha fosfática e ácido fosfórico, além de uma logística eficiente.

Nos principais polos globais, esses elementos operam de forma integrada, garantindo maior escala de produção, previsibilidade e redução de custos.

Modelos internacionais mostram maior eficiência

Em regiões como o Oriente Médio, o enxofre é aproveitado como subproduto do refino de petróleo, enquanto a abundância de gás natural sustenta a produção de amônia, reduzindo custos operacionais.

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Na Rússia, há forte integração entre a produção de gás, a indústria química e a logística de exportação, o que fortalece a competitividade do setor.

Já no Marrocos, o modelo combina mineração, produção química e fabricação de fertilizantes com planejamento estratégico e proximidade dos portos, formando uma cadeia altamente coordenada.

Brasil tem potencial, mas enfrenta desarticulação

Apesar de possuir reservas relevantes de rocha fosfática, capacidade industrial e um amplo mercado consumidor, o Brasil ainda apresenta baixa integração entre os elos da cadeia.

A fragmentação da produção, aliada aos altos custos logísticos e à ausência de uma política estratégica para insumos como o enxofre, compromete a eficiência e eleva o custo final dos fertilizantes.

Produção nacional perde competitividade para importações

Esse conjunto de fatores faz com que, em diversos casos, a produção de fertilizantes no Brasil seja mais cara do que a importação.

A recente decisão de uma empresa do setor de paralisar minas de fosfato e colocar ativos à venda em Minas Gerais ocorre nesse contexto de perda de competitividade e dificuldades estruturais.

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Dependência externa segue como desafio

A análise aponta que, enquanto os fertilizantes não forem tratados como ativos estratégicos dentro de uma política de Estado, o Brasil deve continuar apresentando alta produtividade agrícola, porém com forte dependência externa no fornecimento de insumos.

Esse cenário mantém o país exposto a oscilações do mercado internacional e reforça a necessidade de avanços na integração e no planejamento da cadeia de fertilizantes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações de algodão do Brasil batem recorde em junho com embarques de 217 mil toneladas

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As exportações brasileiras de algodão registraram desempenho histórico em junho de 2026, alcançando o maior volume já embarcado para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 217 mil toneladas da fibra, avanço de 63,4% em relação a junho de 2025.

Em receita, os embarques movimentaram US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, reforçando a competitividade do algodão brasileiro e a expansão da presença nacional em mercados estratégicos.

De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado confirma o ritmo elevado das vendas externas e fortalece a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.

Algodão brasileiro encerra safra 2025/26 com desempenho histórico

O recorde registrado em junho encerra um ciclo comercial marcado por forte desempenho exportador. A temporada 2025/26, considerada pelo setor entre julho de 2025 e junho de 2026, apresentou volumes expressivos mesmo diante de um início de safra mais lento.

Segundo a Anea, o Brasil registrou recordes mensais de exportação em sete dos 12 meses da temporada, incluindo:

  • outubro;
  • novembro;
  • dezembro;
  • março;
  • abril;
  • maio;
  • junho.

Para o presidente da entidade, Dawid Wajs, o resultado demonstra a capacidade do país em manter a regularidade dos embarques e ampliar sua participação internacional.

“Apesar de um início de safra mais lento, o Brasil conseguiu manter volumes elevados ao longo do período e registrar recordes mensais de exportação em diversos meses”, destaca.

Ásia concentra principais compradores do algodão brasileiro

Os mercados asiáticos continuam como principais destinos da fibra nacional. Em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

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A distribuição das exportações no mês ficou concentrada nos seguintes países:

  • Bangladesh: 21,7% das compras;
  • Turquia: 17,7%;
  • Paquistão: 17,4%;
  • Vietnã: 14,3%;
  • Indonésia: 7,6%;
  • China: 6,3%;
  • Índia: 6,3%.

Também participaram da pauta compradores como Malásia, Egito, Coreia do Sul, Tailândia, Maurício e Japão.

Bangladesh e Turquia ampliam participação no algodão brasileiro

Segundo a Anea, alguns mercados apresentaram crescimento histórico durante a temporada.

Bangladesh alcançou o maior volume já importado do algodão brasileiro, consolidando-se como principal destino da fibra em junho. A Turquia também registrou avanço significativo e manteve trajetória de crescimento nas compras brasileiras.

Outro destaque foi a Índia, que mais que dobrou o maior volume histórico adquirido anteriormente, reforçando sua importância estratégica para o setor exportador.

“A Índia teve um desempenho muito expressivo, mais do que dobrando o maior volume que já havia importado do algodão brasileiro”, afirma Dawid Wajs.

Brasil amplia presença no mercado global de algodão

Com o desempenho de junho, o algodão representou 0,97% das exportações totais brasileiras no mês, ocupando a 17ª posição entre os principais produtos exportados pelo país.

Dentro do agronegócio, a fibra respondeu por 4,31% das vendas externas do setor, ficando na terceira colocação entre os produtos agropecuários mais exportados no período.

O resultado reforça o papel estratégico do algodão brasileiro na geração de divisas e na consolidação do país como fornecedor confiável para a indústria têxtil mundial.

China mantém posição estratégica para o algodão brasileiro

Embora a China não tenha registrado recorde de compras na temporada, o mercado permaneceu relevante para o Brasil.

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Segundo a Anea, o volume exportado ao país asiático foi o segundo maior da série histórica, mantendo a presença brasileira em um dos maiores consumidores mundiais da fibra.

A Indonésia também manteve estabilidade nos volumes importados, enquanto Egito, Malásia e Coreia do Sul permaneceram como compradores tradicionais.

O Vietnã apresentou redução em relação a períodos anteriores, mas ainda manteve volumes considerados elevados pelo setor.

Diversificação logística fortalece exportações de algodão

Além do crescimento da demanda internacional, o setor destaca a evolução da infraestrutura logística para o escoamento da fibra brasileira.

O Porto de Santos continua como principal rota de exportação do algodão nacional, mas outros terminais vêm ampliando participação, especialmente o Porto de Salvador, que ganhou relevância nos últimos anos.

Também tiveram participação no embarque da fibra os portos de:

  • São Francisco do Sul;
  • Paranaguá;
  • Itaguaí;
  • Itajaí;
  • Rio de Janeiro.

Segundo a Anea, a diversificação das rotas contribui para maior eficiência logística e reduz a dependência de um único corredor de exportação.

Algodão brasileiro ganha competitividade no comércio internacional

O recorde de exportações em junho reforça a evolução da cadeia produtiva do algodão no Brasil, marcada pelo aumento da produtividade, qualidade da fibra e ampliação dos mercados compradores.

Com maior presença na Ásia e no Oriente Médio, o país consolida sua posição entre os principais exportadores mundiais e demonstra capacidade de atender à demanda internacional com regularidade e escala.

O cenário positivo para os embarques também fortalece produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia ligada à cotonicultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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