Saúde

Ampliação do cuidado e serviços inovadores: conquistas dos 22 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres

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Em 2026, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (Pnaism) completou 22 anos. A iniciativa foi construída pelo Ministério da Saúde em parceria com diversos setores da sociedade, principalmente os movimentos de mulheres e organizações não governamentais. Entre os avanços mais inovadores destacam-se a implementação da Rede Alyne e do Programa Dignidade Menstrual e a oferta do implante subdérmico contraceptivo.

Desde a sua criação, em 2004, a política tem sido um marco na maneira integral como a saúde da mulher é vista e acolhida no Sistema Único de Saúde (SUS). “Para o Governo do Brasil, a saúde da mulher é uma pauta prioritária e, nesse sentido, a política consolidou diretrizes para a ampliação do cuidado, incluindo a perspectiva de gênero — isto é, o reconhecimento das desigualdades sociais entre homens e mulheres e seus efeitos sobre a saúde, orientando políticas mais equitativas e sensíveis às especificidades da mulher”, destaca Mariana Seabra, coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Mulheres.

Ao longo desses anos, a atenção à saúde da mulher foi marcada por avanços significativos associados à expansão da Estratégia Saúde da Família (ESF) e à ampliação do acesso à atenção primária à saúde (APS). Isso possibilitou progressos na saúde sexual e reprodutiva, com a oferta de diferentes métodos contraceptivos, a ampliação da cobertura do pré-natal e as ações voltadas à prevenção e à atenção ao câncer e a condições crônicas, bem como no fortalecimento da atenção à transição menopausal, menopausa e pós‑menopausa, etapas fundamentais na vida da mulher que demandam cuidado contínuo e abordagem integral no SUS.

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Saúde sexual, menstrual e reprodutiva

Novas conquistas se destacaram com a estruturação das linhas de cuidado materna e infantil. Entre elas, o fortalecimento do pré-natal humanizado, o aumento do número mínimo de consultas de pré-natal de risco habitual e de exames de pré-natal, a promoção do parto seguro e o incentivo ao aleitamento materno. A ampliação das casas da gestante e dos centros de parto normal, assim como a implantação de Ambulatórios de Gestação e Puerpério de Alto Risco (Agpar), a garantia da presença de acompanhantes e a implantação de boas práticas obstétricas, são outros avanços importantes.

Mais recentemente, em setembro de 2024, foi lançada a Rede Alyne, que substituiu a Rede Cegonha e trouxe como prioridade a redução da a mortalidade materna em 25% até 2027 e em 50% a de mulheres negras, além de qualificar o pré-natal, parto e puerpério. Em 2025, foi criado o Comitê Nacional de Prevenção da Mortalidade Materna, Fetal e Infantil, visando fortalecer a articulação nacional, monitorar indicadores e qualificar respostas às causas evitáveis desses óbitos.

O lançamento da Portaria do Luto Materno e Parental, Fetal e Infantil também é uma iniciativa de destaque no que diz respeito à gestação e ao puerpério. As ações são alinhadas à qualificação das equipes para uma comunicação empática e acolhedora nos territórios.

Somam-se a essas iniciativas mais recentes também:

  • O Programa Nacional de Dignidade Menstrual, iniciativa do Governo do Brasil para promover a conscientização sobre a naturalidade do ciclo menstrual e a garantia da distribuição gratuita de absorventes menstruais à população em vulnerabilidade. As beneficiárias podem obter autorização para a retirada dos absorventes por meio do aplicativo Meu SUS Digital e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • Financiamento para ampliar o acesso a métodos contraceptivos e introduzir o implante subdérmico contraceptivo, popularmente conhecido como Implanon, no SUS. Em 2025, foram distribuídos 500 mil implantes. Para o primeiro semestre de 2026, estão previstos 1,3 milhão.
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Atenção às mulheres em situação de violência

O SUS passou a oferecer um serviço nacional de teleatendimento para acolher, ouvir e cuidar da saúde das mulheres vítimas de violência. Veja abaixo outras iniciativas destinadas ao atendimento às mulheres nessa situação:

  Guia Técnico para Implementação da Sala Lilás no SUS;

  Sala Lilás no SUS: espaços exclusivos para acolhimento;

  Novo CID para o feminicídio: a partir dos registros, será possível mensurar quantas mulheres são mortas por serem mulheres e subsidiar políticas públicas mais eficazes;

  Reconstrução dentária para mulheres vítimas de violência doméstica.

O SUS, enquanto política pública universal, se consolidou como uma conquista fundamental para a saúde das mulheres, como instrumento de redução das desigualdades de gênero e agenda prioritária governamental, promovendo cuidado integral e equitativo para as mulheres brasileiras.

Para a celebração desses 22 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (Pnaism), o Ministério da Saúde promoveu, em Brasília, nesta quinta-feira (26), um encontro nacional com representantes das diversas regiões do País. O evento contou com atividades estratégicas para o fortalecimento da Pnaism, como o compartilhamento de experiências, atividades em grupo e plenária. 

Agnez Piestch
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde impulsiona desenvolvimento de tecnologias de ponta para acelerar entrega de soluções concretas para o SUS

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Uma pequena amostra de saliva pode revelar muito sobre a nossa saúde. A técnica já é usada para detecção de vírus, bactérias e até sequenciamento de DNA. Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros foi além e criou um biossensor em formato de chip que, combinado com inteligência artificial, é capaz de identificar sinais de metástase de câncer de boca.

O projeto é conduzido há oito anos por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), mas foi em 2026 que alcançou um novo impulso. A virada de chave ocorreu com a integração ao Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa do Ministério da Saúde desenhada para alavancar o desenvolvimento e oferta de tecnologias de última geração no Sistema Único de Saúde (SUS) e impulsionar a soberania nacional no setor.

Historicamente, o ciclo que separa o início de uma pesquisa até a oferta de um medicamento na prateleira da farmácia pode ultrapassar os 10 anos. Isso porque o percurso envolve etapas complexas, como testes laboratoriais, ensaios clínicos, validação regulatória e adaptação para produção em escala.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, destaca que o foco do programa é justamente encurtar esse caminho, com atuação integrada e direta para superar os desafios que ainda costumam travar projetos promissores. “A missão é fortalecer a inovação radical, com o desenvolvimento de novas moléculas, medicamentos e produtos de saúde de ponta para reduzir a dependência externa e garantir a soberania do SUS”, pontuou.

De acordo com De Negri, a iniciativa parte do diagnóstico de que o país possui alta capacidade científica, mas ainda apresenta baixa conversão de conhecimento em soluções. “Para viabilizar essa transição, o Governo do Brasil vai financiar a instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento dedicado às necessidades estratégicas do setor produtivo de saúde, com foco na indústria farmacêutica. A criação dessa infraestrutura no CNPEM representa um marco de inovação, uma vez que o Brasil passará a contar com um suporte tecnológico inédito, essencial para transformar pesquisa em recursos reais que posicionem o país como referência em biotecnologia e saúde.”

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A pesquisa do biossensor, por exemplo, já utilizava um método sólido estruturado em 60 amostras de pacientes com e sem metástase. Agora, a iniciativa contará com um volume 13 vezes maior que o inicialmente previsto, explicou a pesquisadora Líder do Núcleo de Tecnologia em Proteômica e líder da Divisão de Núcleos Avançados em Tecnologias para Saúde do Laboratório Nacional de Biociências do CNPEM, Adriana Franco Paes Leme.

“Tivemos a oportunidade de entrar na esteira dessa iniciativa e vislumbramos concretizar o projeto utilizando uma análise multicêntrica, onde conseguiremos crescer esse número para quase 800 amostras. E a gente vai conseguir trabalhar em parceria com os hospitais de excelência”, ressaltou Adriana Franco Paes Leme.

A ampliação é possível porque o programa aproxima instituições de peso como o próprio CNPEM, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Para acelerar a pesquisa da detecção de metástase, a cooperação será feita com o Hospital Sírio Libanês, que irá contribuir com acesso a pacientes e validação clínica, enquanto o CNPEM aporta infraestrutura, conhecimento científico e a engenharia para o desenvolvimento do dispositivo.

Antes dessa parceria, o biossensor já tinha a acurácia, como é definido o grau de proximidade entre um resultado medido e seu valor real, de 76%. Os esforços agora são para elevar essa confiabilidade, enfatiza Adriana Franco Paes Leme. “Essa oportunidade de ter esses estudos em parceria com os centros de excelência vai nos dar outras perspectivas que a gente não tinha antes”, completa.

Como funciona o biossensor

Com um formato pequeno que permite ser levado para qualquer lugar, o biossensor utiliza princípios semelhantes aos dos microchips de smartphones para identificar biomarcadores de metástase de câncer de boca. A tecnologia utiliza espectroscopia de impedância eletroquímica para detectar biomarcadores do câncer, a partir da saliva. O método identifica alterações elétricas na superfície do chip e converte os dados em sinais digitais em tempo real, o que já substitui nessa fase o uso de um equipamento laboratorial de grande porte chamado espectrômetro de massas, orçado em até US$ 1 milhão.

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Ciclo de inovação

Ao todo, quatro projetos-piloto em execução no CNPEM foram selecionados para integrar o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. Além do biossensor, há pesquisas avançadas para desenvolver soluções para dor crônica neuropática, doenças neurodegenerativas e autoimunes.

Para sair do laboratório e chegar ao paciente, os projetos percorrem um processo estruturado em duas etapas. Primeiro, as iniciativas passam por avaliação técnica, regulatória e de viabilidade comercial, com foco no potencial de escalabilidade e incorporação ao SUS. Em seguida, o programa apoia a captação de recursos, a formalização de parceiros e o acesso à infraestrutura de ponta do CNPEM, para transformar pesquisas em soluções reais e validadas para a saúde pública.

Tecnologia feita no Brasil

Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde celebrou um acordo com o CNPEM, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para torná-lo o primeiro polo de inovação radical em saúde do país. Com isso, a instituição assumiu o papel de primeiro centro-âncora nacional, com atuação voltada às prioridades do SUS.

Na prática, a parceria fortalece a autonomia tecnológica e a soberania nacional ao disponibilizar infraestrutura científica de alto nível para pesquisadores, startups e indústrias parceiras do programa. Entre os destaques, está o Sirius, maior fonte de luz síncrotron da América Latina, capaz de visualizar estruturas biológicas em nível atômico. Essa infraestrutura é essencial para desenvolver e validar projetos de inovação radical, com a redução da dependência externa e a aceleração na entrega de novos tratamentos à população.

O que é uma inovação radical?

Diferentemente da inovação incremental, que apresenta melhorias graduais de tecnologias que já conhecemos (como uma nova formulação de medicamento ou a versão atualizada de um protocolo), a inovação radical promove rupturas tecnológicas capazes de transformar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças. Exemplos incluem o uso de inteligência artificial para diagnóstico, a implementação de terapias celulares avançadas e as vacinas com novas plataformas tecnológicas.

Roberta Paola
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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