Tribunal de Justiça de MT

Reflexão e responsabilização para romper o ciclo da violência contra a mulher

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Não basta punir: é preciso responsabilizar e ter autoconsciência. Essa é a lógica por trás dos grupos reflexivos voltados a homens autores de violência doméstica, que vêm ganhando espaço no Brasil como estratégia para enfrentar o problema na raiz.

Criados no contexto da Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006), esses grupos vão além da resposta penal tradicional e partem de um princípio importante: a violência é aprendida socialmente, muitas vezes associada a modelos de masculinidade que naturalizam o controle, a agressividade e a desigualdade de gênero. E, justamente por ser aprendida, pode ser transformada.

Homens que já foram denunciados por suas companheiras ou familiares por atitudes violentas e que estão em cumprimento de medida protetiva de urgência são encaminhados pela Justiça para participar desses grupos. Trata-se de espaços seguros para desabafo, revelações e demonstração de fragilidades.

Os grupos podem acontecer diretamente na Vara de Violência Doméstica ou por organizações parceiras, como conselhos da comunidade, mas sempre encaminhados pelo juízo.

Seja num local ou em outro, a equipe que conduz esses grupos é composta por profissionais especializados no assunto, como psicólogos e assistentes sociais, que facilitam rodas de atividades e conversas coletivas voltadas a discutir padrões de comportamento, direitos humanos, relações de gênero e construção social da masculinidade. São vários encontros para se chegar ao resulto de autoconsciência e responsabilização.

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Vale ressaltar que os grupos reflexivos funcionam como uma roda de conversa para que homens autores de violência possam:

  • Debater os comportamentos incentivados (ou considerados inadequados);
  • Questionar conceitos enraizados de masculinidade;
  • Refletir sobre as desigualdades que os cercam no seu dia a dia; e
  • Conversar com o grupo, escutar e falar sem medo.

Os grupos reflexivos não têm como objetivo:

  • Tratar a saúde mental dos homens participantes (não são grupos terapêuticos);
  • Ter viés religioso;
  • Funcionar como palestras ou aulas; e
  • Conseguir informações para serem usadas no processo judicial.

O foco é fazer com que homens reconheçam seus atos e mudem seu comportamento. Especialistas defendem que só a reflexão e a autoconsciência podem promover essa mudança. Por isso, os grupos funcionam, muitas vezes, como um complemento às medidas judiciais, ampliando as possibilidades de prevenção.

O encaminhamento de homens autores de violência aos grupos reflexivos é apoiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como uma forma de proteger as mulheres e prevenir a violência doméstica.

A ação também faz parte do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que prioriza julgamentos mais rápidos, cumprimento das medidas judiciais e programas que levem os autores a reconhecerem os impactos da violência.

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E as mulheres que praticam violência?

Quando uma mulher é a autora da violência, geralmente, é encaminhada para outro tipo de acompanhamento psicossocial, individual ou em grupo específico, porque as situações em que mulheres figuram como autoras de violência apresentam dinâmicas que demandam abordagens diferentes do recorte de gênero e masculinidades trabalhado nos grupos reflexivos.

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Texto: Regina Bandeira

Edição: Andréa Lemos e Waleiska Fernandes

Supervisão de conteúdo: Suzana Massako, juíza auxiliar da Presidência do CNJ, e Ceciana Schallenberger e Michelle Hugill, da equipe especializada de apoio do gabinete

Revisão: Caroline Zanetti

Agência CNJ de Notícias

Autor: Assessoria

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

25 de Julho: Judiciário de MT destaca o mês das Pretas e valoriza o protagonismo das mulheres negras

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O mês de julho é dedicado ao protagonismo das mulheres negras e ao fortalecimento da luta pela equidade racial. Em Mato Grosso, a Lei 11.577/2021 reconheceu o dia 25 de julho como o Dia Estadual de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em âmbito nacional esse reconhecimento veio por meio da Lei Federal nº 12.987/2014.Para a presidente do Comitê de Equidade Racial do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o julho das pretas é um importante marco de reflexão, reconhecimento e valorização da trajetória das mulheres negras que desempenharam papel fundamental na construção da sociedade brasileira.

“Como mulher negra, tenho a convicção de que ocupar hoje a Presidência do Comitê de Promoção da Equidade Racial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso representa muito mais do que uma conquista individual. Minha trajetória teve início no trabalho de cuidado, realidade que ainda marca a vida de tantas mulheres negras brasileiras. Por isso, chegar a este espaço de decisão reafirma que a transformação é possível quando há oportunidades, compromisso institucional e reconhecimento da dignidade de todas as pessoas”, sublinhou.

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Atuação do Comitê de Equidade Racial

A magistrada ressalta que ainda há muitos desafios decorrentes das desigualdades raciais e de gênero. Por isso, o Judiciário mato-grossense atua no combate ao racismo e estimula práticas antirracistas não apenas no âmbito interno, mas também para toda a sociedade.
“É essa perspectiva que orienta a atuação do Comitê: contribuir para que o Poder Judiciário seja agente de promoção da equidade racial, fortalecendo ações de letramento racial, conscientização e valorização da diversidade. O Julho das Pretas nos lembra que promover igualdade de oportunidades não significa apenas reconhecer a história e as contribuições das mulheres negras, mas também assumir a responsabilidade coletiva de construir instituições cada vez mais inclusivas, representativas e comprometidas com a justiça social”, pontuou.

Conheça no link abaixo as ações do Comitê de Promoção da Equidade Racial

https://www.tjmt.jus.br/pagina/comite-promocao-equidade-racial-poder-judiciario-mato-grosso

Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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