AGRONEGÓCIO
FIDC do Centro-Oeste deve liberar R$ 3,1 bilhões em crédito e redefine a geografia financeira do país
Publicado em
10 de março de 2026por
Da Redação
O mercado financeiro brasileiro entra em 2026 em um novo ciclo de reorganização, com mudanças profundas na origem e na destinação do crédito. A taxa Selic, mantida em 15% ao ano, reduziu o apetite dos bancos por operações de maior risco e longo prazo, fazendo com que o crédito tradicional perdesse força.
Segundo dados do Banco Central, o crédito livre para empresas cresceu menos de 5% em termos reais em 2025, sinalizando uma postura mais conservadora das instituições financeiras. Em contrapartida, o crédito privado estruturado, especialmente por meio dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), se consolidou como uma das principais fontes de financiamento da economia real, com patrimônio líquido próximo a R$ 800 bilhões — avanço de cerca de 15% em relação ao ano anterior.
Crescimento fora do eixo tradicional
O movimento de expansão dos FIDCs tem alterado a geografia do capital brasileiro. Em 2025, setores de maior crescimento econômico — como agropecuária, logística e serviços corporativos — se concentraram fora do eixo Rio–São Paulo.
A agropecuária, por exemplo, cresceu 7,5% no período, com o Centro-Oeste respondendo por mais de 45% da produção nacional de grãos. Esse dinamismo, aliado à previsibilidade de caixa e à recorrência operacional dessas cadeias produtivas, impulsionou o surgimento de polos regionais de crédito estruturado, fortalecendo mercados locais e diversificando as fontes de financiamento.
Audax Capital lidera transformação e aposta em R$ 3,1 bilhões em crédito
Nesse contexto, a Audax Capital, sediada no Centro-Oeste, projeta operacionalizar R$ 3,1 bilhões em crédito em 2026, um marco que simboliza a nova configuração do mercado financeiro brasileiro.
De acordo com o CEO da empresa, Pedro da Matta, esse movimento é consequência direta da reconfiguração do crédito no país.
“Com a retração do crédito bancário, muitas empresas que nunca haviam recorrido a estruturas alternativas passaram a buscar crédito privado. O que define essas operações não é o CEP, mas a qualidade do ativo, o fluxo de caixa e o lastro real por trás do recebível”, afirma Da Matta.
Tecnologia elimina barreiras e democratiza o crédito
Para o executivo, a tecnologia foi essencial para viabilizar esse deslocamento do capital. Mais de 90% das transações financeiras no Brasil já ocorrem por canais digitais, o que reduziu drasticamente a necessidade de presença física nas etapas de análise, originação e monitoramento das operações.
“A digitalização eliminou a barreira geográfica. Hoje, a estruturação do crédito é feita de forma integrada, com dados, governança e controle de risco, independentemente de o operador estar em São Paulo ou no Centro-Oeste”, explica Da Matta.
Esse novo cenário permitiu que empresas regionais conquistassem relevância nacional, operando volumes bilionários e desafiando a tradicional concentração do mercado financeiro nas capitais.
Nova geografia financeira: capital e inovação fora da Faria Lima
A consolidação dos FIDCs regionais é uma tendência que tende a se intensificar nos próximos anos, segundo Da Matta. A combinação entre crescimento econômico acelerado, proximidade com cadeias produtivas estratégicas e controle de risco reforça o protagonismo de polos como o Centro-Oeste.
“As empresas fora do eixo tradicional estão mais próximas da economia real. Essa proximidade cria eficiência, reduz custos e aumenta a competitividade, mostrando que o centro de gravidade do crédito no Brasil está se deslocando”, conclui o executivo.
O avanço estimado de R$ 3,1 bilhões em crédito estruturado fora da Faria Lima é, portanto, um indicador concreto dessa nova geografia financeira, onde inovação, regionalização e tecnologia passam a definir o futuro do mercado de capitais brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã
Published
7 horas agoon
17 de junho de 2026By
Da Redação
Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.
Mercado reage à expectativa de normalização logística
De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.
As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.
“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.
Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito
O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.
A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.
Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.
Acordo ainda depende de novas etapas
Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.
Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.
Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.
Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico
A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.
Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.
Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.
Cenário favorece importadores brasileiros
A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.
Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.
Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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