AGRONEGÓCIO
Açúcar oscila entre queda no mercado físico e alta nas bolsas internacionais no início de março
Publicado em
10 de março de 2026por
Da Redação
O mercado de açúcar iniciou o mês de março com movimentos distintos entre o mercado interno e o cenário internacional. Enquanto os preços do açúcar cristal apresentaram recuo no mercado físico paulista devido à liquidez restrita, as bolsas internacionais registraram valorização dos contratos da commodity, impulsionadas principalmente pelo avanço do petróleo e pelas expectativas relacionadas ao mercado de combustíveis.
O ambiente macroeconômico também segue no radar dos agentes do setor. O Banco Central do Brasil mantém acompanhamento permanente da dinâmica do câmbio, da inflação e das condições financeiras globais, fatores que influenciam diretamente o desempenho das commodities agrícolas exportadas pelo país, como o açúcar.
Liquidez reduzida pressiona preços do açúcar no mercado paulista
Na primeira semana de março, os preços do açúcar cristal branco recuaram no mercado spot do estado de São Paulo. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o movimento foi resultado de negociações mais cautelosas entre compradores e vendedores.
Após as oscilações observadas nas semanas anteriores, o mercado passou a buscar um novo nível de equilíbrio. Nesse período, os agentes adotaram uma postura mais conservadora nas operações.
Pelo lado da demanda, as indústrias realizaram principalmente compras pontuais destinadas à reposição imediata de estoques, sem ampliar significativamente o volume de aquisições. Já os vendedores mantiveram postura mais firme nas ofertas, aguardando melhores condições de preço.
Com esse cenário, o volume de negócios permaneceu limitado e as variações de preços ocorreram de forma moderada ao longo da semana.
Bolsas internacionais registram valorização do açúcar
Enquanto o mercado físico brasileiro operava com cautela, os contratos de açúcar negociados nas bolsas internacionais registraram avanço no início da semana.
Na ICE Futures US, em Nova York, principal referência global para o açúcar bruto, os contratos encerraram o pregão em alta:
- Maio/2026: 14,59 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,49 centavo
- Julho/2026: cerca de 14,58 a 14,68 cents/lbp, também com valorização próxima de 0,49 centavo
- Outubro/2026: aproximadamente 15,02 cents/lbp, com avanço semelhante
Os vencimentos mais longos acompanharam a tendência positiva observada no mercado internacional de commodities.
Açúcar branco também avança na Bolsa de Londres
Na ICE Europe, em Londres, onde são negociados os contratos de açúcar branco, as cotações também apresentaram valorização.
Os principais vencimentos registraram os seguintes resultados:
- Maio/2026: US$ 420,50 por tonelada, alta de US$ 6,00
- Agosto/2026: US$ 427,70 por tonelada, avanço de US$ 12,30
- Outubro/2026: US$ 428,10 por tonelada, valorização de US$ 12,70
O movimento acompanha a recuperação observada em parte das commodities energéticas no mercado internacional.
Alta do petróleo pode influenciar oferta global de açúcar
O comportamento recente dos preços do petróleo tem sido um dos fatores observados pelos analistas do mercado de açúcar. A valorização da commodity energética tende a favorecer o etanol, já que o biocombustível passa a competir de forma mais direta com os combustíveis fósseis.
Nesse contexto, usinas produtoras podem optar por direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol em vez de açúcar. Esse movimento reduz a disponibilidade da matéria-prima para a produção do adoçante e pode limitar a oferta global do produto.
As oscilações no petróleo têm sido influenciadas por fatores geopolíticos, especialmente tensões no Oriente Médio e ajustes na produção por grandes produtores internacionais.
Mercado interno apresenta reação pontual nos preços
Mesmo após a pressão observada no início do mês, o mercado físico brasileiro apresentou uma leve recuperação no começo da semana.
O indicador do açúcar cristal branco no estado de São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou valorização diária. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 98,31, avanço de 0,96% em relação ao dia anterior.
Apesar dessa reação, o indicador ainda acumula queda de 0,28% no mês de março, refletindo a retração nas negociações observada no mercado spot.
Etanol apresenta valorização no mercado paulista
No mercado de biocombustíveis, os preços também registraram avanço. O Indicador Diário Paulínia (SP), referência nacional para o etanol hidratado, apontou valorização no início da semana.
O combustível foi negociado a R$ 3.049,50 por metro cúbico, com alta de 1,11% no comparativo diário.
No acumulado de março, o indicador já registra valorização de 2,66%, refletindo o comportamento do mercado de combustíveis e a demanda pelo biocombustível.
Câmbio e cenário macroeconômico seguem influenciando o setor
O comportamento do câmbio permanece sendo um dos principais fatores de influência sobre o mercado brasileiro de açúcar, especialmente devido à forte participação das exportações na comercialização da commodity.
Nesse contexto, o Banco Central do Brasil acompanha a evolução da inflação, do fluxo de capitais e das condições financeiras globais, elementos que impactam diretamente o valor do real frente ao dólar e a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional.
Mercado observa decisões das usinas sobre produção
Para os próximos meses, analistas indicam que o mercado continuará atento ao direcionamento da produção nas usinas do setor sucroenergético.
Caso os preços da energia permaneçam elevados, parte maior da cana pode ser destinada ao etanol, o que tende a reduzir a oferta global de açúcar e oferecer suporte às cotações internacionais.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro deve continuar sendo influenciado pela liquidez das negociações, pela evolução do câmbio e pelas condições de demanda no setor industrial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Aditivos energéticos ganham protagonismo e impulsionam competitividade da suinocultura brasileira
Published
26 minutos agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
A busca por maior eficiência produtiva e competitividade tem levado a suinocultura brasileira a intensificar o uso de aditivos energéticos nas formulações de ração. Em um cenário de genética avançada, alto desempenho zootécnico e margens cada vez mais apertadas, a energia passa a ser tratada como elemento estratégico dentro dos sistemas de produção.
Mais do que um componente básico da dieta, os aditivos energéticos vêm se consolidando como ferramenta importante para melhorar o aproveitamento nutricional, sustentar o desempenho dos animais e otimizar o retorno econômico da atividade.
Energia na dieta é base do desempenho dos suínos, afirma especialista
De acordo com o doutor em Nutrição e Produção Animal e zootecnista da Quimtia Brasil, Gabriel Villela Dessimoni, a energia é o principal combustível metabólico dos suínos e influencia diretamente todas as funções produtivas.
“A energia é o principal ‘combustível’ do suíno. Sem ela, nenhuma engrenagem biológica funciona adequadamente. O animal precisa de energia para manutenção, crescimento, deposição de carne, resposta imunológica e regulação térmica”, explica o especialista.
Aditivos energéticos ampliam eficiência da dieta e desempenho zootécnico
Os aditivos energéticos utilizados na suinocultura são formulações complexas compostas por diferentes ingredientes e aditivos zootécnicos, desenvolvidos para atuar em duas frentes principais: fornecer energia de rápida disponibilidade e aumentar a eficiência de aproveitamento energético da dieta.
Na prática, essa tecnologia se reflete em ganhos produtivos como maior ganho de peso diário e melhora na conversão alimentar, indicadores essenciais para a rentabilidade da atividade.
Segundo Dessimoni, esses produtos podem apresentar diferentes origens e composições.
“Algumas formulações utilizam derivados de óleos vegetais, outras incluem ingredientes de alta densidade energética, como subprodutos da indústria de alimentos. Também é comum o uso de ácidos graxos, lecitinas e metabólitos naturais em diferentes combinações”, detalha.
Estratégias nutricionais variam conforme a fase produtiva
O uso de aditivos energéticos na suinocultura é ajustado de acordo com cada fase de produção, respeitando as exigências fisiológicas dos animais.
Na fase de creche, o foco está no suporte energético de leitões desmamados, que apresentam sistema digestivo imaturo e alta demanda metabólica. Já na lactação, a prioridade é atender a elevada exigência energética das matrizes, fundamentais para a produção de leite e manutenção da condição corporal.
Nas fases de crescimento e terminação, a estratégia busca sustentar o alto desempenho zootécnico, com foco em ganho de peso eficiente e melhor conversão alimentar até o abate.
Deficiência energética compromete desempenho e aumenta custos de produção
A falta de energia na dieta gera impactos diretos no desempenho dos animais e na rentabilidade do sistema produtivo. Segundo o especialista, os efeitos são perceptíveis tanto no desempenho zootécnico quanto nos custos da produção.
No animal, a deficiência energética resulta em menor ganho de peso, pior conversão alimentar, redução da resposta imunológica e maior desuniformidade dos lotes.
Para o produtor, isso significa maior tempo até o abate, aumento no consumo total de ração, elevação do custo por animal e menor eficiência econômica por quilo produzido.
Impacto é ainda mais crítico em matrizes lactantes
Nas fêmeas em lactação, a deficiência de energia pode gerar consequências mais severas. Entre os principais efeitos estão a redução da produção de leite, comprometimento do desenvolvimento da leitegada, maior mobilização de reservas corporais e impacto negativo no desempenho reprodutivo futuro.
Eficiência energética melhora retorno econômico da produção
Apesar do aumento no custo de formulação, o uso correto de aditivos energéticos tende a gerar retorno econômico positivo, graças ao ganho de eficiência produtiva.
“Quando o aditivo energético melhora a conversão alimentar e o aproveitamento da dieta, o custo efetivo por quilo de carne produzida tende a cair”, afirma Dessimoni.
Com isso, a adoção dessa tecnologia reforça o papel da nutrição de precisão como ferramenta essencial para elevar a competitividade da suinocultura brasileira em um cenário de maior exigência produtiva e econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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