AGRONEGÓCIO
Pesquisa de Campo Impulsiona Soluções para os Desafios da Soja no Vale do Guaporé
Publicado em
6 de março de 2026por
Da Redação
Estudo no Campo Busca Melhorar Desempenho da Soja na Região
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) realizou, em parceria com o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), o 1º Giro de Pesquisa do Vale do Guaporé. O evento teve como objetivo entender os desafios específicos da cultura da soja na região e propor soluções técnicas adaptadas à realidade local.
O Vale do Guaporé se destaca como uma nova fronteira agrícola de Mato Grosso, mas enfrenta condições singulares de clima, solo e sistema produtivo, que afetam diretamente o desempenho das lavouras. Entre os principais problemas relatados pelos produtores estão o quebramento das hastes e o apodrecimento das vagens de soja.
Giro de Pesquisa Aproxima Produtores e Especialistas
Realizado no dia 11 de fevereiro, o evento reuniu produtores rurais, técnicos e pesquisadores em uma programação prática e voltada à troca de conhecimento no campo. As atividades incluíram estações temáticas sobre manejo da cultura, escolha de cultivares, adubação e sanidade, buscando estratégias para melhorar a produtividade e reduzir perdas.
A iniciativa é considerada um marco para o Vale do Guaporé, uma região que enfrenta desafios adicionais de logística e armazenagem, fatores que impactam diretamente a rentabilidade e a competitividade do produtor rural.
Estratégias Regionais para Aumentar a Eficiência Produtiva
O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Luiz Otávio Tatim, destacou que as peculiaridades de solo, temperatura e altitude exigem ajustes específicos no manejo agrícola, especialmente no uso de fungicidas, inseticidas e na densidade de plantio.
“O Vale do Guaporé possui características únicas dentro do estado. Por se tratar de uma nova fronteira agrícola, é essencial desenvolver estratégias que aumentem a eficiência produtiva, com custos ajustados à realidade local”, explicou Tatim.
Segundo o dirigente, o Vale apresenta altos índices de produtividade, resultado da boa fertilidade do solo e das condições climáticas favoráveis. No entanto, ele ressaltou que a logística de escoamento ainda é um dos maiores gargalos da região, limitando o pleno potencial do agronegócio local.
“Muitas regiões levam décadas para alcançar a produtividade que o Vale obtém em poucos anos. Nosso grande desafio agora é melhorar a infraestrutura logística para garantir competitividade e crescimento sustentável”, completou Tatim.
Problemas Fitossanitários Exigem Atenção dos Produtores
O delegado coordenador do Núcleo Vale do Guaporé da Aprosoja, Yuri Nunes Cervo, que também é produtor rural na região, destacou que o Giro de Pesquisa foi essencial para identificar e discutir os principais problemas fitossanitários enfrentados nesta safra.
Durante a colheita, foram observadas anomalias, quebramento de hastes e a presença de antracnose, doença que favorece o aumento da umidade nas plantas e reduz o potencial produtivo.
“Os problemas vão além das anomalias já conhecidas. Hoje, a antracnose, o quebramento de hastes e a entrada de umidade são os principais pontos de atenção para os produtores do Vale”, explicou Cervo.
Ele ressaltou ainda que, embora a região seja extensa e diversa, os desafios são comuns entre os produtores, o que reforça a importância de eventos que promovam o intercâmbio técnico e o aprendizado coletivo.
“O Giro foi extremamente proveitoso, pois aproximou o produtor da pesquisa e o deixou mais atento ao que está acontecendo em sua lavoura”, afirmou.
Pesquisa Regional Fortalece o Agronegócio no Vale do Guaporé
Com o 1º Giro de Pesquisa do Vale do Guaporé, a Aprosoja Mato Grosso reforça o compromisso de aproximar o conhecimento científico da prática agrícola, especialmente em regiões com características produtivas diferenciadas.
A ação amplia o acesso a informações técnicas, auxilia na tomada de decisões de manejo e fortalece a capacidade dos produtores de enfrentar os desafios da soja. O resultado esperado é maior eficiência produtiva, redução de riscos e avanço sustentável da agricultura regional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
18 horas agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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