AGRONEGÓCIO
Marcas do Agro Brasileiro Avançam no Mercado Internacional e Apostam em Exportações de Valor Agregado
Publicado em
6 de março de 2026por
Da Redação
Exportações do agro impulsionam a balança comercial brasileira
O agronegócio segue como um dos principais motores da economia nacional. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o setor respondeu por 43% das exportações brasileiras em janeiro, somando US$ 10,8 bilhões em vendas externas.
Mas o avanço do agro vai além das commodities tradicionais. Empresas que agregam valor à produção rural — seja por meio da transformação, industrialização ou diferenciação de produtos — têm intensificado suas estratégias para conquistar novos compradores internacionais e fortalecer sua presença global.
Café brasileiro reforça liderança mundial e amplia mercados
O café, símbolo do agronegócio brasileiro, continua a ser destaque nas exportações. O Brasil mantém a posição de maior exportador mundial, com mais de um terço da fatia global de mercado.
A produtora mineira TRIO COFFEE, especializada em cafés especiais, aposta na expansão internacional e na aproximação direta com compradores estrangeiros. O objetivo é ampliar a presença da marca no exterior e consolidar o café brasileiro como referência em qualidade e valor agregado.
“Queremos aumentar o volume de negócios e fortalecer a identidade da marca fora do país”, destaca César Pereira, representante comercial da TRIO COFFEE.
Produtos saudáveis ganham espaço e despertam interesse global
O movimento de internacionalização também se intensifica entre empresas do segmento de alimentos funcionais e saudáveis. A Açaí Fresh, que já exporta para Estados Unidos, Canadá, Portugal e Austrália, vê 2026 como um ano estratégico para consolidar sua expansão global.
O açaí, reconhecido como símbolo nacional, tem se destacado como produto de alto valor agregado e com forte apelo junto ao público internacional.
Durante a Anuga Select Brazil, a empresa apresentará o primeiro creme de açaí do Brasil com 15 gramas de proteína e colágeno, livre de lactose, glúten e conservantes.
“Participar da Anuga é uma oportunidade de ampliar o networking, prospectar compradores internacionais e aumentar nossa presença em novos canais de distribuição”, explica Jean Ferraz, diretor comercial da Açaí Fresh.
Feiras e eventos impulsionam a internacionalização de marcas brasileiras
A Anuga Select Brazil, principal feira da indústria de alimentos e bebidas da América Latina, será realizada entre os dias 7 e 9 de abril, no Distrito Anhembi. O evento deve reunir empresas nacionais e estrangeiras em busca de novas parcerias comerciais e contará com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A expectativa dos organizadores é promover a maior rodada de negócios já registrada em uma feira do setor, conectando marcas brasileiras a importadores e investidores internacionais.
Segundo Polliana Claudino, gerente de projetos da feira, o fortalecimento da integração entre campo e indústria é essencial para o futuro do setor.
“Com o Brasil consolidado como potência agroalimentar, essa conexão será determinante para empresas do varejo, alimentação fora do lar e hotelaria. A Anuga deve pautar os principais debates sobre o crescimento e a internacionalização da indústria alimentícia brasileira”, afirma Claudino.
Campo e indústria unidos na expansão global do agro brasileiro
A crescente presença do Brasil no mercado internacional demonstra a força da integração entre produção agrícola e indústria de alimentos. Com a valorização de produtos de origem e o reconhecimento da qualidade nacional, o país se posiciona de forma estratégica como um dos principais fornecedores de alimentos e ingredientes diferenciados do mundo.
Empresas que investem em inovação, identidade e valor agregado — como a TRIO COFFEE e a Açaí Fresh — exemplificam o novo perfil do agronegócio brasileiro: competitivo, sustentável e cada vez mais global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
17 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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