AGRONEGÓCIO
Soja no Brasil: colheita avança com cautela e preços internacionais seguem voláteis
Publicado em
4 de março de 2026por
Da Redação
A colheita da soja 2025/26 no Brasil avança de forma desigual entre as principais regiões produtoras, impactada por condições climáticas, desafios logísticos e variações de preços no mercado físico e internacional. Enquanto algumas áreas registram progresso acelerado, outras permanecem com baixo índice de colheita, refletindo a cautela de produtores diante da incerteza sobre rendimento e demanda.
Colheita da soja ainda lenta no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a colheita é incipiente, atingindo apenas 1% da área cultivada de 6,68 milhões de hectares. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS, 65% das lavouras estão em enchimento de grãos e 19% em maturação.
A estiagem em várias microrregiões reduziu o potencial produtivo, levando à revisão das expectativas de rendimento. Os produtores mantêm venda travada, com a saca cotada a R$ 117,00 em municípios do interior, enquanto no porto de Rio Grande chega a R$ 129,00.
Santa Catarina e Paraná: mercado mais estável
Em Santa Catarina, o mercado se mantém estável, impulsionado pela demanda da agroindústria e integração com a cadeia de proteína animal. A soja registra média de R$ 121,00 na Copérdia, com variação entre R$ 116,00 e R$ 117,00 em outras regiões. O farelo de soja mantém preços elevados, com granel a R$ 1,97/kg e ensacado a R$ 2,31/kg, refletindo forte procura das fábricas de ração. No porto de São Francisco do Sul, a saca chega a R$ 128,50.
No Paraná, a colheita já atinge 42% da área, acelerada pelo encurtamento do ciclo em algumas regiões devido às altas temperaturas. O indicador Cepea/Esalq registra R$ 121,52 por saca, enquanto o porto de Paranaguá cotou R$ 128,66. Apesar do avanço, produtores enfrentam quedas de energia e congestionamento nas rodovias de acesso aos portos, impactando o escoamento.
Mercado internacional: Chicago e cenário externo mantêm volatilidade
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja mostram movimentos mistos, com leves altas em meio à volatilidade do mercado. Por volta das 7h (horário de Brasília), o contrato maio operava a US$ 11,74 por bushel, e o julho a US$ 11,87, com o óleo de soja em 63,22 cents de dólar por libra-peso e o farelo a US$ 315,20 por tonelada curta.
O mercado segue atento a conflitos geopolíticos, incluindo o Oriente Médio, e às relações China-EUA, além da visita do presidente Donald Trump à China em abril. A alta do petróleo, ainda que mais contida que nos últimos dias, também contribui para a sustentação dos preços.
Fechamento em alta e pressão sobre cotações
Na terça-feira, os contratos futuros fecharam em alta:
- Soja março: +0,50% (US$ 11,55 3/4 por bushel)
- Soja maio: +0,56% (US$ 11,70 1/2 por bushel)
- Farelo de soja março: +0,71% (US$ 310,50/t)
- Óleo de soja março: +0,16% (62,27 cents/lp)
O movimento de valorização foi sustentado por fatores externos, como conflito no Oriente Médio, alta do petróleo e demanda interna nos EUA. Por outro lado, a valorização do dólar frente ao real limitou ganhos mais expressivos, beneficiando a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.
Avanço da colheita no Brasil
De acordo com a Conab, a colheita nacional atingiu 41,7% da área cultivada, com produtores mantendo cautela devido a fatores climáticos e logísticos. O mercado interno observa os preços com atenção, especialmente diante da expectativa de estabilidade ou leves ajustes nas cotações nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Recuperações judiciais no agronegócio batem recorde mesmo com safra forte e expõem impacto dos juros altos no campo
Published
24 minutos agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
O agronegócio brasileiro vive um cenário de contrastes em 2026. Enquanto a produção agrícola segue em níveis elevados, impulsionada por boas safras e alta produtividade, o setor enfrenta um agravamento da situação financeira de produtores e empresas. O reflexo mais evidente desse movimento é o aumento recorde dos pedidos de recuperação judicial.
Dados da Serasa Experian mostram que 1.990 recuperações judiciais foram registradas no agronegócio em 2025, maior número da série histórica iniciada em 2021. O volume representa crescimento de 56,4% em relação a 2024 e é quase quatro vezes superior ao registrado em 2023, quando foram contabilizados 534 pedidos.
Embora ainda não existam números consolidados para 2026, especialistas avaliam que os fatores que pressionam o setor permanecem presentes e não indicam uma reversão estrutural no curto prazo.
Alta produtividade não garante rentabilidade
Na avaliação de especialistas, o aumento das recuperações judiciais não está relacionado à capacidade produtiva do agronegócio, mas ao estreitamento das margens de lucro provocado pelo aumento dos custos e pela dificuldade de acesso ao crédito.
Segundo Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em recuperação empresarial, muitos produtores continuam colhendo boas safras, mas recebem menos pelas commodities enquanto enfrentam custos significativamente maiores para produzir.
O resultado é uma combinação de insumos mais caros, juros elevados e preços agrícolas mais voláteis, fatores que reduzem a rentabilidade da atividade e comprometem a capacidade de pagamento das dívidas.
Juros elevados pressionam toda a cadeia do agronegócio
Entre os principais fatores que explicam o aumento das dificuldades financeiras está o elevado custo do crédito rural.
Nos últimos anos, muitos produtores renegociaram dívidas em um ambiente financeiro que já apresentava juros elevados. Com a manutenção da política monetária restritiva e maior seletividade das instituições financeiras, o refinanciamento tornou-se ainda mais caro.
Segundo Denis Barroso, esse movimento cria um efeito cumulativo sobre o endividamento das propriedades rurais.
Além do produtor, o aperto no crédito também afeta cooperativas, tradings, revendas de insumos, transportadoras e diversas empresas ligadas ao agronegócio, reduzindo a circulação de recursos em economias fortemente dependentes da atividade agrícola.
Inadimplência cresce no meio rural
Os sinais de deterioração financeira também aparecem nos indicadores de inadimplência.
Dados da Serasa Experian apontam que 8,3% da população rural estava inadimplente no terceiro trimestre de 2025, avanço de 0,9 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O aumento reforça o ambiente de maior cautela por parte das instituições financeiras, que passaram a exigir garantias mais robustas e adotaram critérios mais rigorosos para concessão de novos financiamentos.
Crédito restrito reduz investimentos no campo
Especialistas destacam que o atual cenário modifica significativamente a dinâmica de investimento no agronegócio.
Com menos acesso ao crédito e custos financeiros elevados, produtores e empresas tendem a adiar investimentos em máquinas, tecnologia, infraestrutura e expansão da produção.
Esse comportamento gera impactos em toda a cadeia produtiva, afetando fabricantes de equipamentos agrícolas, empresas de logística, fornecedores de insumos e prestadores de serviços.
Recuperação judicial reflete cenário econômico mais amplo
Embora o agronegócio concentre atualmente um número elevado de recuperações judiciais, especialistas ressaltam que o fenômeno não é exclusivo do setor.
Empresas de diversos segmentos da economia brasileira também enfrentam dificuldades financeiras em decorrência dos juros elevados, da restrição ao crédito, das incertezas fiscais e da volatilidade econômica internacional.
Na avaliação de Denis Barroso, a recuperação judicial deve ser encarada como um instrumento de reorganização financeira, e não como a primeira alternativa diante das dificuldades.
Segundo ele, muitas empresas ainda podem recorrer à renegociação de dívidas, revisão operacional, reestruturação financeira e atração de novos investidores antes de ingressarem com um pedido judicial.
Planejamento financeiro ganha protagonismo
Para Benito Pedro, sócio da Avante Assessoria Empresarial e especialista em reestruturação empresarial, o momento exige uma mudança na forma como empresas e produtores administram sua estrutura de capital.
Segundo ele, o ambiente econômico atual não permite mais decisões baseadas apenas no curto prazo ou no adiamento constante de passivos financeiros.
A adoção de estratégias de renegociação com credores, revisão dos custos operacionais e fortalecimento da gestão financeira torna-se cada vez mais importante para preservar a competitividade das empresas.
Gestão de risco será decisiva nos próximos anos
O crescimento recorde das recuperações judiciais no agronegócio evidencia que os desafios do setor vão além da produção agrícola.
Mesmo mantendo elevada eficiência no campo, produtores e empresas precisam enfrentar um ambiente caracterizado por crédito mais caro, custos elevados, margens reduzidas e maior seletividade dos financiadores.
Na avaliação dos especialistas, os próximos anos exigirão disciplina financeira, planejamento estratégico e gestão ativa de riscos para garantir a sustentabilidade dos negócios rurais.
Mais do que produzir bem, o desafio do agronegócio brasileiro passa a ser transformar produtividade em rentabilidade, preservando a capacidade de investimento e a saúde financeira em um cenário econômico cada vez mais desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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