Tribunal de Justiça de MT

Congresso internacional fortalece a Justiça Restaurativa e reúne representantes do Judiciário

Publicado em

Imagem horizontal colorida de autoridades do Judiciário participantes da solenidade de abertura do I Congresso Internacional de Justiça Restaurativa, realizado em João Pessoa, na Paraíba.A Justiça Restaurativa foi reafirmada como eixo estruturante de transformação institucional durante o I Congresso Internacional de Justiça Restaurativa, realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, em João Pessoa, na Paraíba. O evento reuniu magistrados, especialistas e representantes de instituições públicas do Brasil e do exterior, evidenciando o avanço da pauta no cenário nacional.

A desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Clarice Claudino da Silva (à direita), participa do I Congresso Internacional de Justiça Restaurativa. Na imagem, ela posa ao lado da juíza-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça, Viviane Brito.A desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Clarice Claudino da Silva, integrou o conjunto de autoridades presentes, compondo um cenário de articulação entre tribunais e reforçando o caráter nacional da política restaurativa. Para ela, o momento vivido pela Justiça Restaurativa no país evidencia um avanço que ultrapassa o campo metodológico e alcança uma dimensão estrutural nas instituições.

“A Justiça Restaurativa nos convida a uma mudança de perspectiva sobre o próprio sentido da Justiça. Não se trata apenas de incorporar uma metodologia, mas de promover uma transformação na forma como lidamos com os conflitos, com as pessoas e com as relações. Quando o Judiciário se abre para o diálogo, para a escuta qualificada e para a corresponsabilização, ele se aproxima mais da realidade social e amplia sua capacidade de produzir respostas efetivamente restaurativas. Esse movimento exige compromisso institucional, formação contínua e, sobretudo, a compreensão de que a construção da paz é um processo coletivo, que envolve não apenas as instituições, mas toda a comunidade”, definiu a desembargadora Clarice Claudino.

Além da desembargadora, também participaram do congresso a juíza auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Viviane Brito Rebello, de Mato Grosso, a gestora-geral do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Euzeni Paiva de Paula, e o assessor de Relações Institucionais do Nugjur, Rauny Viana.

O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Alexandre Teixeira, faz uso da fala durante o Congresso Internacional de Justiça Restaurativa.Durante sua participação, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Alexandre Teixeira, destacou o estágio atual da Justiça Restaurativa no Brasil, enfatizando o avanço da política ao longo das últimas duas décadas.

“A política da Justiça Restaurativa completou 20 anos em 2025, e ao longo desse período, consolidou-se no âmbito do Poder Judiciário com projetos nas esferas pré-processual, processual e de execução, além de ações de cidadania em escolas, comunidades, rede socioeducativa, entre outros espaços. A política foi implementada em todos os tribunais estaduais e expandiu-se para a Justiça Federal, a Justiça do Trabalho, a Eleitoral, como estamos aqui, também de maneira vanguardista, e a Justiça Militar”.

Teixeira destacou ainda que a Justiça Restaurativa representa uma mudança de paradigma no próprio papel do Judiciário e que, no cenário atual, o debate já não se concentra mais na validação da metodologia, mas na sua expansão com qualidade, formação e continuidade dentro das instituições.

Leia Também:  Queimadas urbanas em Mato Grosso é tema no Explicando Direito desta semana

“Quando o CNJ institui a Política Nacional da Justiça Restaurativa, reconhece que o Judiciário não pode ser apenas um espaço de resposta tardia ao conflito. Deve ser também um indutor de novas formas de convivência. Num país de tantas injustiças, de tantas desigualdades como é o Brasil, a Justiça Restaurativa é artigo de primeira necessidade”.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, desembargador Oswaldo Trigueiro do Vale Filho, realiza faz uso da fala durante o congresso.Representando o contexto regional, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Oswaldo Trigueiro do Vale Filho, destacou os desafios concretos da implementação da Justiça Restaurativa nas instituições.

“Trabalhar com Justiça Restaurativa é desafiador. É desafiador porque nós, e quem vive a Justiça Restaurativa, sabe da dificuldade para colocá-la em prática, para que, de fato, ganhe espaço significativo na eficiência do Poder Judiciário. A superação de resistências institucionais e culturais é o primeiro passo. Existem espaços de dificuldades do ponto de vista de preconceitos, de obstáculos, que não são fáceis. E de fazer com que as estruturas atuais possam nos enxergar como algo do presente e do futuro. Cada inspeção, cada correção, nós iniciávamos com um Círculo de Paz. E que potência, que coisa maravilhosa nós colocarmos na mesma roda os terceirizados, os requisitados, os técnicos, os analistas, o juiz, a juíza”.

A professora norte-americana Fania Davis profere a palestra de encerramento do I Congresso Internacional de Justiça Restaurativa, em João Pessoa, na Paraíba.Justiça Restaurativa como ruptura e resposta histórica – Com uma apresentação marcada por referências históricas, crítica estrutural e forte dimensão ética, a professora Fania Davis encerrou o congresso defendendo que a Justiça Restaurativa representa uma ruptura profunda com o modelo retributivo e uma reconexão com saberes ancestrais de cura e comunidade.

“Mesmo passado meio século, uma verdade antiga se levanta novamente como o sol da manhã: uma justiça nascida não de vingança, mas de compaixão. Uma justiça que não é projetada para punir, mas para restaurar. Uma justiça que não é um campo de batalha, mas campo de cura. Uma justiça que não procura ‘ficar quites’, mas ‘ficar bem’. Responsabilidade não é vingança. Responsabilidade não é punição. Responsabilidade é responsabilidade assumida e reparada com cuidado, com coragem e em comunidade. Nosso modelo dominante, a justiça retributiva, ensina que quando uma pessoa é ferida, devemos ferir de volta, como se o sofrimento pudesse equilibrar a justiça. Mas o que a ciência do trauma nos ensina, e o que sabemos profundamente, é que machucar pessoas, machuca pessoas. E quando respondemos ao dano com mais dano, ciclos de violência ecoam através das gerações. Nossos países têm paralelos históricos profundos. Somos sociedades nascidas em oceanos de sangue, sangue de terras roubadas, de vidas roubadas, de conquistas coloniais, escravidão, genocídio e capitalismo racial. Essas disparidades que vemos hoje são o que chamamos de ‘vidas posteriores da escravidão’. Elas continuam a moldar nossas instituições, inclusive o sistema de justiça”.

Leia Também:  Novos juízes conhecem Justiça Restaurativa e participam de círculo de construção de paz

Ao avançar em sua reflexão, a professora destacou que a Justiça Restaurativa exige uma transformação profunda das instituições, baseada na memória, na comunidade e no compartilhamento de poder.

“A justiça restaurativa, em seu nível mais profundo, não é uma invenção. Não é uma inovação. É uma lembrança. Em cosmologias indígenas, a memória não vive apenas na mente. Ela vive nos rios, nas florestas, no vento, na terra e nos corpos das pessoas. Eles lembram um tempo antes das prisões, antes da polícia, antes da escravidão, antes da ideia de que a justiça pertence às instituições e não às comunidades. Justiça não é punição. Justiça é recuperação. A transformação requer que as instituições saiam do centro e entrem na humildade. Significa que os tribunais aprendam a caminhar ao lado das comunidades, e não à frente delas. Significa que a justiça não é algo feito para as pessoas, mas feito com as pessoas. Significa confiar na experiência vivida tanto quanto na experiência jurídica. Aqueles mais negativamente impactados pela injustiça geralmente possuem as melhores soluções, porque conhecem profundamente essa realidade. A justiça mais durável e sustentável é construída coletivamente. O futuro da justiça não é vertical, é circular”, concluiu Fania.

Fania Davis é uma ativista, advogada e estudiosa norte-americana, reconhecida internacionalmente como uma das principais vozes da justiça restaurativa e da justiça racial. Com doutorado em Conhecimento Indígena, ela combina décadas de militância pelos direitos civis com uma abordagem de “justiça como cura” e transformação social.

Autor: Naiara Martins

Fotografo:

Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Esmagis-MT: inscreva-se para curso sobre direitos das pessoas com deficiência e papel do Judiciário

Published

on

A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) está com inscrições abertas para o curso “A Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e o Papel do Judiciário”, voltado a magistrados(as) e assessores(as) do Poder Judiciário estadual. A formação integra as ações estratégicas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no cumprimento da Portaria n. 471/2025 do Conselho Nacional de Justiça, que regulamenta o Prêmio CNJ de Qualidade (2026-2027).

Na modalidade de ensino a distância (EAD), o curso é credenciado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), por meio da Portaria n. 7/2025, e válido para fins de vitaliciamento e promoção na carreira da magistratura. As aulas ocorrem de 8 a 28 de junho, com carga horária de 30 horas-aula. Ao todo, foram disponibilizadas 40 vagas.

Segundo o coordenador das atividades pedagógicas da Esmagis, juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, a proposta da capacitação é ampliar o conhecimento e promover uma mudança de paradigma na atuação judicial, diante dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência. O objetivo, explica o magistrado, é capacitar operadores do Direito para garantir a efetividade da Lei Brasileira de Inclusão (Lei n. 13.146/2015) e da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, superando lacunas entre a legislação e sua aplicação prática.

Leia Também:  Judiciário faz homenagem a magistrados aposentados com outorga da Medalha do Mérito José de Mesquita

Conforme o magistrado, a formação busca consolidar o papel do Judiciário como agente garantidor da cidadania, a partir da compreensão da deficiência não como limitação individual, mas como uma responsabilidade de adaptação social e estatal.

A formação aborda temas como modelos de compreensão da deficiência e sua aplicação no Brasil; princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; direitos sociais e inclusão; aplicação prática e estudo de casos; e atuação do Judiciário na promoção da participação social plena.

Tutoria

A tutoria ficará a cargo da juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, titular da Nona Vara Criminal de Cuiabá e integrante da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão e da Comissão de Heteroidentificação do Tribunal de Justiça do Estado.

A formadora possui pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil pela Universidade de Cuiabá e em Jurisdição Civil pela Universidade Candido Mendes, além de MBA em Gestão do Poder Judiciário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ). Também integrou o módulo avançado da Escola de Altos Estudos e Ciências Criminais (IBAJ-SP). Com destacada atuação institucional, é integrante do FONTET e do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Mato Grosso. Atua ainda como gestora local do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial.

Leia Também:  Queimadas urbanas em Mato Grosso é tema no Explicando Direito desta semana

As inscrições seguem abertas até o dia 4 de junho.

Clique neste link para se inscrever.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 e 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA