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AIPC alerta para riscos de medidas restritivas na cadeia do cacau

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A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) emitiu um alerta sobre os possíveis efeitos negativos de medidas restritivas na cadeia produtiva do cacau. Segundo a entidade, embora reconheça a preocupação legítima do governo federal com a recente queda do preço pago ao produtor, é essencial considerar o papel da indústria no equilíbrio do setor e na manutenção do abastecimento interno.

Brasil depende da importação para atender à demanda

A AIPC destacou que o Brasil não produz cacau em volume suficiente para suprir o consumo nacional, sendo necessária a importação da amêndoa para garantir o funcionamento da indústria e o fornecimento de produtos derivados ao mercado interno.

A entidade reforçou ainda que o preço da amêndoa é determinado pelo mercado internacional, com base nas condições globais de oferta e demanda e nas cotações das bolsas internacionais.

“Não é correto atribuir à indústria brasileira — grande parte dela instalada na Bahia — a responsabilidade pela fixação dos preços”, informou a AIPC em nota.

Risco de impactos econômicos e sociais

De acordo com a associação, a adoção de medidas restritivas ou intervencionistas voltadas à indústria não resolve as causas estruturais da queda de preços e pode gerar efeitos colaterais graves.

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Entre os riscos citados estão:

  • Redução do volume de moagem de cacau;
  • Paralisação de unidades industriais;
  • Perda de empregos diretos e indiretos;
  • Queda da arrecadação estadual;
  • Comprometimento da competitividade das exportações brasileiras de derivados de cacau.

A entidade também ressalta que intervenções desse tipo já se mostraram ineficazes em outros momentos da história econômica, agravando desequilíbrios produtivos em vez de solucioná-los.

Indústria pede mesa técnica para soluções estruturais

A AIPC reafirma o papel da indústria processadora como elo essencial da cadeia produtiva do cacau, responsável por gerar valor agregado e sustentar a renda do produtor.

Com base nisso, a associação propõe a criação de uma mesa técnica nacional reunindo representantes do governo, produtores e indústria, com o objetivo de desenvolver soluções estruturais, eficazes e sustentáveis para o setor.

A entidade defende que o diálogo e o planejamento conjunto são os caminhos mais seguros para proteger os produtores e fortalecer toda a cadeia do cacau — desde a produção até a exportação de derivados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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