AGRONEGÓCIO

Bioinsumos ganham força no Brasil e apontam saída para dependência externa no agronegócio

Publicado em

O Brasil se consolidou como uma potência agrícola mundial, mas essa força produtiva ainda repousa sobre uma base frágil: a dependência externa de insumos essenciais. Fertilizantes e defensivos químicos, pilares da produção nacional, vêm majoritariamente do exterior e expõem o país a riscos geopolíticos e logísticos.

De acordo com dados do Cepea, o país importou em 2025 cerca de 85% dos fertilizantes utilizados, o equivalente a 44,8 milhões de toneladas, além de 759 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos. A dependência de poucos fornecedores, principalmente China e Rússia, que respondem por quase metade do total, representa um custo anual superior a US$ 25 bilhões.

Dependência estrutural expõe fragilidades

A concentração de fornecedores coloca o agronegócio brasileiro em uma posição vulnerável. A China ultrapassou a Rússia e se tornou o principal parceiro nesse mercado, ampliando sua fatia em 51% nas exportações de fertilizantes para o Brasil.

Essa dependência impacta diretamente os custos de produção — os fertilizantes representam mais de 20% dos custos das lavouras, segundo o Insper Agro Global. Crises internacionais recentes, como a de 2022, demonstraram o quanto oscilações nos preços globais — que chegaram a subir 129% — podem afetar margens e a segurança alimentar.

O mesmo ocorre no mercado de defensivos: o Brasil é hoje o maior importador mundial de pesticidas, responsável por 15% das compras globais em valor. De janeiro a outubro de 2025, 863 mil toneladas de agroquímicos foram importadas, 70% oriundas da China.

Leia Também:  O setor de sorvetes teve uma alta de 50% nas vendas desde o início da onda de calor que acometeu o país nos últimos meses
Bioinsumos: a nova fronteira tecnológica do campo

Em meio a esse cenário, os bioinsumos agrícolas — produtos à base de microrganismos e compostos naturais — ganham protagonismo como alternativa sustentável e estratégica.

O estudo do Cepea destaca que o setor, antes marginal, entrou em uma fase de expansão acelerada. As pesquisas com controle biológico têm mais de 80 anos, mas apenas na última década a tecnologia alcançou escala industrial e padronização suficientes para competir com os químicos tradicionais.

A pressão por sustentabilidade e o endurecimento das normas internacionais sobre defensivos químicos impulsionam essa transição. Além disso, a resistência de pragas e os custos crescentes dos insumos sintéticos reforçam a atratividade dos biológicos.

Mercado global em expansão e Brasil na dianteira

O mercado mundial de biológicos agrícolas, avaliado em US$ 11,7 bilhões em 2022, deve atingir US$ 33,7 bilhões até 2030, conforme projeções do setor. No Brasil, o crescimento é ainda mais acelerado: 22% ao ano, quatro vezes a média global.

Na safra 2024/25, o faturamento do setor nacional atingiu R$ 4,35 bilhões, aumento de 18% em relação ao ciclo anterior. O número reflete uma mudança estrutural — a tecnologia deixou de ser experimental e passou a integrar programas regulares de manejo agrícola.

Adoção cresce, mas desafios persistem

A área potencial tratada com bioinsumos chegou a 156 milhões de hectares, e a taxa de adoção alcançou 26% da área agrícola nacional, avanço de três pontos percentuais em apenas um ano.

Leia Também:  Seca em Minas já afetou 326 mil produtores rurais e causou prejuízos de R$ 1,8 bilhão

Apesar disso, os biológicos ainda representam uma parcela modesta do mercado total de defensivos. Muitos produtores utilizam os produtos de forma complementar, sem substituir totalmente os químicos.

Entre os principais desafios estão a padronização de formulações, a comprovação de eficácia em larga escala e a criação de infraestrutura regulatória e informacional que sustente o avanço do setor.

Caminho para a autonomia produtiva

O estudo do Cepea conclui que os bioinsumos representam a via mais concreta de reconstrução da soberania tecnológica da agricultura brasileira.

Produzir 1,2 bilhão de toneladas de alimentos por safra com 85% dos insumos importados é uma conquista vulnerável. A transição para soluções biológicas, ainda que gradual, pode reduzir custos, fortalecer a competitividade e melhorar a segurança alimentar.

O sucesso, porém, dependerá da produção de dados de mercado consistentes, como séries históricas de preços, volume de consumo e oferta — elementos essenciais para dar estabilidade e transparência à nova economia dos bioinsumos.

Fonte: Cepea – A fratura silenciosa: bioinsumos, dependência estrutural e o próximo ciclo da agricultura brasileira (2025).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Produção de grãos deve crescer 11,9% na safra 2024/25 e atingir novo recorde no Brasil

Published

on

Safra brasileira de grãos caminha para novo recorde histórico

A produção brasileira de grãos na safra 2024/25 deve alcançar um novo recorde, com crescimento estimado em 11,9% em relação ao ciclo anterior. De acordo com dados da Conab, o volume total deve atingir patamar histórico, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade e pela expansão da área cultivada.

O resultado reflete condições climáticas mais favoráveis em comparação à safra passada, além de investimentos em tecnologia e manejo por parte dos produtores.

Expansão da área plantada contribui para aumento da produção

A área total destinada ao cultivo de grãos também apresenta crescimento, reforçando o potencial produtivo do país.

Esse avanço é puxado principalmente por culturas estratégicas, como:

  • Soja
  • Milho
  • Algodão

A ampliação da área, aliada a ganhos de produtividade, sustenta a expectativa de uma safra robusta e com forte impacto no abastecimento interno e nas exportações.

Soja lidera produção nacional e mantém protagonismo

A soja segue como principal cultura do país, com participação significativa no volume total produzido.

Leia Também:  Seca em Minas já afetou 326 mil produtores rurais e causou prejuízos de R$ 1,8 bilhão

A expectativa é de recuperação na produtividade, após desafios climáticos enfrentados no ciclo anterior. Esse desempenho reforça o papel do Brasil como um dos maiores produtores e exportadores globais da commodity.

Milho apresenta recuperação e reforça oferta interna

A produção de milho também deve crescer na safra 2024/25, impulsionada pelo bom desenvolvimento da segunda safra (safrinha).

A combinação de clima mais favorável e maior área plantada contribui para elevar a oferta do cereal, que é fundamental tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Algodão e outras culturas também registram avanço

Além de soja e milho, outras culturas importantes, como o algodão, também apresentam perspectiva de crescimento.

O avanço dessas cadeias produtivas amplia a diversificação da produção agrícola brasileira e fortalece a posição do país no comércio internacional.

Condições climáticas favorecem desenvolvimento das lavouras

O clima tem sido um fator decisivo para o bom desempenho da safra atual. Em comparação ao ciclo anterior, marcado por irregularidades climáticas, a safra 2024/25 apresenta maior regularidade nas chuvas e melhores condições para o desenvolvimento das culturas.

Leia Também:  Administração do Mercado do Porto tem missão de retomar espaço turístico do local

Esse cenário contribui diretamente para o aumento da produtividade média das lavouras.

Impactos positivos para o mercado interno e exportações

O crescimento da produção deve gerar efeitos relevantes em toda a cadeia do agronegócio:

  • Maior disponibilidade de produtos no mercado interno
  • Potencial de redução de preços em alguns segmentos
  • Aumento das exportações
  • Fortalecimento da balança comercial

Com maior oferta, o Brasil tende a consolidar ainda mais sua posição como um dos principais fornecedores globais de alimentos.

Perspectivas: safra robusta reforça protagonismo do agronegócio

A expectativa de uma produção recorde reforça o papel estratégico do agronegócio na economia brasileira.

Com ganhos de produtividade, expansão de área e clima favorável, o setor segue como um dos principais motores de crescimento do país, com impactos positivos sobre renda, emprego e comércio exterior.

A consolidação desses resultados ao longo da safra dependerá da manutenção das condições climáticas e do cenário de mercado nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA